As doze histórias que compõem Erva brava orbitam ao redor de Buriti Pequeno, cidade fictícia incrustada no coração de Goiás. Paisagem rara em nosso repertório literário, o Centro-Oeste brasileiro é palco de embates silenciosos, porém aguerridos, retratados neste livro com sutileza e maestria. Regida pelo compasso da literatura — que se ocupa de levantar perguntas, mais do que oferecer respostas —, a escritora brasiliense Paulliny Tort evidencia o nervo exposto de um país que desafia todas as interpretações.
Estão ali as relações patriarcais como a de Chico e Rita, em "O cabelo das almas"; a monocultura da soja que devasta o cerrado; o clientelismo rural que separa mãe e filha em "Matadouro" e a religiosidade sincrética de Dita, protagonista do conto "O mal no fundo do mar". O rico encontro entre as culturas indígena e afro-brasileira também está em todas as histórias, as festas populares, como o cortejo de Reis que Neverson acompanha de sua moto em "Titan 125". E, num conto final que coroa o livro como poucas coletâneas conseguem fazer, está também a revolta implacável da natureza diante da ação predatória do homem em "Rios voadores".
A precisão e a cadência do texto nos convidam a ler em voz alta a prosa cristalina e imagética de Paulliny Tort. Por trás de uma escrita despretensiosa como os personagens de seus contos, ela revela a ironia necessária para dar conta, sem caricaturas ou preconceitos, de um país cruel e encantador.
Quando me deparei com Erva Brava, uma circunstância me convenceu instantaneamente da leitura: alguém do cerrado, que escreve sobre o cerrado. Daí o meu reconhecimento e felicidade pela leitura da obra, pois, somente quem o vivencia compreende o nosso amor por um bioma tão maltratado, que vive em constante luta contra os incêndios criminosos e as plantações de soja que engolem tudo, paisagem, bicho, terra, tudo.
A obra em si conta com diversos contos sobre a aridez da vida, desde as dificuldades cotidianas, o negócio mal feito, a expectativa para o primeiro encontro, o crime, a violência doméstica, a destruição, a morte, a política, até o mais banal tocador de sino, tudo isso construído numa escrita agradável, clara e que não decai em nenhum momento, fazendo com que seja uma pena chegar ao fim da obra. Contos assim, são um presente para qualquer leitor.
Erva Brava é o livro que eu mais presenteio! Há meses venho saboreando um conto aqui, outro ali, mas queria muito parar e mergulhar nele por completo, do começo ao fim. Eis que esse dia chegou, e que experiência foi essa! Facilmente o classificaria como #climatefiction. 💚
São 12 contos que transbordam o Cerrado, materializado na cidade fictícia de Buriti Pequeno. Recomendo a leitura na ordem em que os contos aparecem, porque este é um raro livro de contos com um encadeamento delicioso.
Na verdade, tive a sensação de estar lendo a biografia de um lugar repleto de memória. Muito do que foi descrito me pareceu familiar, como se já tivesse visto de alguma forma. Acho que essa é a maior beleza da nossa literatura nacional: nos reconhecermos nela.
Ouvir os sinos das nossas pequenas igrejas resistirem às marés de lama, as terras da fartura lutando contra a monocultura, as preces aos santos misturadas aos crimes necessários e aos crimes cruéis, as redenções, e até o uso da camisa com o número de um candidato de uma eleição já esquecida... Tudo isso compõe o mosaico visual que a autora constrói. São narrativas cuidadosas, cheias de vida, que dão forma a personagens tão reais que sinto que já os conheci ou ainda os encontrarei por aí.
E, MEU DEUS DO CÉU, O ÚLTIMO CONTO! QUE FINAL! 😱
Fazer um ranking dos meus contos preferidos foi quase impossível, mas sete deles simplesmente roubaram meu coração e empataram em primeiro lugar: Rios Voadores, Como Nascem os Sinos, Mandiocal, Má Sorte, O Mal no Fundo do Mar, Santíssima e Matadouro. Cada um é tão poderoso e completo que poderia facilmente se tornar um romance por si só.
Leiam Paulliny Tort. Leiam o Cerrado. Sério, vocês não vão se arrepender!
Todos os contos são bons, escrita excelente e uma certa unidade entre as histórias que podem nos levar a sentir que estamos lendo um romance. Temas muito brasileiros e atuais, uma pitada de horror e uma pitada de humor. Leitura muito fluida!
Destaco "como nascem os sinos" (amei a melancolia e o choque de gerações); "má sorte", "santíssima", "a mulher do pombo" (o alívio cômico) e "mandiocal"
Que escrita poderosa! Que grande prosadora! Que enredos criativos! Sou todo exclamações depois da leitura desse livro, muito admirado de que ele não tenha a fama de outros dos quais gostei até menos.
Paulliny criou uma cidade do interiorzão do Cerrado, chamada Buriti Pequeno, e ali fez brotar um punhado de histórias muito bem trabalhadas envolvendo seus moradores, na rudeza da vida local.
Entre os contos de que mais gostei, está "Como nascem os sinos", história de um velho sineiro, isto é, um "tocador de sino" de igreja, que há muito já não era necessário em sua atividade, mas por algum motivo quer passar adiante o seu conhecimento a um jovem parente, que, contudo, está muito mais interessado no dinheiro que aquilo vai render do que na "arte" de fazer o sino badalar.
"A mulher do pombo" também é muito marcante, a história da mulher do prefeito de Buriti Pequeno que desenvolveu uma espécie de obsessão por pombos, acha que toda cidade que se preza precisa ter seus próprios pombos na praça, mas Buriti Pequeno não tem! Ela atanaza o marido e todo mundo para arrumar esses pombos, até que finalmente são trazidos alguns para a cidade.
Outro excelente é "Mandiocal", história de um homem que decide lavrar um terreno para ali plantar mandioca, embora ouvisse da mulher que nada vingaria daquele canto, porque teria muita argila e tudo apodreceria. O homem insiste, e acaba descobrindo ali um cadáver, mal sepultado, por meio do qual se descortina uma história de violência doméstica que talvez seria melhor esconder.
E o que dizer de "Má sorte"? História de um homem, pobre como quase todo mundo no Buriti, que trabalha no domingo para ganhar um pouco mais dinheiro, que quer apenas comprar uma parabólica para ver futebol, mas tem a grande infelicidade de cair dentro de um silo de soja, e se vê soterrado por ela, prestes a se afundar naquele mar de soja, enquanto espera a ajuda de alguém.
"Carne de paca" também é uma bela história sobre um homem taciturno que vive isolado, cuidando de suas plantações, com destaque para uma de abóboras gigantes, mas, por algum dinheiro, tem que aguentar uns sujeitos da cidade "turistando" pelas cavernas próximas à sua propriedade.
Há ainda "Titan 125", sobre um sujeito que consegue emprestada uma moto para levar sua namorada, atendente de um mercadinho, a um lugar muito afastado e escondido, também em meio às cavernas, onde planeja fazer sexo com ela, embora as coisas não saiam como o planejado.
Também dá para falar de "Matadouro", sobre a mãe de uma menina que foi levada para Goiânia pela dona da fazenda, com todo mundo dizendo que seria uma "grande oportunidade" para ela, mas a mãe era contra, e no fim das contas uma tragédia a impediria de voltar a ver a filha.
O livro conclui com "Rios voadores", poderosa narrativa de uma enchente que parece arrasar todo o Buriti Pequeno. Só aí já mencionei 8 contos, e o livro tem outros 4, todos com a mesma pegada, em uma linguagem muito bem construída, curiosamente com bem pouco discurso direto, é sempre a voz da narradora que se impõe mesmo, e ela faz isso de uma maneira excepcional. Que livro!
“Erva Brava” é uma coletânea de contos (talvez a melhor que já tenha passado pelas mãos deste leitor quase neófito do gênero) que — ressalvada a escrita fragmentária esperada em uma obra que espalha múltiplos clímax como quem espalha sementes ao sabor dos ventos no afã de ver brotar enredos tão diversos quanto a realidade que quer retratar — poderia facilmente ser encarada como um romance, à maneira de uma “biografia” do fictício município de Buriti Pequeno, incrustado em alguma parcela de terra entre Goiânia e Brasília. Diferente dos esforços historiográficos da “biografia do Brasil” empreendida por uma Lilian Schwarcz, mas ecoando as saídas textuais da face contista de um Itamar Vieira Júnior — há um namoro, ao meu ver, com “Doramar ou a Odisseia” —, esse microcosmo do Cerrado ganha contornos a partir de um esforço que tematiza subjetividades que (sobre)vivem à revelia de uma objetividade que, pretextando “modernizar” ou “levar progresso”, tenta obnubilá-las e até mesmo exterminá-las sistemática e intencionalmente. Em outras palavras, aludindo ao desalento nostálgico de uma das personagens, algumas histórias vão deixando de ser importantes, em favor do Brasil das commodities, dos “tapetes silenciosos de soja”: o velho sineiro da igreja incrustada no centro do pequeno vilarejo se vê às voltas com as motocicletas Titan 125 que vão se tornando a principal aspiração de consumo entre os jovens da cidade; os agigantados silos que armazenam a soja que deverá aportar em uma França ou uma Alemanha ladeiam o rio cujas margens abrigam os dependentes químicos que outrora foram signos distantes das grandes metrópoles; o calado Joaquim Baiano, mestre ímpar do cultivo de abóboras, é confrontado pelos forasteiros de Brasília (e suas parafernálias modernas) interessados em desbravar as belezas da região; os trabalhadores rurais, sob um patriarcado com fachada de “apadrinhamento”, retroalimentam a riqueza dos que circulam entre o cenário relativamente isolado e Goiânia; a tragédia político-ambiental, que escancara a face mais desalentadora do racismo ambiental e serve de desfecho à obra, faz sumir do mapa sociedades, saberes e culturas sem direito à memória.
Que bom que existe no mundo Paulinny Tort que, além de nos agraciar com a possibilidade dessa mirada no espelho, vai revelando fios de história que compõem uma tessitura heterogênea, essencialmente distinta da homogeneidade artificiosa pressuposta pela ideia de Estado-nação.
O cotidiano cerratense como principal personagem e as lembranças que ele desperta em mim foram as partes mais agradáveis da leitura.
Confesso que tenho um pouco de dificuldade na imersão em livros de conto e com esse não foi diferente. Apesar de curto, demorei bastante pra ler. Não conseguia me aprofundar nas histórias da forma como gostaria.
Foi bom mergulhar nessa parte histórica/mágica que permeia na região central, mas especificamente em Buriti Pequeno, que de pequeno não tem nada. E me fez sentir em casa. A casa de minha infância cheia de histórias, misticismo, fé, natureza e animais.
Já li livros de contos que, enxergados de uma forma ampla, mais parecem um romance do que uma coletânea de contos, mas esse aqui... caramba. Como um livro tão curto, tão frágil, pode ser tão amplo e rico? E que final hein. Encantadissimo.
O livro uma coletânea de 12 contos ambientados na cidade fictícia de Buriti Pequeno, em Goiás. A autora é de Brasília, e o livro, lançado em 2021, ganhou o prêmio da PCA em 2022 como o melhor livro de contos. A narrativa destaca a escrita e a abordagem inovadora de Torte, que utiliza recortes e cenas que muitas vezes terminam sem uma conclusão clara, refletindo a vida das personagens que enfrentam a modernização e a industrialização. Os contos abordam temas como a chegada do agronegócio, a monocultura de soja e suas consequências nas dinâmicas sociais e urbanas. As histórias incluem personagens como benzedeiras, parteiras e um cineiro, que representam a cultura local em transformação. Um dos contos, que traz um toque de humor, envolve a esposa do prefeito que deseja importar pombos para atrair turismo, enquanto outros exploram questões mais sérias, como o uso de drogas e acidentes de trabalho. A coletânea também discute a destruição do meio ambiente e a precariedade das políticas públicas, evidenciando o impacto da modernidade nas comunidades rurais. A narrativa é rica em detalhes e provoca reflexões sobre o progresso e suas consequências, preparando o leitor para a continuidade das histórias e suas interconexões. As histórias de "Erva Brava" revelam a realidade de pessoas que enfrentam a modernização de forma traumática, com a imposição de um estilo de vida que muitas vezes desconsidera as tradições locais. A autora provoca uma reflexão sobre o impacto negativo do progresso, destacando a tensão entre lucro e vida, e a aridez que pode surgir em meio a um descaso individualista. As personagens, muitas vezes ligadas a saberes tradicionais, tentam se adaptar a essas mudanças, utilizando uma religiosidade sincrética que mistura práticas católicas com conhecimentos ancestrais. Um conto particularmente tocante é o do matadouro, que narra a história de uma mulher que, influenciada por uma benfeitora de Goiânia, acaba entregando sua filha para uma vida que promete mais oportunidades, mas que resulta em uma dor profunda. A obra se destaca por sua abordagem política, abordando questões ambientais e econômicas sem ser didática, mas sim através de narrativas envolventes que retratam a vida cotidiana e as dificuldades enfrentadas pelas personagens. A escrita de Torte é caracterizada por um estilo seco e direto, que se alinha com a dureza das experiências vividas, e os finais abruptos refletem a realidade de pessoas que são deixadas para trás no caminho do progresso. O livro é recomendado tanto para aqueles que buscam uma narrativa diferente, com finais não convencionais, quanto para os que apreciam uma prosa bem construída e personagens ricas em detalhes. A autora também faz um paralelo com um documentário sobre profissões em extinção, ressaltando a relevância das figuras como benzedeiras e cineiros, que estão desaparecendo em meio às transformações sociais e econômicas. A recomendação é feita com a esperança de que os leitores se conectem com as histórias e compreendam a complexidade da vida nas pequenas cidades afetadas pelo agronegócio.
"Até que chega a paz. Uma paz em desacordo com a máquina hidráulica que relincha contra o metal, uma paz estranha, desencontrada dos bombeiros suarentos e ofegantes que o cercam. Mas tudo bem. O oxigênio entra adocicando os pulmões, traz sono, conforto, lassidão. Passa pela sua cabeça que talvez você esteja morrendo. Será? Não pode ser. Morrer é mais difícil. Já viu os bichos que morrem, como agonizam, como choram antes mesmo da primeira pancada, a morte é uma sombra que se anuncia, não é esse cansaço, não. Morrer é outra coisa. Você está quase, quase adormecendo, vai morrer? Não, vai só dormir, é muito, muito cansaço, não consegue mais segurar, o oxigênio é uma fumaça verde, os bombeiros planam sobre a montanha, os sons desaparecem."
Tem alguma coisa nessa experiência de morar em cidade pequena que é ao mesmo tempo tão singular, cada cidadezinha com suas peculiaridades, e ao mesmo tempo tão universal, todo mundo que mora ou já morou sabe como é, que é algo que não sei explicar, mas que me fascina. A autora consegue colocar a essência disso aqui, todas essas experiências e pessoas que você encontra em cidades pequenas, as beatas da igreja, a benzedeira, a parteira, os trabalhadores braçais, os agricultores daqueles sítios pequenos, a mulher do prefeito. Meus preferidos foram "Como nascem os sinos" e o choque de gerações entre o velho sineiro e seu aprendiz; "Má sorte", que mostra um trabalhador soterrado e dá muita agonia, mas também tem momentos de beleza, foi de onde tirei a citação lá de cima; e "Santíssima" que conta a história de uma parteira e sua sabedoria natural herdada da avó. A verdade é que eu gostei muito de todos os contos e embora só o primeiro tenha ternura no nome, senti que todos foram escritos com muita ternura, mesmo nos mais tensos dá pra sentir um toque especial de doçura. São personagens cativantes e histórias gostosas demais de ler.
2.5 É estranho um livro que, apesar do domínio estilístico, uma prosa crua, visceral, precisa e de descrição evocativa, seja totalmente desequilibrado por narrativas sem qualquer substância ou torque. A maioria desses contos serviria como excelentes descrições fotográficas para pessoas cegas. Uma escritura com invólucro de estória, que não vai além do sinóptico. A prosa é afinadíssima, a ambientação é real e densa, mas os textos são desculpas à escrita, ao passo em que as tentativas de mergulho psicológico são infantis, e as personagens unidimensionais e inumanas. Esse livro, em vez de trabalhar com verdade e domínio as temáticas que tentam costurar esses contos -- agronegócio, seus efeitos na urbanização de cidades interioranas, etc. --, só joga acenos fáceis e pré-fabricados para quem já pensa igual à autora, sem qualquer exploração real, humana, que leve esse pensamento, senão aos seus últimos termos, ao menos além do óbvio e imediatamente reconhecível. Parece o texto escrito por alguém que fosse um grande escultor -- aqui capaz em sua técnica de externar com precisão e acuidade de sua expressão qualquer grande história --, mas que se limitasse a esculpir só sólidos platônicos, nada que fosse além do simples e explícito. No entanto, estranhamente, o texto é muito bom em coisas específicas e que valorizam a leitura: um estilo que por si só é de raro domínio, e um manejo do tempo interessante em alguns dos contos.
Um livro de contos que navega por temas, imagens, alegorias muito conhecidos da minha formação humana no interior de Goiás: a fé flexível, os costumes rígidos, as crendices populares, as festas que misturam devoção e profanação, os seres ensimesmados, calados, reflexivos, os inúteis que tem o poder, as ligações sociais das conveniências. Creio que aos contos faltou um pouquinho mais de definição das ações culminantes de personagens e narradores para serem mais fortes, mas também entendo a escolha da autora em deixá-los um tanto mais misteriosos. Se olho no contexto mais amplo, me pareceu que o narrador único a destrinchar essas histórias e amarrá-las umas nas outras é pequena cidade de Buriti Pequeno (talvez com exceção da primeira, que me parece muito distante do universo criado pelas outras), que tudo vê e tudo sente, feito espírito que é também fantasmagoria em outros lugares similares. Talvez por isso, para o bem e para o mal, ler os contos da autora foi como passear outra vez pela minha cidade natal lá no interior de Goiás e relembrar de histórias similares, vividas ou criadas, pois encontram elas pouso em qualquer lugar no interior desse Brasil rural onde pouco avança não por conservadorismo, mas por falta de vontade e autoconfiança.
Erva brava é um livro necessário no cenário brasileiro atual. Eu desconhecia novelas (contos, no caso) que retratassem tão bem a realidade rural do centro-oeste brasileiro. Eu, como brasilense e frequentadora da Chapada dos Veadeiros, visualizei totalmente Buriti Pequeno, a cidade fictícia do livro. É como se eu conhecesse essa cidade - mas no caso, eu a visse desde fora. O primeiro conto é maravilhoso, os espectros dão uma sensação obscura e quase fantasmagórica no conto e o título é genial: Ternura e crack. Logo, há vários contos igualmente bons e irreverentes, destaco também Carne de paca e A mulher do pombo. Paulliny Tort é afiada nas descrições, impecável eu diria.
Quando leio algo tão lindo, bem escrito e poético e percebo que é algo 100% brasileiro, com sua narrativa de interior e toda sua poesia, sinto tanto orgulho. Consegui ver neste livro as cores e sons de cada trecho narrado. Cada conto com sua história trágica, com a pequenez de diferentes universos, finalizando em um último conto tão cheio de sentidos e resumindo tudo em um só destino. Paulliny consegue nos fazer acreditar que estas histórias poderiam se passar em qualquer interior do Brasil, conseguimos ver este pequeno universo bem perto de cada um de nós.
El libro Erva Brava está compuesto por 12 cuentos cortos que hablan de la pobreza, amor, violencia, tristeza y vida en el interior del estado de Goiás. El pueblo al parecer es ficticio. El libro comienza con un río y termina con otro (no haré spoiler). Santissima y Matadouro fueron mis favoritos. En sí la mayoría de los cuentos tocan diferentes violencias que viven, violencias sistemáticas y la mayoría de las quienes sufren son mujeres. La recomiendo mucho sobre todo es parecida una lectura nordestina pero de Goiás. Muy buenos cuentos.
Escrever e lançar uma obra literaria no Brasil é uma conquista,por isto aprecio a regionalidade que a escritora traz em destaque,porém não é um livro que curti. Bom a literatura brasileira contemporâneo não me empolga,quase tudo que tenho lido parece artificial e um exercio de escrita criativa...
Essa leitura me trouxe uma perspectiva muito diferente de várias coisas das quais achei que já tivesse opinião, ou coisas que nunca haviam me passado pelo cabeça, no meu próprio país. E me mostrou mais uma vez o quanto a arte é capaz de nos sensibilizar e nos apresentar pontos de vistas diferentes dos quais estamos acostumados.
Livro de contos de autora de Brasília, com histórias que ressoam nos leitores, como eu, que são da Capital Federal e já exploraram muito o entorno do DF, interior de Goiás e o Centro-Oeste em geral. Contos divertidos e atuais, sem perder o regionalismo.
Paulliny Tort cria, na fictícia Buriti Pequeno, no interior da região Centro-Oeste, um microcosmo cheio de vidas esgotadas, de gente simples, onde a modernidade e a tradição convivem lado a lado. O que faz deste livro de contos uma obra de destaque é a linguagem apurada da autora, seu pleno domínio da cultura retratada e os personagens marcantes.
Embasbacada com esse aqui... Tenho chorado pouco com livros, mas "Má sorte" e "Matadouro" me aliviaram de umas boas lágrimas. Dor que é equilibrada com a força de "Santíssima", do feminino, dos laços, do sagrado, da simplicidade e do cuidado que mantém o mundo em pé... Um quê de Torto Arado, mas pra mim mais tocante por tudo o que deixa de fora - cada história é um relâmpago, tão rápida, há um comedimento no que a autora escolhe revelar que parece deixar cada uma ainda maior, mais avassaladora... Paulliny dosa bem demais as palavras - o livro é a própria erva brava.
"Sou humana, às vezes a minha fé duvida. Mas, nessas horas, vem a Virgem e me acendo por dentro, transformando-me em uma lamparina que ela entrega às mulheres na escuridão."
Críticos da Folha - melhores livros 2021 - "Um excelente livro de contos, sobre tema que daria margem a abordagens piedosas (mundo do sertão atropelado pelo agro moderno), mas que é submetido a uma linguagem e a uma narrativa de grande qualidade formal" - LUÍS AUGUSTO FISCHER PROFESSOR DE LITERATURA BRASILEIRA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
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Contos curtos do Brasil profundo, verossimilhança impressionante, conseguindo abordar temáticas sociais contemporâneas de forma orgânica e fluida. Escrita irrepreensível. Recomendo.