A prosa deliciosa de Maria Dolores já seria suficiente pelo prazer da literatura. Mas, em A lua no terreiro, ela nos dá ainda de presente uma história com a qual é impossível não se identificar. Como a protagonista Beatriz, que foge para um sítio longe da cidade grande, todos vivemos a pandemia, um período sem dúvida inconveniente e trágico, mas que acabou nos levando a lugares inexplorados por caminhos nunca imaginados. E muitas vezes bons, de autoconhecimento e reconhecimento do outro, como a beleza que sempre pode emergir em meio ao caos. A lua no terreiro é aquela história particular que consegue ser extremamente universal, não só pelo confronto com uma doença desconhecida e fatal e pela rotina de cuidados e protocolos a que tivemos que nos submeter, mas também por falar de encontro num momento em que a regra de sobrevivência é o isolamento social. De repente, ilhas de vida se esbarram: a mulher urbana de meia-idade separada com seus filhos pequenos e dois adoráveis anciões. Ao fugir da doença e buscar a si mesma, Beatriz acaba descobrindo gostos e talentos que, como executiva, jamais se revelariam para ela. E, ao conhecer vivências tão diferentes da sua, percebe que ver de verdade o outro nos ajuda a colocar nossas questões no devido lugar, relativizar nossos dramas e valorizar o que é essencial. Como diz a personagem, são histórias que a gente escreve por dentro e nunca mais apaga
Maria Dolores é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais e produtora cultural, autora da biografia Travessia: A vida de Milton Nascimento do cantor Milton Nascimento. O livro retrata momentos marcantes da carreira e da vida do cantor e esse projeto deu origem às diversas parcerias entre Maria Dolores e Milton Nascimento e à própria entrada da escritora no mercado de produção cultural. Maria Dolores é ainda autora do livro “Mãe de Dois”, ed. Civilização Brasileira, e co-autora de diversos outros livros. Recebeu dois Prêmios Abril de Jornalismo e um Prêmio Esso de Jornalismo (2007). Desde 2003 realiza diversos trabalhos para as revistas da editora Abril: "Viagem e turismo", " Bravo", " Veja" e " Quatro Rodas".
Primeiro livro brasileiro que leio tendo como pano de fundo a pandemia, e as mudanças que tal evento devastador provoca na vida das pessoas. Por meio das ações de Beatriz e da pessoas ao redor, vamos percebendo como é difícil o isolamento e, principalmente, como tal situação pode causar frustrações e ansiedade, e como é difícil decidir o que fazer, como agir, para garantir a segurança e a saúde das pessoas amadas. Um livro muito bonito, muito sensível. Gostei bastante.
A Autora começa a dedicatória às pessoas que tiveram suas vidas mudadas pela pandemia, todos nós tivemos, e ainda é estranho pensar que estamos vivendo em um momento que vai ficar marcado para as próximas gerações e vai ser cada vez mais comum ter obras de ficção que retratem esse período.
De ficção que se passasse durante a pandemia acho que só li Se a Casa 8 Falasse e assisti Grey's Anatomy. Então, A Lua no Terreiro foi algo novo ainda para mim. As inseguranças e preocupações de Beatriz me fez sentir aflito e representado, o começo da pandemia foi assustador para todo mundo. A sua luta com a maternidade, a dificuldade de cuidar e proteger os filhos me emocionaram. E, principalmente, a história de Mundinho e Domingos me fez chorar, de alegria e de tristeza.
É válido dizer que a história deste livro vai falar de uma família CHEIA de privilégios vivendo a pandemia, mas foi uma leitura muito importante.
Uma narrativa franca e palpável sobre maternidade e solidão. A autora conseguiu tratar de vários assuntos complexos e delicados de forma sútil, mas muito responsável. Amei a história.
Depois de assistir a vídeo-resenha da Mell Ferraz, do Literature-se, fiquei com muita vontade de ler este livro e fui com grandes expectativas, que felizmente foram cumpridas. 'A lua no terreiro' é um livro sem grandes reviravoltas que se sustenta na força das relações humanas e não necessariamente na originalidade do enredo. Qualquer leitor já deve ter feito pelo menos uma leitura sobre autodescoberta, então é um assunto que não é novo, porém a forma como é feita, usando a pandemia do coronavírus, uma coisa tão atual e que ainda nos fere tanto, como pano de fundo faz com que haja bastante identifcação. É um livro que ficará datado, na minha opinião, justamente pela temática da pandemia, mas que pelo mesmo motivo será relevante no futuro para fazer um recorte de um momento muito específico, que foi como a sociedade brasileira recebeu a notícia de uma pandemia e a esperança que cultivaram em uma vacina. Fui surreal ler sobre os comportamentos adotados no início do lockdown, quando todos estavam assustadíssimos, porque é tudo tão recente, mas ao mesmo tempo parece que se passaram anos. Em paralelo a trama de Beatriz, que é o núcleo narrativo que mais aborda a temática da pandemia, temos a história de Mundinho e Domingos, dois senhores na casa dos 80 anos que passa a ser o suporte emocional de Beatriz e suas duas crianças, Luíza e Miguel. Na narrativa de Mundinho e Domingos temos um outro tipo de pandemia, a pandemia de ignorância e preconceito que a nossa sociedade esteve/está mergulhada. Esses dois personagens, principalmente Mundinho, encantam o leitor. Na verdade, a leitura, apesar do tema, não é fúnebre, nem soturna; ela é reflexiva, é verdade, mas muito tocante, doce, sensível e de leitura rápida. Eu queria ler sem parar. Apesar destes pontos que me agradaram bastante, o livro merecia um trabalho de revisão mais cuidadoso, uma vez que passaram alguns erros de digitação consideráveis. Outro ponto que me fez não gostar ainda mais do livro foi o fato de que o achei demasiadamente descritivo em algumas cenas, detalhando cenas, objetos e situações mais que o necessário. Isso acaba dando uma quebra no ritmo narrativo. Embora seja Beatriz o ponto de partida de várias reflexões, falta a esta protagonista o carisma necessário para prender a atenção do leitor por toda a história e, visto que ela narra mais de 50% da história, é importante que ela sozinha seja capaz de despertar simpatia do leitor. Contudo, a história de Mundinho e Domingos acaba se tornando bem mais interessante e vem deste primeiro senhor muito do brilho do livro.
gente, que leitura gostosa!!! achei que pudesse ser algo pesado/denso por ser ambientada no início da pandemia da Covid-19 mas, pelo contrário, a autora focou naquilo que alguns de nós - eu inclusa - passamos: uma redescoberta interna. nesse caos todo da pandemia, ao ser forçados a lidar com nós mesmos o tempo todo, acabamos por ter de enfrentar monstros que muitas vezes, na correria do dia a dia, deixamos de lado. e, nessa empreitada toda da personagem principal, há o encontro com o brilho da história toda: Mundinho e Domingos. simplesmente AMEI conhecer suas histórias.
por fim, é uma leitura leve, fácil, sobre auto (re)descoberta e desconstrução daquilo que outrora firmamos sobre nós mesmos. e sobre liberdade - em tempos de isolamento e restrição. vale muito a leitura se você estiver em busca de algo leve para destravar!!
Neste despretensioso livro, a autora conseguiu contar estórias com a dinâmica de uma conversa, às vezes séria, às vezes nem tanto, mas sempre de maneira leve, ainda que carregadas de emoções. Com características um tanto quanto neuróticas, a protagonista funciona, muitas vezes, como uma personificação de todos os seus iguais contemporâneos, ainda que possua status financeiro e social bem superiores aos do brasileiro comum. Minha única ressalva é o final assaz apressado, que não condiz com o resto da leitura.
Me diverti por diversas vezes nessa leitura. Personagens cativantes e escrita fluida. Beatriz é um espelho de tudo que a sociedade poderia ser, mas não é. Deixo meu carinho especial pela construção de Mundinho, me senti extremamente tocado por suas vivências. Sua ancestralidade no campo, desafios de carreira e bissexualidade falaram diretamente comigo. É um livro para sorrir com os olhos marejados.
Foi uma leitura muito agradável. Gostei muito da prosa da autora e de como as emoções da personagem principal foram colocadas entre as situações de seu cotidiano. Recomendo.
Esse livro traz a perspectiva de uma família que, durante a pandemia, se isola em uma zona rural, longe da cidade. Nesse lugar eles vão conhecer dois idosos - o dono do sítio onde estão ficando e um vizinho -, e estabelecem uma amizade muito bonita entre si. A maneira como a história é contada é sensível e quase poética, entretanto eu senti a história arrastada muitas vezes, com informações irrelevantes que só ocupavam espaço. Não consegui me conectar com as personagens, que pareciam muito distantes, nada palpáveis ao leitor, o que dificultou que a experiência de leitura fosse engajada e muito boa. Acho que a história “secundária” é o que sustenta o enredo no final do livro e segura o leitor mais um pouco, e a escrita da autora nesse momento foi excelente, passando a emoção que essa parte exige. No geral, é uma leitura ok sobre um momento muito delicado e sensível, que aborda o amor romântico de forma realística e, quando consegue, emocionante.