Pois é.
Guilherme de Souza pegou Covid-19, e essa HQ conta todos os percalços dele antes, durante e logo depois da doença. Primeiro o medo e a insegurança que a maioria de nós sentiu naqueles primeiros dias lá em 2019, depois a perplexidade em notar o grande "foda-se" que boa parte da população deu para todos os cuidados propostos, logo em seguida, o primeiro cagaço, o pai e a mãe dele pegam Covid-19; a mãe, mais grave fica sob os cuidados da irmã que trabalha na área; o pai, mais ameno fica sob os cuidados dele no sítio da família. Lembrando um pouco o Maus, ele e o pai não tem muito assunto, além da doença; e aí vem o grande cagaço, ele, apesar dos cuidados, pega Covid.
Guilherme pega uma Covid raiz, daquelas de ir pro hospital, como ele mesmo diz "esse tubinho no nariz nunca é um bom sinal". Além disso, Guilherme é um daqueles caras meio azarados - daqueles que se comprar um circo, o anão cresce -, então o hospital em que ele está internado pega fogo.
Sério. Eu lembro de ver uma notícia sobre isso na época.
Eventualmente, Guilherme se livra da Covid e escreve uma HQ sobre isso.
Eu admito que eu não sou o cara mais empático do mundo, muito pelo contrário, então parece que faltou alguma coisa; não sei, uma reflexão, uma epifania, algo que mudasse o mundo, ou pelo menos a história do nosso autor. Contudo, enquanto eu pensava em como escrever a resenha, cheguei à conclusão que a genialidade está justamente em não haver uma mudança; afinal fica claro para qualquer um de nós que o mundo não mudou depois da Covid, afinal agora que as coisas pareciam melhorar, mais uma guerra começa.
Então, o Guilherme está certo. Nada mudou, continuamos ignorantes, egoístas e vaidosos.