Fernanda Botelho estudou plantas medicinais na Scottish School of Herbal Medicine. Viveu 17 anos em Inglaterra onde fez formações em Botânica, Fitoterapia, Aromaterapia e Pedagogia. Trabalhou vários anos na Neal’s Yard Remedies em Londres. Tem o curso de guia de jardim Botânico da Universidade de Lisboa. É autora de uma coleção de livros infantis: Salada de Flores, Sementes à Solta e Hortas Aromáticas. Publica anualmente, desde 2010, uma agenda de plantas medicinais e escreveu Uma Mão Cheia de Plantas que Curam e As Plantas e a Saúde. Organiza passeios e workshops de reconhecimento de plantas a convite de várias associações, escolas e municípios. Participa em blogues e revistas e é convidada regular da RTP. Gosta de fotografar, escrever e comunicar.
Daninho quer dizer que causa dano, que faz mal. Na sua origem, o termo «erva daninha» servia para distinguir as plantas que competiam com as plantações agrícolas, mas desde então generalizou-se e é usado para nomear qualquer planta que cresça de forma espontânea ou «fora do lugar». (...) Hoje, é necessário olhar de forma diferente para este legado comum e corrigir o lugar que estas plantas têm no nosso imaginário. Para isso, precisamos desconstruir os mapas mentais que fazemos do espaço vivido, expandindo o nosso território na direção extraordinária do baldio. Aquelas ervas lá dentro, não são daninhas; são insubmissas 🙂
Olhar para estas plantas nesta perspetiva dá-nos outro entendimento do mundo e dos lugares que habitamos. Afinal, o nosso desdém por elas nasce dessa rebeldia, de não respeitarem a geometria que propomos para a cidade ou a homogeneidade ordeira do relvado. Tememos o mundo silvestre que habitam, mas ele não é baldio ou inculto. As plantas que irrompem da estrada e nos terrenos que abandonamos são embaixadoras de uma cultura mais rica e antiga que a nossa: turva e vivaz, é uma cultura sem avesso. Queiramos ou não, somos parte de uma comunidade que não supõe os conceitos de «fora» ou «outro». A ideia de que humanos e plantas ocupam espaços diferentes - que têm naturezas diferentes - é a verdadeira ideia daninha. É esta ideia que está por trás das práticas que danificam e desrespeitam o meio ambiente, que ofendem o legado da vida no planeta.
Teimando em reverdecer, as plantas silvestres são guardiãs da diversidade 💚