Um livro de juventude, mas que mostra uma boa maturidade poética de um jovem Drummond. Ainda carregando muitos traços dessa formação, o livro de poemas traz uma série de dedicatórias que talvez demonstrem isso: os laços com os companheiros de Minas Gerais, a pesada influência de Manuel Bandeira e a tutoria de Mário de Andrade (a quem de fato é dedicado o livro).
A obra traz talvez os poemas mais famosos de Drummond, como o Poema de sete faces, No meio do caminho, Quadrilha, Poema da purificação, Sobrevivente, etc. Assim, é notável como o livro também, por meio de seus poemas menos conhecidos, forma uma força lírica bastante interessante. Em primeiro lugar, seu encaixe no projeto modernista é evidente, pelo uso do verso livre, de expressões coloquiais e também pela apropriação do cotidiano e a dessacralização da linguagem poética. Contudo, Drummond parece em caminho de superação deste projeto única e exclusivamente modernista, chegando a um patamar mais reflexivo sobre o fazer poético no séc. XX e no argumento da possibilidade lírica nos anos de destruição do século do terror. Poemas como Nota social e Sobrevivente e Quadrilha são marcas dessa problemática que perseguirá praticamente toda a obra drummondiana.
Um livro que, ainda que de juventude, traz muito de maturidade.