No livro de estreia de Pedro Mohallem, a primeira coisa que salta aos olhos é o raro domínio técnico. Um jovem poeta que conhece a tradição, que domina o verso – por mais que pareça, isso não é nada óbvio. Isso já vale a viagem. O caminho se torna ainda mais instigante quando vemos que os diálogos de Mohallem são com o núcleo duro da poesia universal – sim, encontramos aqui, ao lado da criação autoral, traduções. Aqui, poesia e tradução são afazeres de natureza próxima (e Mohallem é também um dos tradutores mais talentosos da novíssima geração). Atrito e tritura: linguagem em transe: “tumulto revolve o calcário de que somos feitos”. E nós, seres de tumulto, continuamos cultivando as utopias impossíveis (“o louco, em seu quartinho três por quatro, / rega um vaso sem plantas como Deus”). Este livro é saúde na cena de poesia contemporânea. O saúdo com alegria: Evoé, poeta! Beijos, saúde, anarquia e boa leitura!
Contemplada demais nas ansiedades do Pedro quanto à passagem do tempo, e na forma como ele descreve essas ansiedades nos poemas.
A seleção de traduções também me levou numa viagem pelos autores que estudamos na faculdade. É até um pouco nostálgico, embora não faça tanto tempo assim.