Talvez o poeta mais original da literatura inglesa, William Blake foi uma espécie de símbolo das manifestações socioculturais dos anos 1960 e 1970. Ao lado da psicologia de Carl Jung e Sigmund Freud, da filosofia e da religião orientais, das experiências da geração beat e do flower-power, via-se em sua poesia a expressão de uma nova era de Aquário, a rejeição de uma ordem mundial fundada no materialismo em detrimento da espiritualidade. Passado meio século, aquelas manifestações são história, ou adquiriram outras formas, mas a ordem mundial permanece, de ponta-cabeça, mais materialista e mais bruta. E a poesia de Blake continua instigante expressão dos valores humanos, ainda mais relevante. Visões assinala essa relevâ reúne onze livros que Blake publicou de 1789 a 1795, com os quais procura evidenciar a coerência do essencial da obra e afastar a distorcida percepção de insanidade do autor. Os poemas testemunham a formação e o amadurecimento de sua visão de mundo, num fértil período de quase sete anos, quando na casa dos aqui o leitor encontra dos poemas líricos das Canções de Inocência e Experiência até o que se convencionou chamar de "profecias menores". A partir de 1794, Blake embarcou na sequência dos poemas-profecias menores, que o prepararam para os maiores (Milton e Jerusalem, escritos e gravados quase ao mesmo tempo entre 1804 e 1820). O primeiro deles é Europa, uma Profecia, uma narrativa política, seguido de O Livro de Urizen. A Canção de Los, O Livro de Ahania e O Livro de Los, todos de 1795, compõem a "Bíblia do Inferno" prometida em O Matrimônio do Céu e do "Possuo também A Bíblia do Inferno, que o mundo há de possuir, quer queira, quer não". O escritor Anthony Burgess disse com "A razão, na verdade, é perigosa, assim como é a ciência; se todos nós vivermos num estado de liberdade individual plena, despreocupados com as leis, confiando no poder da percepção e, num nível inferior, no instinto, alcançaremos o céu na terra, que Blake chama de Jerusalém no prefácio de Milton". Na terminologia blakeana, alcança-se a plenitude espiritual através da imaginação. "Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo se mostraria ao homem tal como é: infinito." Pouco lido e ignorado por seus contemporâneos, Blake foi "descoberto" vinte anos após sua morte, em 1827, quando impressões tipográficas dos poemas começaram a aparecer. Mas jamais foi popular, sempre foi controverso, mesmo entre outros poetas. Thomas Stearns Eliot, por exemplo, reconheceu nele uma "honestidade contra a qual o mundo inteiro conspira, porque é desagradável. A poesia de Blake tem o desagrado da grande poesia". Quase um elogio, porque, para Eliot, essa honestidade era limitada por sua falta de educação literária, o que o tornava um "ingênuo". Blake, concluiu Eliot, tinha "uma notável e original sensibilidade para a língua e a musicalidade da língua, e o dom da visão alucinada. Se estes tivessem sido controlados por um respeito pela razão impessoal, teria sido melhor para ele". Faltava a seu gênio "uma estrutura de ideias tradicionais e reconhecidas que lhe teriam impedido de entregar-se a uma filosofia própria, e assim concentrasse a atenção nos problemas do poeta. [...
William Blake was an English poet, painter, and printmaker. Largely unrecognised during his lifetime, Blake's work is today considered seminal and significant in the history of both poetry and the visual arts.
Blake's prophetic poetry has been said to form "what is in proportion to its merits the least read body of poetry in the language". His visual artistry has led one modern critic to proclaim him "far and away the greatest artist Britain has ever produced." Although he only once travelled any further than a day's walk outside London over the course of his life, his creative vision engendered a diverse and symbolically rich corpus, which embraced 'imagination' as "the body of God", or "Human existence itself".
Once considered mad for his idiosyncratic views, Blake is highly regarded today for his expressiveness and creativity, and the philosophical and mystical currents that underlie his work. His work has been characterized as part of the Romantic movement, or even "Pre-Romantic", for its largely having appeared in the 18th century. Reverent of the Bible but hostile to the established Church, Blake was influenced by the ideals and ambitions of the French and American revolutions, as well as by such thinkers as Emanuel Swedenborg.
Despite these known influences, the originality and singularity of Blake's work make it difficult to classify. One 19th century scholar characterised Blake as a "glorious luminary", "a man not forestalled by predecessors, nor to be classed with contemporaries, nor to be replaced by known or readily surmisable successors."
Da coleção, se ela vale a pena, ela contém as Canções da Inocência e da Experiência, e o Matrimônio do Céu e do Inferno, só por isso justifica a leitura. Sobre em geral, a mitologia do Blake é muito truncada, é um trabalho satisfatório tentar desvendar a sua visão do mundo, que era muito além do seu tempo em sua época, e muito além do nosso também