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Coleção Paisagens Comestíveis #1
Ervas que se Comem, Silvestres e Saborosas
160 pages, Paperback
Published August 1, 2021
About the author
Fernanda Botelho
20 books4 followersFernanda Botelho estudou plantas medicinais na Scottish School of Herbal Medicine. Viveu 17 anos em Inglaterra onde fez formações em Botânica, Fitoterapia, Aromaterapia e Pedagogia. Trabalhou vários anos na Neal’s Yard Remedies em Londres. Tem o curso de guia de jardim Botânico da Universidade de Lisboa. É autora de uma coleção de livros infantis: Salada de Flores, Sementes à Solta e Hortas Aromáticas. Publica anualmente, desde 2010, uma agenda de plantas medicinais e escreveu Uma Mão Cheia de Plantas que Curam e As Plantas e a Saúde. Organiza passeios e workshops de reconhecimento de plantas a convite de várias associações, escolas e municípios. Participa em blogues e revistas e é convidada regular da RTP. Gosta de fotografar, escrever e comunicar.
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Displaying 1 - 1 of 1 review
September 29, 2023
"NÃO HÁ ERVAS DANINHAS
Daninho quer dizer que causa dano, que faz mal. Na sua origem, o termo «erva daninha» servia para distinguir as plantas que competiam com as plantações agrícolas, mas desde então generalizou-se e é usado para nomear qualquer planta que cresça de forma espontânea ou «fora do lugar».
(...)
Hoje, é necessário olhar de forma diferente para este legado comum e corrigir o lugar que estas plantas têm no nosso imaginário. Para isso, precisamos desconstruir os mapas mentais que fazemos do espaço vivido, expandindo o nosso território na direção extraordinária do baldio. Aquelas ervas lá dentro, não são daninhas; são insubmissas 🙂
Olhar para estas plantas nesta perspetiva dá-nos outro entendimento do mundo e dos lugares que habitamos. Afinal, o nosso desdém por elas nasce dessa rebeldia, de não respeitarem a geometria que propomos para a cidade ou a homogeneidade ordeira do relvado. Tememos o mundo silvestre que habitam, mas ele não é baldio ou inculto. As plantas que irrompem da estrada e nos terrenos que abandonamos são embaixadoras de uma cultura mais rica e antiga que a nossa: turva e vivaz, é uma cultura sem avesso. Queiramos ou não, somos parte de uma comunidade que não supõe os conceitos de «fora» ou «outro». A ideia de que humanos e plantas ocupam espaços diferentes - que têm naturezas diferentes - é a verdadeira ideia daninha. É esta ideia que está por trás das práticas que danificam e desrespeitam o meio ambiente, que ofendem o legado da vida no planeta.
Teimando em reverdecer, as plantas silvestres são guardiãs da diversidade 💚
Daninho quer dizer que causa dano, que faz mal. Na sua origem, o termo «erva daninha» servia para distinguir as plantas que competiam com as plantações agrícolas, mas desde então generalizou-se e é usado para nomear qualquer planta que cresça de forma espontânea ou «fora do lugar».
(...)
Hoje, é necessário olhar de forma diferente para este legado comum e corrigir o lugar que estas plantas têm no nosso imaginário. Para isso, precisamos desconstruir os mapas mentais que fazemos do espaço vivido, expandindo o nosso território na direção extraordinária do baldio. Aquelas ervas lá dentro, não são daninhas; são insubmissas 🙂
Olhar para estas plantas nesta perspetiva dá-nos outro entendimento do mundo e dos lugares que habitamos. Afinal, o nosso desdém por elas nasce dessa rebeldia, de não respeitarem a geometria que propomos para a cidade ou a homogeneidade ordeira do relvado. Tememos o mundo silvestre que habitam, mas ele não é baldio ou inculto. As plantas que irrompem da estrada e nos terrenos que abandonamos são embaixadoras de uma cultura mais rica e antiga que a nossa: turva e vivaz, é uma cultura sem avesso. Queiramos ou não, somos parte de uma comunidade que não supõe os conceitos de «fora» ou «outro». A ideia de que humanos e plantas ocupam espaços diferentes - que têm naturezas diferentes - é a verdadeira ideia daninha. É esta ideia que está por trás das práticas que danificam e desrespeitam o meio ambiente, que ofendem o legado da vida no planeta.
Teimando em reverdecer, as plantas silvestres são guardiãs da diversidade 💚
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