Há quinze anos que a economia de Portugal não cresce. Apesar da expansão nos anos de 1950 a 1973 e da segunda metade da década de 1980, assim como de uma evolução razoável após a intervenção da troika e antes da Covid -19, o PIB per capita estagnou desde 2005. Dado este comportamento medíocre, a economia portuguesa tem divergido face à média europeia e os indicadores sociais do país têm melhorado muito lentamente.
O presente ensaio actualiza uma radiografia crucial iniciada em 2010. na raiz e complexidade do problema da economia portuguesa, identifica a fraca produtividade, decorrente da protecção do sector não-transaccionável, a que não são alheios os grandes projectos políticos pós-revolução: o Estado-Providência, a União Europeia e o euro. E avisa: o regresso da dependência do cordão umbilical das transferências europeias para manter um ritmo mínimo de crescimento económico não é garantia de uma evolução sustentada.
LUCIANO AMARAL nasceu no Porto, a 16 de Maio de 1965. É licenciado em História (1988) e mestre em História dos Séculos XIX e XX (1993), pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a tese O País dos Caminhos que se Bifurcam: Política Agrária e Evolução da Agricultura Portuguesa durante o Estado Novo (1930-1954) e doutorado pelo Instituto Universitário Europeu de Florença (2003), com a tese How a Country Catches-Up: Economic Growth in Portugal in the Postwar Period (1950-1973). Presentemente, é Professor Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa desde 2003, tendo sido Visiting Student da London School of Economics (1997) e Investigador do Instituto Universitário Europeu de Florença entre 1995 e 2003. Foi, entre 2017 e 2021, presidente da Associação Portuguesa de História Económica e Social.
The exit from the euro was also one of the subjects in a debate at a coffee cup with Luciano Amaral, whose theme is "Portuguese economy, the last decades". "The exit from the euro is bad, but the stay is worse", he says.
Would have been in the euro and not being able to make the Portuguese situation unsustainable?
"It would be. But if the international community perceives the deep dysfunctionality of the euro as it exists, it would not be so bad. The euro as it exists is difficult to save", considers Luciano Amaral.
Se for do interesse ter uma perspectiva da Economia Portuguesa no passado e no presente, conhecer as fragilidades e perceber o que se passa, este é um excelente livro. Não apresenta soluções mas expõe os problemas: o nosso principal problema é a baixa produtividade; ou a economia portuguesa não consegue exportar para compensar o que importa; ou desde a entrada na UEM que o comportamento da economia portuguesa tem sido muito negativo. E elimina muitos mitos: o período de maior crescimento económico de Portugal foi entre o fim da II Guerra e 1973; o Portugal encontra-se entre os paises desenvolvidos onde mais recursos publicos são lançados no sistema educativo.
Este livro é uma edição revista da mesmo publicação feita em 2010, quando Portugal estava à beira do resgate financeiro, e sobre a qual é feita uma actualização à análise da situação económica do país, incluindo o desempenho nacional durante a década 2011-2021.
Com a declaração da pandemia causada pelo SARS-CoV-2 a 11 de Março de 2020 pela OMS, e com o mundo a ser atirado para uma situação de confinamento, com impactos significativos em vários sectores económicos, por decisão do autor, e com a concordância da editora, a publicação do livro foi adiada em um ano para poder incluir nesta nova edição as consequências desta nova realidade. Ironia do destino, quando esta nova edição fechou, em Setembro de 2021, o mundo começava a enfrentar uma crise inflacionária e a Guerra na Ucrânia era uma ideia simplesmente impensável.
Este livro é, pois, a reprodução integral da edição de 2010 (que não tinha lido), à qual foi adicionado o capítulo 3, dedicado este à década 2011-2021. O autor faz uma análise histórica da evolução da economia portuguesa desde os anos 50 do século passado até à actualidade, com especial foco no conceito de estado-providência e o crescimento económico. Aqui, é dada uma atenção particular ao mercado de trabalho, por uns referido como precários, por outros como inflexível, com uma análise à sempiterna discussão sobre a (baixa) produtividade portuguesa. Outro foco de especial análise neste ensaio é a Educação, a esperança depositada nela no aumento da produtividade nacional, e como o investimento que tem sido feito não tem tido tão almejado retorno.
Concorde-se ou não com a radiografia feita pelo autor à economia portuguesa, trata-se de um livro que vale a pena ler, pela análise e comentários às políticas que têm sido adoptadas pelos vários governos.
Comprei para perceber da história económica portuguesa nos últimos 50 anos e foi exatamente isso que tive. Muito bem explicado e, para alguém que só nasceu no século XXI, é interessante saber como era a vida no passado, nomeadamente o que nos trouxe até onde estamos e como chegamos. Nascer já no euro acarretou as consequências de não saber como era Portugal antes dele. O autor faz um bom trabalho nesse aspeto.
Este livro é sintético e da uma análise real da situação atual, assentando em métodos e abordagens científicas e não opinativas.
Naturalmente, não sei se o recomendaria a alguém que não fosse tão apaixonado em economia como eu. Por vezes pode ser denso quando utiliza alguns conceitos teóricos que, embora façam sentido, só alguém minimamente dentro é que pode perceber. Isto para mim é um aspeto positivo mas reconheço que pode não ser para todos.
Apesar de tudo, o autor devia ficar-se pela história económica. Parece um certo contra a UEM, sem perceber a dimensão que sair dela significaria. Ao mesmo tempo, apesar de o seu diagonóstico me parecer correto ao afirmar que a fraca produtividade portuguesa é um problema estrutural (algo mais que aceite entre as diversas publicações científicas), a sua cura, ou melhor, as suas possibilidades para o futuro parecem-me descabidas: nem por um momento acredita que políticas públicas podem inverter a situação. Este ponto é, para mim, a pior parte do livro.
Um bom retrato das últimas décadas da economia portuguesa apontando de forma sucinta, assertiva e sintomática quais os principais problemas que tem assolado a falta de crescimento e dinamismo da economia portuguesa e a sua (constante) falta de capacidade de pagar o seu estado-providência, em grande medida devido às políticas erróneas adoptadas pelos vários governos, principalmente nos últimos 25 anos.
Ensaio reflexivo particularmente importante quando, já em 2022, saímos aos poucos de 2 anos de uma pandemia brutal para a economia mundial, onde surge uma oportunidade inigualável de investimento através dos fundos PRR mas que, e após 7 anos de governação e com um mandato de 4 anos (janeiro 2022) com maioria absoluta, vemos renovar e evidenciar a falta de ímpeto reformista por parte do governo PS, continuando numa óptica de gestão corrente, de empurrar os problemas para a frente, agravando os erros estratégicos do passado recente e afundando o país na cauda da UE 27 nos indicadores económicos de referência, empobrecendo o país em todos os sentidos e com uma deterioração crítica e bem assinalável do estado-providência.
Este livro percorrer a trajetória da economia portuguesa, pelos seus altos e baixos, desde 1950 até à altura da sua escrita. Aborda a entrada de Portugal na EFTA, na década de 60, que lhe proporcionou um boom económico, a posterior derrocada nos primeiros anos conturbados da democracia, em 74-80, o favorecimento económico da entrada nos mercados europeus após a adesão em 86, as privatizações do governo de Cavaco Silva em 92-96, que proporcionaram o último boom económico em democracia, e a posterior estagnação após 2000, consequência da moeda única de falhas na negociação das taxas de câmbio por Portugal, assim como pelo investimento em setores não-transacionáveis, motivados pelo crédito fácil até 2008.
É um livro que lida com os diferentes investimentos em diferentes áreas, mostrando como Portugal exerceu uma verdadeira convergência com a Europa em infraestrutura, mas não em economia ou serviços.
Ensaio interessante sobre os problemas de crescimento que a economia portuguesa enfrenta desde meados dos anos 90.
Aborda os problemas resultantes da adesão ao euro, e consequente perda de competitividade da economia, do contínuo investimento nos setores menos produtivos da mesma, da suposta "rigidez", do mercado de trabalho, que afinal não é assim tão má quanto se quer fazer parecer.
Por outro lado, analisa o problema de falta de mão de obra qualificada, e do custo do rápido, e bem sucedido, desenvolvimento do estado social português, que é a grande vitória trazida pela democracia depois do 25A.
Gostava que aprofundasse um pouco mais certos temas e que se pensasse em algumas soluções. Bem como fossem mostrados mais dados e gráficos, coisa que o autor refere no início que tentou evitar ao máximo (why? gráficos são fixes!)