O churrasco da turma B já estava fadado ao desastre desde o princípio. Marcado num chalé eremítico no litoral gaúcho, o reencontro prometia abrir antigas cicatrizes antes mesmo da primeira rodada de pão com alho. Mas o evento se torna trágico quando um dos ex-colegas é encontrado morto na sala de estar, com uma faca nas costas.
Sem contato com o mundo exterior, os ex-colegas decidem se confinar naquele ambiente, repleto de pó e intrigas, até que o culpado pelo assassinato seja descoberto. Uma decisão burra, é claro. Talvez fugissem mais cedo se soubessem que aquele seria apenas o primeiro cadáver da noite.
Mesclando terror slasher e romance policial, "Malpassado" coloca jovens, que ainda não sabem se são novos adultos ou velhas crianças, em um azar que os obriga a encarar a iminência da morte.
Se você, como eu, é alguém que não consome muito do gênero slasher mas está aberto a ser surpreendido, eu não hesitaria em recomendar esse livro. Com uma história muito bem articulada e personagens tão reais que chega a doer se identificar com as situações e pensamentos, “Malpassado” é envolvente, coeso e a cada capítulo subverte as expectativas de quem está lendo. Mais do que um mistério de assassinato, há um enredo de “coming of age” escondido nas entrelinhas que se desenvolve de maneira sensacional, fazendo reflexões sobre como quem éramos no passado influencia quem nos tornamos no presente, e porque certas pessoas acham que podem se safar de tudo, enquanto outras estão condenadas a remoer os mesmos deslizes pelo resto da vida. E há algum cenário melhor para ilustrar a estupidez e o peso das decisões da juventude do que um churrasco de ex-colegas do ensino médio, em um chalé isolado no meio da floresta?
Esse é um livro que sabe muito bem o que quer ser, e move todas as peças para deixar os leitores encurralados e fazer uma jogada de mestre. Xeque-mate.
Um livro que me surpreendeu em diversas formas, todas muito positivas. Apesar de gostar, confesso que não tenho um repertório grande em livros do gênero.
Fiquei surpresa com a qualidade do livro, principalmente por ser o primeiro livro do Guedes. Descobri que ele é um autor incrível, com uma escrita super envolvente. Não sou fã de capítulos longos, normalmente deixam a minha leitura mais lenta. Mas nao nesse caso, pelo contrário. Os capítulos super funcionaram pra mim, eu queria devorar o livro inteiro. Adorei como cada capítulo explorava a situação atual e ao mesmo tempo a vida do personagem e a relação com todo o resto.
A cada capítulo eu ficava mais ansiosa, queria saber mais e conversava com a minha amiga recapitulando os acontecimentos e criando várias teorias. A narrativa é imersiva, Felipe sabe usar as palavras de um jeito que não é repetitivo, você se perde dentro da história e não lembra conscientemente que está lendo um livro. Uma leitura consistente até o fim. Uma ótima experiência e merecidamente o primeiro livro 5 estrelas do ano!
Se você é, como eu, uma pessoa que adoraria ler livros de terror, mas não sabe por onde começar, talvez o terror slasher seja uma boa opção. E, se você decidir que vai tentar ler algo desse subgênero, “Malpassado” é um ótimo livro para começar. Se eu fosse escolher uma palavra para descrever esse livro, seria “equilibrado” — o que é irônico, porque se tem algo que falta nos personagens é equilíbrio. Mas penso que “Malpassado” é um livro equilibrado porque ele transita muito bem entre o que é assustador e o que é só… Nojento. Isso faz o livro ser sério e ridículo ao mesmo tempo, da melhor forma possível.
Algo que realmente me chamou atenção nesse livro foi a escrita. Ela é bem descritiva, mas as descrições feitas são muito abstratas. Ou seja, ao invés do autor ficar descrevendo detalhadamente o ambiente (o que ele até faz em um ou outro ponto, mas definitivamente não é o foco da escrita), ele descreve os pensamentos e sentimentos dos personagens.
A forma que o enredo transita entre o passado e o presente, entre os pensamentos e lembranças dos personagens e os acontecimentos concretos, é incrível, e é mais um aspecto que demonstra o equilíbrio que esse livro tem. Ao final da leitura, cada personagem se torna único para o leitor, pois cada narrador teve uma voz individual e extremamente interessante - o que realmente é algo muito legal em um livro com tantos narradores.
Além disso, muitas das referências usadas durante a narrativa são ótimas. Elas fizeram com que “Malpassado” se tornasse um livro que não só expressa muito bem o que é deixar a adolescência mas não se sentir adulto ainda (de novo: equilíbrio) como também o que é passar por essa transição no contexto da geração atual. Mas, ao mesmo tempo que havia referências obscuras e divertidas, também houve momentos em que pensei que as referências foram demasiadamente usadas.
Mas o que eu menos gostei em “Malpassado” foi o fato de que as cenas de ação do clímax não pareceram ser intensas o suficiente, apesar de o nível de tensão ter sido bom no decorrer do livro. E houve uma ou outra coisa que não ficou tão bem explicada, mas não penso que a qualidade do livro como um todo tenha sido comprometida por isso.
Em geral, gostei bastante desse livro. Penso que o autor usou uma fórmula que não é tão inovadora, mas foi capaz de transformá-la em algo único, pessoal e muito agradável de se ler. E isso é algo incrível para um livro de estreia!
To com preguiça de escrever review mas vou fazer porque a história é minha conterrânea (de poa, não tapes, credo).
desenvolvimento de personagem foi 10/10 e o setting não ficou pra trás. talvez pra mim seja mais fácil construir o cenário inteiro na minha cabeça porque eu sei qual é a escola que deu inspiração pro livro e sei onde fica o condominio do giallo, também tinha meus encontros com namorados na CCMQ e me arrisco até a dizer qual rua que mora o balta. mas mesmo assim em momento algum senti que alguma descrição estava ali só por estar. nos 57% do livro eu já tinha “descoberto o assassino”, e ai quando apareceu aquele pássaro morto no teto do carro eu já tinha descoberto “o final”, e ai quando voltamos pro chalé ainda assim vem mais uma surpresa que, embora eu não tivesse visto vindo em nenhum momento, acaba por encaixar tudo no seu lugar. enfim, refrescante ler uma história boa, que flui rápido e que é extremamente envolvente ser também muito porto-alegrense.
porém, duas coisas ainda ficaram na minha cabeça:
1. quando a anne fala das características do corte superficial no pescoço da clê, não consegui entender como isso se encaixou na narrativa pelo resto do livro, pensei que seria alguma pista do que poderia acontecer. (mas isso pode ser porque eu sou burra).
2. como a érica dirigiu depois da briga de faca, onde eu entendi que ela levou várias facadas.
por fim, eu parei de me arrepender de ter faltado a formatura do colégio e, hoje mais do que nunca, jamais aceitaria um convite pra reunião com ex-colegas.
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Esse não é um tipo de livro que eu leio, mas foi uma experiência muito legal! Cada capítulo eu não esperava o que ia acontecer no próximo e o final me surpreendeu muito!