Avec La Terre et les rêveries de la volonté, Bachelard se rapproche de Jung. Le livre atteste qu’il n’a pas qu’une mais plusieurs méthodes, ce qu’on appellera la “nouvelle critique” s’en inspirera. Ce volume s’ouvre sur l’opposition du dur et du mou : “la dialectique de l’énergétisme imaginaire, le monde résistant”, qui engendre quatre chapitres ; deux consacrés aux matières dures, à leur travail et aux images qu’elles suscitent : “La volonté incisive et les matières dures.” Le caractère agressif des outils et les métaphores de la dureté ; et les matières molles qu’on peut pétrir : la pâte qui en est l’exemple optimal, la boue et ses implications symboliques et morales. Un sixième chapitre rassemble en une synthèse ces deux pôles opposés : le lyrisme dynamique du forgeron, lequel travaille le dur devenu momentanément mou. La deuxième partie du livre traite des images terrestres vis-à-vis desquelles l’être garde ses distances : Le Rocher, quand il ne se livre pas à la rêverie pétrifiante qui se fige et durcit, quand il ne découvre pas dans le métal, dans le minerai, une vie propre, celle que l’alchimie projetait d’utiliser. Les cristaux ouvrent une correspondance avec le ciel ; ce sont des étoiles terrestres, des cristaux de neige enfouis ; la perle est goutte de rosée ; le summum de la valorisation est atteint par la pierre précieuse, véritable “monstruosité psychologique”.
Gaston Bachelard was a French philosopher who rose to some of the most prestigious positions in the French academy. His most important work is on poetics and on the philosophy of science. To the latter he introduced the concepts of epistemological obstacle and epistemological break (obstacle épistémologique et rupture épistémologique). He influenced many subsequent French philosophers, among them Michel Foucault and Louis Althusser.
Emoções conflitantes: Por um lado, Bachelard me ensinou a sonhar. Ele me mostrou a potência das imagens imaginárias e o jeito como elas podem ganhar vida em literatura (acho que nunca li nenhum livro parecido com os que ele cita). Bachelard admite, na pg. 126, "queria estar bem certo de eliminar o filósofo que quer pensar dentro de mim enquanto eu queria tanto me entregar à alegria de escrever"; eu me sinto exatamente assim com muita frequência, queria me entregar à beleza das imagens sem os filtros de racionalidade que as cobrem. Bachelard parecia ter estado na mesma busca que eu, e suas explorações no país da racionalidade excessiva devem me ajudar a navegar em minha própria busca. Tenho vontade de ler algumas das obras que ele toma como referência e só me jogar nas imagens bonitas e irracionais.
Mas, do ponto de vista filosófico, acho suas teses grandes demais. Ele parece desconsiderar o quanto as imagens literárias são culturais e podem variar ao longo do tempo. Algumas de suas afirmações absolutamente não tiveram respaldo na minha imaginação e eu devo isso à diferença de quase um século e de um Oceano Atlântico. Se eu tento traçar as origens de minhas imagens materiais, elas remetem a mídias modernas e comerciais, como filmes e video-games. Como ter certeza de que essas imagens são de fato reflexos das forças psíquicas primordiais humanas e não se transmitem na superfície das interações humanas de geração em geração? No final do livro confesso que estava já cansado de ler e queria que a coisa acabasse logo. Mesmo assim é um livro que vai me fazer pensar por muito tempo...
Confesso que quando chega nessa parte do percurso eu já tô arrepiando pro Bachelard. Na verdade, os volumes sobre a terra são os mais maçantes, talvez por serem justamente dois. Depois de partir pros devaneios do repouso, finalmente será o momento de reler os devaneios sobre o espaço e recuperar uma certa leveza da coisa. O imaginário da terra é pesado, literalmente.