Quando o desemprego aumenta, um grande incêndio deflagra ou uma pandemia surge, para onde olham os portugueses? a quem exigem soluções e atribuem responsabilidades? É muito provável que se virem instintivamente para o governo. Mas, afinal, o que se pode entender por "governo"? Como surgiu e para quê? Como se compõe, estrutura e funciona no dia-a-dia? e como se relaciona com outras instituições?
Este livro identifica e questiona alguns traços característicos do Governo de Portugal. No final, em jeito de diagnóstico, sinaliza alguns problemas do executivo português à luz do papel dos governantes e dos governados. Porque, na verdade, um governo eficaz e responsivo necessita de cidadãos interventivos, logo, bem esclarecidos sobre o que significa governar.
PEDRO SILVEIRA, doutorado em Ciência Política pela Universidade Nova de Lisboa, é professor auxiliar convidado na Universidade da Beira Interior e na Universidade Nova de Lisboa, onde é investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-NOVA). Os seus principais interesses de investigação incidem sobre as elites governativas, o governo e a liderança política.
"Um governo eficaz e responsável necessita de cidadãos informados e activos. A qualidade da governação também depende da qualidade da intervenção dos cidadãos."
Este excerto remete me para uma questão que me aflige à algum tempo. Num país em que por um lado a abstenção é enorme, e por outro lado grande parte de quem vota não tem um conhecimento profundo, nem do programa eleitoral do partido em que votou, nem de como funciona o Governo. A minha questão é: Porque é que não existe um disciplina na escola do 5°ano ao 12°ano sobre política? As crianças que estamos a formar nas escolas são o nosso futuro, e são elas que vão mudar o País. Se elas tiverem uma formação política contínua, quando chegarem à idade de voto, vão ser mais activas (diminuindo a abstenção) e vão ter um conhecimento político maior, e possivelmente uma intervenção/comunicação com o Governo maiores.
Em relação ao livro, aprendi a hierarquia política, que o Primeiro Ministro é quem tem maior poder. É ajudado por ministros e secretários de estado. As pessoas que trabalham para os ministros e secretários de estado deveriam ser escolhidas com maior transparência, pois é possível que haja nepotismo e troca de favores na sua selecção. O Parlamento e a Assembleia da República têm uma função importante como oposição do Governo e para supervisionar e controlar o governo. Logo um governo sem maioria absoluta parece me melhor para que haja discussão nas decisões.
Para finalizar, foi o primeiro livro que li da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Fundação esta que conheci por mero acaso, e já tenho mais dois livros da mesma colecção para ler. Obrigado!
(EN review below) PT: Foi me recomendado como uma boa introdução ao governo portugês da atualidade e posso confirmar. Foi uma ótima e esclarecedora leitura, rápida, com linguágem acessível e um tom neutro e pensado. Suscitou em mim uma sede por mais informação sobre o meu governo e um desejo por uma melhor participação pessoal, mais suponho que este último ponto me possa ser único...
EN: It was recommended to me as a good introduction to the modern portuguese government and I can indeed confirm. It was a great and illuminating read, quick, accessible, neutral and well-thought. It created, for me, a desire to know more about my government and to participate better, but I suppose this last bit is just uniquely personal...
Boa apresentação do órgão executivo, com boa contextualização sucinta organizacional e histórica. É o género de informação que - imaginava eu - deviam ser objeto de estudo na disciplina de Cidadania.