Apesar de não ser um livro que busca uma compreensão acadêmica sobre o tema, Niara de Oliveira e Vanessa Rodrigues fazem apontamentos pertinentes sobre como a mídia brasileira aborda a violência contra mulheres no Brasil. Mesmo com análises repetitivas, mesmo sendo essenciais, elas apontam os erros comuns que ainda estão carregados de misoginia e machismo.
Há recortes de raça, classe e também de identificação de gênero. O que é extremamente importante já que as maiores vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras e pobres. Além de ser o país que mais mata mulheres trans e travestis.
"Histórias de morte matada contadas feito morte morrida" é um livro que você lê relativamente rápido por causa da estrutura do livro em pequenos capítulos, mas não é uma leitura fácil. É um livro que contém muita violência e ódio mesmo que não haja nenhuma descrição explícita. Os casos são cruéis, fúteis e nos trazem material suficiente para pensar não só como o jornalismo brasileiro trata esses crimes de gênero, mas também nós como sociedade. É um trabalho que mesmo com grandes conquistas precisa de mais empenho e trabalho.
Um livro com apontamentos importantes e uma luz para ficarmos de olho na violência de gênero no país. Recomendo.
É um livro que deveria ser bibliografia básica em qualquer curso de jornalismo. As autoras escancaram as falácias de termos usados para evitar possíveis questionamentos legais e mostram que há opções menos covardes de tratar o feminicídio no meio impresso e digital.
“O que responder para os cinco filhos de Lorenza Pinho? Para as meninas de Viviane do Amaral ou as de Jenilde de Jesus Pinheiro? Para Bruninho, filho de Eliza Samudio? Para os filhos de Adriana Costa de Alvarenga e para as tantas e tantos cujas mães são assassinadas diariamente no Brasil de forma anônima, muitas vezes sem justiça ou punição para o responsável, ainda mais quando o responsável é o próprio Estado? Como contar a história de vida e de morte dessa mulher, mãe, na maioria das vezes vítima do parceiro ou ex-companheiro em um crime de ódio tratado como de amor? Como contar para uma criança que o pai assassinou sua mãe, isso quando ela mesma não presenciou o crime? Como explicar para filhos e filhas que a história do assassinato de suas mães frequentemente é narrada como se elas tivessem dado motivos? Como explicar para filhos e filhas que a mãe foi assassinada pela natureza de seu trabalho e que pelo fato de ser contra uma mulher o crime assumiu aspectos mais bárbaros e brutais? Ou que ao ser atingida acidentalmente numa troca de tiros, seu corpo ferido, negro e de mulher, foi tratado com tanto desprezo que chegou desfigurado e morto ao hospital?”
Temática difícil, porém uma leitura essencial para trabalhar o pensamento crítico.