Ferro analisa a gênese do sofrimento psíquico a partir de uma leitura bioniana: muitos pacientes sofrem com o lapso da habilidade de metabolizar emoções de determinadas experiências. A saída para tais casos, no entanto, não reside na alternativa intelectual ou interpretativa, mas em oferecer aquilo que possivelmente faltou ao longo da história do paciente: uma pessoa que acolha esses conteúdos e ajude a metabolizar aquilo que inunda e, não raras vezes, afoga. Nesse processo, quanto acolher e quanto interpretar? Não raras vezes é o próprio discurso do paciente que indica se estamos acolhendo ou violentando, se é hora de interpretar ou de conter nosso ímpeto explicativo e dar vazão a uma postura mais continente.