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O Botequim da Liberdade

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A última grande tertúlia de Lisboa – que marcou cultural e politicamente várias décadas portuguesas – teve lugar no Botequim, bar do Largo da Graça criado e projectado por Natália Correia.
Nele fizeram-se, desfizeram-se revoluções, governos, obras de arte, movimentos cívicos; por ele passaram presidentes da República, gover-nantes, embaixadores, militares, juízes, revolucionários, heróis, escritores, poetas, artistas, cientistas, assassinos, loucos, amantes em madrugadas de vertigem, de desmesura.
A magia do Botequim tornava-se, nas noites de festa, feérica. Como num iate de luxo, navegava-se delirantemente (é uma viagem assim que neste livro se propõe) em demanda de continentes venturosos, de ilhas de amores a encontrar.
O futuro foi ali, como em nenhuma outra parte do País, festivamente antecipado nunca houve, nem por certo haverá, nada igual entre nós.

278 pages, Kindle Edition

First published September 3, 2013

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About the author

Fernando Dacosta

27 books8 followers

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Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Catarina C.
187 reviews26 followers
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April 3, 2021
A premissa d´O Botequim da Liberdade é levar-nos a conhecer este bar lisboeta, no Largo da Graça, que marcou os intelectuais do século XX. O lugar das grandes tertúlias, convívios descerimoniosos e debates, que foi projetado por Natália Correia, a figura de destaque.

DaCosta percorre os anos 60, assim como as décadas que lhe seguem, evidenciando a poeta Natália Correia, embora não se perdendo nela. A personalidade desta mulher, tocada pelo sagrado, suplantou muitas das figuras políticas e artísticas da época, apesar do imaginário português se ter prontificado a esquecê-la. O autor assume que recorreu a elementos ficcionais para apimentar a panorâmica que fotografa, mas posso dizer que a ficção é mero ornamento que não compõe, por si, o fato, nem o adultera.

Apresentando um Portugal nem sempre narrado, o autor relata esses tempos de forma dialógica com as afirmações e poemas de Natália. A delicadeza e o respeito pelas figuras que descreve arrepiaram-me os sentidos; não releva a dicotomia bom/mau, somente o impacto da troca de visões: Natália e Agustina interagiam em disputa, mas nenhuma estava certa. Quanto à primeira, sei que somos mulheres distintas, seja porque de banal Natália não tinha nada, seja porque na política não caminhamos em exato sentido, algo que nunca apagará a admiração que tenho por ela. A amplitude da sua alma existiu em pleno desentendimento com o mundo, e sempre em direção a ele, algo que se traduziu em interpelações de escárnio, que a desconsideram pelos tiques, porém nunca pelas ideias.

As descrições do ambiente no Botequim valem ouro. Um espaço minúsculo que albergou imensidões: José Saramago, Maria de Lourdes Pintasilgo, Lygia F. Telles, Maria João Pires, David Mourão-Ferreira, entre tanto/as outro/as. Embalei-me lendo sobre cada pessoa individualmente considerada, pois não foi exclusivamente Natália a ocupar o espaço de destaque do intelectualismo português. Desta feita, quem lê este livro lê muito mais do que espera - há humor, melancolia, incerteza, política e reflexão -, até porque o enredo não-ficcional é composto pela narrativa matriarcal, sabedoria das vivências, que encontra na memória pessoas como Snu Abecassis, impulsionadora da literacia em Portugal.

Recomendo este livro a todos os que não se permitem esquecer. A facilidade com que nos apoiamos numa memória e um ideário vazio sobre a cultura é estridente. Aqui, li sobre vidas, caminhos e outros olhares. Acima de tudo, apaixonei-me ainda mais por Natália, a poeta (ai de quem lhe chame poetisa!), que me compreendeu (pelo menos foi o que senti), isto porque rejeita os carimbos aos quais desobedeço: produtividade, internacionalização da identidade, boçalidade e indiferença. Leiam Natália! E obrigada, DaCosta.
Profile Image for Tania Cunha.
170 reviews14 followers
September 24, 2020
A figura da Natália Correia faz parte do meu imaginário de sempre. Cresci com a figura dela muito presente no quotidiano, designadamente pela sua intervenção política. Sempre foi uma pessoa que me suscitou muita curiosidade. O botequim da liberdade satisfaz em parte essa curiosidade. O apanhado de episódios é globalmente interessante (um ou outro mais aborrecido). Não gostei particularmente da estrutura ou da organização dos episódios relatados, que cronologicamente dava muitos saltos, o que neste registo não me parece que funcione assim tão bem.
Profile Image for Ana Marinho.
605 reviews30 followers
May 31, 2023
Sem sombra de dúvida que era uma mulher irreverente e revolucionária. Não se conformava com nada. Vivia com as emoções à flor da pele. Exprimia-se sempre por inteiro e nunca pela metade. Gostei de descobrir as relações que existiam naquele botequim. Senti que é um livro muito político, fazendo jus à personalidade e aos ideais da Natália.
Profile Image for Ze Pedro.
26 reviews2 followers
September 15, 2020
O Portugal de ontem é, em inúmeros aspectos,o Portugal de hoje.
Mas mais velho.
Profile Image for Miguel.
Author 8 books38 followers
September 14, 2013
F. Dacosta escreve uma excelente memória de Natália Correia e do famoso bar da Graça, o Botequim, que foi, durante anos, um dos lugares essenciais da noite lisboeta: pela boémia, pela tertúlia, mas também por ser ponto de encontro de intelectuais, artistas, políticos, enfim tutti quanti tinham uma palavra a dizer. Achei um pouco forçada a nota de atribuir a NC uma premonição muito acertada da decadência em que Portugal mergulhou nos últimos anos: não porque seja inexacta, mas porque o autor está sempre a regressar a ela. E o livro é mesmo sempre melhor quando se debruça no close up, quando conta as pequenas histórias que estão nos bastidores das grandes histórias, quando traça o retrato de Natália mais na evocação do que no panegírico. Dacosta escreve bem e escorreito, e isso, a aliar ao grande interesse do tema, torna a leitura fácil e compulsiva.
E tem o mérito, agora que se assinalaram os 90 anos do seu nascimento (passando 20 sobre a sua morte), de resgatar a memória de natália Correia a um certo esquecimento, injusto e empobrecedor, que tem recaído sobre si nos últimos tempos. É que o mérito pode até nem ser, ou nem ser só, de Natália, mas a verdade é que Portugal era um país maior quando tinha cidadãos da dimensão de Natália Correia.
Profile Image for Inês Martins dos Santos.
74 reviews18 followers
February 4, 2023
«"O Fernando é que podia escrever um livro sobre o Botequim", diz-me (inesperadamente) Natália.
(…) Tento esquivar-me: "(…) Só a Natália pode abordar a Natália!"
"Por isso, falei-lhe no Botequim, não em mim", subtiliza.
Finjo ignorar o artifício: "Nunca pensei num livro assim…"
"E não quer pensar?"
"Não com esse título."
"Talvez, então, O Botequim da Liberdade?
"Está mais de acordo…"
"Óptimo, promete?"»

Dacosta prometeu e cumpriu.
Que livro fascinante. Que bonita era a mente insubmissa de Natália. Que bom conhecer-lhe as fúrias, as generosidades, os atos de coragem, as quezílias e as disputas e as pessoas que estavam do outro lado de todos esses sentimentos. Que bom saber o quanto a terra natal lhe ocupava os pensamentos.
E que falta ela faz.
Profile Image for João Roque.
342 reviews18 followers
February 24, 2018
Gosto muito de Fernando Dacosta e da sua forma de escrever e ainda mais gostei da personalidade que foi Natália Correia, uma mulher que marcou pelo seu posicionamento na vida política, literária e social os anos que marcaram o 25 de Abril e os posteriores 20 anos, em que teve uma presença física fundamental o "seu" bar situado na Graça, "O Botequim".
A aliança entre estas duas pessoas, Dacosta e Natália, além de terem sido íntimos durante a vida da poeta (assim gostava de ser chamada), deu origem a este livro - "O Botequim da Liberdade" - aliás um pedido dos últimos dias da sua vida, de Natália a Dacosta.
Mas neste livro que se lê muito bem, não é só Natália Correia que é analisada, mas um grande número de pessoas importantes na vida do país nesse tempo, que ou frequentavam o bar ou eram amigos ou inimigos de NC (uma pessoa com uma personalidade muito marcante também ganha inimizades).
Daí a ser um livro muito curioso sobre um período muito importante da nossa democracia.
Profile Image for António Ganhão.
Author 2 books28 followers
Read
December 27, 2013
Natália Correia surge aqui num retrato de corpo inteiro, com seu lado inquieto a vincar estas páginas. O Botequim foi local de gente assídua e, provavelmente, com o Procópio(1) das últimas tertúlias de Lisboa. Local de comunhão com pessoas de espírito e ousadia porque se deve evitar a cultura desvivenciada, pois só quando se está muito na vida se pode transmiti-la aos outros.

Mulher de excessos, exercidos com apurado sentido cénico, Natália contribui para o “anedotário” que surge à sua volta e que ela alimentou com poses extravagantes e comentários provocadores, (o que) a reduziu por vezes a caricaturas de si própria, impedindo a percepção da sua autenticidade.

Ler mais em Acrítico - leituras dispersas


Profile Image for Maria Saraiva de Menezes.
Author 23 books17 followers
November 16, 2020
Excelente biografia sobre Natália Correia e os tempos políticos, culturais e sociais que se viveram, antes e depois da ditadura, tendo por epicentro o Botequim da Liberdade, lugar de expressão artística no Largo da Graça, por onde passaram Sophia de Mello Breyer e marido, Snu Abecasis e F. Sá-Carneiro, Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas, Amália e Ary dos Santos, Mário Soares, Ramalho Eanes e muitos poetas. De leitura fácil, contagiosa e fluida.
“Os que se reclamam de criar obras literárias e artísticas tendo apenas como horizonte os pastos socioeconómicos não passam de criadores... de gado.”

“Se quiserem extrair da minha poesia uma teologia do feminino, não estão longe da verdade. Repito, no entanto, que esse feminino não é exclusivo da mulher, mas também qualidade do homem tal como nitidamente está representado no ser bissexuado da unidade primordial - a androginia.
Profile Image for Augusto Santos.
17 reviews1 follower
January 20, 2022
Bastante interessante. Um livro que abrange a segunda metade do séc. XX, tendo como base o Botequim. Um livro por onde passam militares, políticos, escritores, pintores, pensadores, entre outros. Muito se aprende sobre Natália Correia; muito se aprende sobre a sociedade da altura; muito se ve sobre o pensamento político...
Profile Image for Elísio Silva.
7 reviews
October 3, 2022
É um relato muito interessante não só da mulher fascinante que é Natália Correia, como do período da ditadura e dos primórdios da democracia portuguesa. É um livro essencial para conhecer as raízes do Portugal atual. É um livro com uma dimensão muito interessante, a figura de Natália merece muitas reflexões!
Profile Image for José Ferreira.
6 reviews2 followers
July 28, 2018
A visão sempre profunda e inquietantemente desassombrada das grandes figuras que se cruzaram com o Fernando Dacosta. Excelente leitura.
Profile Image for Elizabete Fernandes.
26 reviews
February 20, 2025
«Quando a crise não é geradora de grandes audácias, mais indicado é dar-lhe o nome de agonia», assim o disse a mulher de múltiplas facetas - Natália Correia.
Aquela que conseguiu juntar nomes sonantes como Mário Cesariny, António Sérgio, entre outros num botequim (bar) no largo da Graça em pleno século XX.
Aí tudo se comemorava - progressos artísticos, políticos e ideológicos, as chamadas "noites brancas".

Livro muito interessante que desvela parte da vida de Natália.
Profile Image for Margarida Botelho.
7 reviews2 followers
September 26, 2021
Um dos melhores livros que já li na minha vida. Uma celebração da vida de Natália, ao longo da qual somos convidados a viajar pelos bastidores da sociedade portuguesa do século XX.
350 reviews4 followers
November 8, 2019
A nice book about Natália Correia and her bar Botequim, a little too hagiographic for my taste, but still a very enjoyable read, full of anedoctes about a particular time of our history. I admire Natália Correia, she was a character bigger than life, and clearly so did the author. And how I loved her bad-mouthing of Agustina Bessa-Luís, a woman I always thought so overrated!
Profile Image for Bruno.
6 reviews1 follower
February 10, 2018
Não é um relato objectivo, nem a isso se propõe. Visão pessoalíssima do autor sobre Natália Correia (1923-1993), cruzamento de jornalismo e tributo, memórias e factos históricos, interpretação e conjectura. Resenha engajada sobre um período recente da nossa vida colectiva. O autor assume, em nota final, que se trata de uma narrativa e antes deixa dito: “Com Natália Correia nem sempre havia fronteiras entre ficção e realidade.”
Profile Image for Branca.
135 reviews
September 26, 2016
Vivíssima são as palavras com que a descrevem e assim vivíssimas ficarão as memórias que dela se guardam, remetendo a tempos Salazaristas e nos quais a Arte era ainda considerada como um aceitável meio de subsistência.
(aqui fica-)
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