«Pululam hoje pela indústria cultural, pelos círculos mediáticos e pela universidade estudiosos e opinion makers que fazem do populismo uma espécie de fascismo do século XXI.Após a Segunda Guerra Mundial, como é sabido, o “fascismo” deixou de ser tratado como uma corrente política e cultural para se transformar num cómodo “significante vazio” destinado a designar tudo quanto seja odioso e desprezível. Obscureceu-se o caminho de acesso ao fascismo histórico na mesma proporção em que emergiu um “fascismo eterno”. Do mesmo modo se passa hoje com o populismo.O conceito é mobilizado pejorativamente para designar um modo simplesmente ignóbil e repugnante de fazer política, e oferece-se como particularmente útil, em discussões acaloradas, para estigmatizar rapidamente adversários sem a maçada de demais discussões. Ora, esse modo de usar o conceito encerra um problema que não é ele não só ignora a história dos fenómenos caracterizáveis como populistas, muito variados, mas sobretudo tolda a possibilidade de encontrar no próprio conceito possibilidades à partida insuspeitadas e uma fecundidade inicialmente imprevista.»
Alexandre Franco de Sá nasceu em Lisboa, a 5 de Maio de 1972. Realizou estudos na Universidade Católica Portuguesa, na Universidade de Lisboa, na Universidade Albert Ludwig (Freiburg, Alemanha) e na Universidade de Coimbra, onde se doutorou em 2007.
Professor no Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é Director do Curso de Licenciatura em Filosofia e do Curso de Mestrado em Ensino da Filosofia no Ensino Secundário.
Como investigador, participa da Unidade I&D Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, sediada na Universidade de Coimbra, colaborando também com o Instituto de Filosofia Prática, da Universidade da Beira Interior (Covilhã). Participa também no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Brasil).
Recebeu, em 2002, o Prémio União Latina - Fundação para a Ciência e Tecnologia de Tradução Científica, pela tradução do alemão do livro Holzwege de Martin Heidegger, e o Prémio FLUC-Ensino em 2020, que distingue a excelência no Ensino na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Tem trabalhos em vários domínios dos estudos filosóficos, desde a história da filosofia, ontologia, metafísica, fenomenologia e ética. O seu campo de investigação privilegiado é o da Filosofia Social e Política.
Uma viagem entre as ideias do extremo esquerdo ao extremo direito na divisão política entre direita e esquerda. Entendemos a virtude está, mais uma vez, no centro. Há bandeiras políticas identitárias dos partidos mais para a esquerda e mais para a direita, a esquerda é aqui explanada como a extrema esquerda do comunismo, a extrema esquerda libertária e a direita populista e identitária. É um livro essencial para entender melhor as ideologias existentes hoje no panorama europeu da política.