O Coração das Trevas foi um dos primeiros vislumbres do mundo sobre a violência do Império Europeu em África. O enredo gira em torno de Marlow, um marinheiro introspetivo, e na sua viagem pelo Congo para ver Kurtz, um homem alegadamente idealista com um poder espantoso. Marlow aceita uma posição de capitão de barco fluvial com a Companhia, uma empresa comercial belga sediada no Congo. Marlow confronta-se com a ineficácia e a brutalidade generalizada nas estações da Companhia ao ir para África e mais tarde para o Congo. Os nativos da região foram forçados ao serviço, e sofrem terrivelmente com o excesso de trabalho e tratamento severo por parte dos agentes da Companhia. A crueldade e a miséria da empresa imperial contrasta fortemente com a selva impassível e majestosa que rodeia as colónias do homem branco, fazendo-as parecer pequenas ilhas no meio de uma vasta escuridão.
Joseph Conrad was a Polish-British novelist and story writer. He is regarded as one of the greatest writers in the English language and, although he did not speak English fluently until his twenties, he became a master prose stylist who brought a non-English sensibility into English literature. He wrote novels and stories, many in nautical settings, that depict crises of human individuality in the midst of what he saw as an indifferent, inscrutable, and amoral world. Conrad is considered a literary impressionist by some and an early modernist by others, though his works also contain elements of 19th-century realism. His narrative style and anti-heroic characters, as in Lord Jim, for example, have influenced numerous authors. Many dramatic films have been adapted from and inspired by his works. Numerous writers and critics have commented that his fictional works, written largely in the first two decades of the 20th century, seem to have anticipated later world events. Writing near the peak of the British Empire, Conrad drew on the national experiences of his native Poland—during nearly all his life, parceled out among three occupying empires—and on his own experiences in the French and British merchant navies, to create short stories and novels that reflect aspects of a European-dominated world—including imperialism and colonialism—and that profoundly explore the human psyche.
Sem encher as medidas, longe da espetacularidade que lhe idealizei, O coração das trevas, é um livro sobre o Universo masculino, as suas lutas existenciais e a degradação do ser humano subjugado por outros. Essa particularidade; a maneira como a expõem, quase sem nos apercebermos do mal que o homem branco infligiu na raça negra, nomeadamente no Congo é o único ponto de interesse do livro. Não se iludem com as minhas palavras, elas apenas refletem os meus gostos literários e as minhas tendências atuais que infelizmente para O coração das trevas estão muito longe de tudo que o livro nos quer dizer. Talvez lhe tenha pegado em má altura iludida pela sua fragilidade e possibilidade de rápida leitura, mas as suas páginas não me trouxeram nenhuma alegria ou tristeza, nenhuma solidez ou textura. As personagens apresentam-se tão dúbias e distantes na última página como na primeira. Mas não se prendam pelo que escrevo aqui, dediquem-se também um pouco a este livro e digam-me por favor que eu estou errada no meu juízo.
Está muito bem escrito, MAS nunca gostei deste tipo de narrativas: escravos, colónias e a vida no mar. A história até tem pontos interessantes, mas penso que está cheia de hipérboles desnecessárias. É demasiado veni vidi veci.
"Coração das Trevas" é um livro difícil de ser definido, até mesmo dentro de um gênero específico. Aparentemente, é o relato de um marinheiro pelo interior da África, descrito com um local exótico, cheio de perigos. No entanto, gradativamente, ao "mergulharmos" mais profundamente na trama de "Coração das Trevas", percebemos que essa obra não é somente uma narrativa de aventura. Apesar de pequeno, -cerca de um pouco mais de 100 páginas, o livro é imenso em sua complexidade. Conrad em "Coração das Trevas" para atrair e "fisgar" o leitor, faz uso de um recurso típico da narrativa do século XIX - a história dentro de uma história. Dentro da chamada narrativa moldura, temos um narrador desconhecido, um marinheiro que fala sobre uma noite na qual um de seus companheiros também marinheiro, Charles Marlow - alter ego de Joseph Conrad que também trabalhou muitos anos na marinha mercante - reuniu os membros da tripulação de um navio e contou a eles a respeito de estranhos eventos que se passaram em algum lugar do continente africano. É interessante como narrativa aparentemente moldada como uma espécie de "história de viagem" aos poucos ganha contornos assustadores e até mesmo insólitos e míticos. Um dos grandes méritos do livro, é com certeza a escrita de Conrad que adquire matizes que podem ser chamadas de "alucinatórias", criando assim ao longo da narrativa uma espécie de atmosfera sobrenatural. Também no que se refere à escrita, destacam-se detalhadas descrições da Natureza selvagem, nas quais são ressaltados elementos pictóricos, de modo que o leitor se sinta participando com o narrador por um trajeto, no qual os lugares tornam-se cada vez mais exóticos e perigosos - essa sensação parece ser ampliada se o texto for lido no original. Sobre a trama, pode-se dizer que o livro pode ser compreendido em duas camadas: uma mais superficial, como uma jornada pelos recônditos da África, com seus mistérios e também seus horrores que, por seu turno, são inspirados em horrores reais relacionados com a exploração do povos primitivos, o que revela a face mais cruel e desumana do colonialismo europeu. Também de modo mais complexo, e, mais instigante, como um assustador percurso pelo lado oculto da psique humana, relacionado aos desejos e instintos primitivos, bárbaros e até mesmo bestiais. Além disso, Joseph Conrad também apresenta ao leitor um dos mais fascinantes personagens da literatura: o capitão Kurtz, provavelmente, a melhor criação do autor. Assim como outros vilões que representam o que há de pior na natureza humana, como Heatchcliff, capitão Ahab, Kurtz mesmo após o término da leitura, permanece um enigma a ser decifrado, - do mesmo modo que sua última fala: o horror, o horror. "Coração das Trevas", principalmente, ao revelar o que esconde de bárbaro no aspecto civilizado, permanece um livro muito atual. Por trás de ficção, de seu aspecto fantástico, "Coração das Trevas" consegue fazer uma denúncia "realista" a respeito da barbárie que ocorreu durante o processo de colonização, revelando horrores tão terríveis que nem mesmo o narrador, Marlow é capaz de compreender. Dessa forma, Conrad em "Coração das Trevas" consegue arrancar a máscara do bom colonizador e mostrar seu lado mais sinistro, selvagem e primitivo. São poucos autores que conseguiram explorar com tanta mestria os horrores contidos na alma humana. Conrad sem sombra de dúvida é um deles. Ele é um autor brilhante, com uma escrita sofistica e muito bem elaborada, mas, infelizmente um pouco esquecido na atualidade, mas que merece ser redescoberto. Sendo "Coração das Trevas" sua obra-prima e um livro de leitura obrigatória que antecipou outros horrores reais, tais como as guerras mundiais e a guerra do Viatnã, que serviu de cenário para sua adaptação cinematográfica mais conhecida.
Escrita com requinte. Uma obra que é um clássico e que nos ajuda a entender a natureza humana. Quando o Homem tiver oportunidade irá sempre praticar o mal. Uma viagem aos tempos coloniais. Uma obra pioneira na sua época em relatar os efeitos terríveis da colonização em África. Mas muita coisa fica a pairar no ar, distante sob o prisma de Marlow, o narrador.
"O espírito humano de tudo é capaz - porque dentro dele há tudo, não só o passado como o futuro. E ali, ao fim e ao cabo o que havia? Contentamento, dor, devoção, coragem, raiva - sei lá! Mas principalmente verdade - verdade despida da sua máscara do tempo."
8.5/10 atmosférico pra caramba, um bom complemento pra apocalypse now. Datado em algumas noções, mas tem um desenvolvimento bem legal nessa figura mítica do Kurtz que o Brando no filme conseguiu captar perfeitamente.
"Morriam lentamente, como é óbvio. Não eram inimigos, não eram criminosos, eram nada mais que entes terrenos agora - nada mais que sombras negras de doença e da fome deitadas confusamente na penumbra esverdeada. Trazidos de todos os recantos da costa com toda a legalidade de contratos temporários, perdidos num ambiente incompatível, alimentados com comida que não conheciam, adoeceram, ficaram ineficientes e então tiveram permissão para se arrastar para longe e descansar. Essas formas moribundas eram livres como o ar, e quase tão rarefeitas."
"Quando aborrecido com as constantes disputas entre os brancos acerca da precedência na hora das refeições, ele ordenou que fizessem uma imensa mesa-redonda, para a qual foi preciso construir uma casa especial. Era o refeitório da estação. O lugar principal era onde ele se sentava, o resto era em qualquer lugar."
"Ofendi-o ao máximo com a minha gargalhada. Rebeldes! Que mais outra classificação eu teria de ouvir? Já tinham sido inimigos, condenados, trabalhadores - e aqueles eram rebeldes. "
"Deu um grito sussurrado a uma imagem qualquer, a uma visão qualquer - gritou duas vezes, um grito que não passava de um sopro... "O horror! O horror!"
"Só vim a reencontrar-me na cidade sepulcral, ao incomodar-me com o espetáculo de pessoas apressadas que andavam pelas ruas para extorquir dinheiro umas às outras, devorar infames cozinhados, engolir cerveja insalubre, sonhar sonhos insignificantes e patetas. Eram intrusos cuja experiência da vida me parecia uma irritante pretensão, já que não podiam , não senhor, conhecer as coisas que eu conhecia. As suas atitudes, simples atitudes de gente banal que tratava a vida com uma convicção de perfeita segurança, ofendiam-me tanto como a suficiência ultrajante da loucura ao pé de um perigo que ela não pode compreender. Eu não sentia especial desejo de os ensinar, mas tinha alguma dificuldade em conter-me para não rir nas suas caras cheias de estúpida importância."