A prosa ficcional de H. P. Lovecraft é um mar de fantasia e pesadelo. Criaturas assombradas se espreitam no escuro, em casas abandonadas, igrejas e até mesmo nos sonhos. Porém elas não surgem do nada, o autor ambienta seus leitores em cenários oníricos, por vezes psicodélicos, onde descrições cósmicas são feitas por meio de uma geometria não tradicional, permeadas de uma sinestesia frenética: os cheiros, os ângulos, as cores, o tato, tudo contribui para engajar o leitor em sua atmosfera sufocante e tenebrosa. Nessa coletânea de contos haverá cultos antigos, cerimônias aterradoras, seres maléficos, aventuras em recantos sombrios e remotos do cosmo e do mundo dos sonhos. Loucura e medo andam lado a lado e o horror de Lovecraft promete afetar a sensibilidade até mesmo dos mais assíduos fãs de terror clássico.
Howard Phillips Lovecraft, of Providence, Rhode Island, was an American author of horror, fantasy and science fiction.
Lovecraft's major inspiration and invention was cosmic horror: life is incomprehensible to human minds and the universe is fundamentally alien. Those who genuinely reason, like his protagonists, gamble with sanity. Lovecraft has developed a cult following for his Cthulhu Mythos, a series of loosely interconnected fictions featuring a pantheon of human-nullifying entities, as well as the Necronomicon, a fictional grimoire of magical rites and forbidden lore. His works were deeply pessimistic and cynical, challenging the values of the Enlightenment, Romanticism and Christianity. Lovecraft's protagonists usually achieve the mirror-opposite of traditional gnosis and mysticism by momentarily glimpsing the horror of ultimate reality.
Although Lovecraft's readership was limited during his life, his reputation has grown over the decades. He is now commonly regarded as one of the most influential horror writers of the 20th Century, exerting widespread and indirect influence, and frequently compared to Edgar Allan Poe. See also Howard Phillips Lovecraft.
O estadunidense Howard Phillips Lovecraft (1890/1937) teve uma vida sofrida e atribulada. Orfão desde tenra idade, leitor voraz, discípulo de Edgar Allan Poe e pessoa solitária e amargurada, lutou em vão para afirmar-se como escritor. Faleceu jovem em função de um câncer e não chegou a ver nenhuma de suas histórias publicada em livros. No entanto, graças ao desvelo de alguns amigos, suas obras foram ganhando visibilidade e hoje Lovecraft é um ícone do “terror cósmico” com suas histórias adaptadas para várias mídias e com uma legião de fãs que só aumenta a despeito de seu “cancelamento” ocorrido pelas menções realmente desairosas e preconceituosas a povos de origem africana, asiática e oceânica que, amiúde aparecem em seus escritos. Esta coletânea, elaborada com esmero e ilustrada com capricho pela editora Pandorga, traz sete contos clássicos do “rei do terror cósmico”. “O visitante das trevas”, “Os sonhos na casa da bruxa”, “O festival”, “Dagon” e, principalmente, o clássico dos clássicos lovecraftianos, “O chamado de Cthulhu”, giram em torno das clássicas mitologias lovecraftianas envolvendo os “antigos” e o blasfemo e arcano sacerdote Cthulhu e oferecem o que Lovecraft produziu de melhor; o crescendo de suspense e terror aliado ao detalhamento das situações e a um ótimo desenvolvimento dos personagens nos propiciando uma leitura fluida de histórias muito bem estruturadas, características que avalizam aqueles que postulam que, mesmo com todas as polêmicas e “exotismos” que cercam a figura do autor, Lovecraft era um grande escritor que merece uma posição tão icônica como seu mestre, Edgar Allan Poe. “A maldição de Sarnath” e “A chave de prata” pertencem ao ciclo de histórias oníricas do autor em que universos paralelos e regiões de sonho são acessados por visionários e sonhadores numa curiosa levada psicodélica. Em “A chave de prata”, inclusive, o personagem principal é Randolph Carter, uma espécie de alter ego do autor que aparece com destaque em vários contos além deste. Vale a pena fazer aqui um alerta. São realmente chocantes e revoltantes certas menções que Lovecraft faz a povos não arianos e, à luz do que conhecemos, valorizamos e respeitamos nos dias de hoje, ele pode, sem nenhum receio, ser chamado de racista. No entanto, também vale a pena fazer uma ressalva. Quando Lovecraft viveu, o que se chama hoje de racismo era um comportamento típico da maioria da população estadunidense de origem europeia, como era o caso dele. Isso, é óbvio, não justifica os revoltantes termos racistas que ele utilizava, mas nos ajuda a entender que ele, um ser atormentado e solitário, sentia-se encurralado por uma realidade em mutação em que o estilo de vida que ele valorizava e conhecia estava sendo ameaçado por uma imigração cada vez maior. Daí o fato de ele imaginar as medonhas criaturas que criava em conluio justamente com as comunidades não arianas que ele também via como invasoras e ameaçadoras. Reflita acerca desse trecho da apresentação da obra, a cargo dos editores:
“Lovecraft não carregava a melhor fama, era recluso e conservador. Não há um esforço particular do autor para mitigar as passagens que contêm declarações de natureza racista e xenofóbica, e sua explicitude provavelmente provoca mais desconforto quanto mais distante a leitura se coloca do período em que os contos foram escritos. Não é possível dissociar os contos de Lovecraft, repletos de criaturas cósmicas assustadoras, dos contos entremeados por manifestações de preconceito. Fica a critério do leitor o tratamento que dará a essas passagens a fim de que o clima de horror prevaleça durante a leitura”.
Eu não sei se li essa obra na hora errada ou se peguei com muita expectativa - pelo fato de dizerem que ele era o precursor de Edgar Allan Poe. O fato é que não gostei nenhum pouco e isso foi muito frustrante. Os contos não me envolveram. Não cheguei a concluir todo o livro, li os primeiros 2 contos e me decepcionei muito. Pretendo voltar a ler futuramente. Mas por enquanto foi um dos que eu menos gostei de ler no ano.