Clare Carlisle, em "On Habit", traz um panorama sobre algumas das concepções filosóficas clássicas sobre o hábito. O repertório da autora é amplo: vamos da ética das virtudes de Aristóteles à fruição da repetição em Marcel Proust, passando por Spinoza, Hume, Kant, Kierkegaard e tantas outras figuras. Curiosamente, a sensação não é a de que estamos lendo um catálogo das posições desses autores, mas enfrentando o problema do caráter dual do hábito — o de possibilitar uma economia mental para as atividades cotidianas, e o perigo de automatizar a percepção dos objetos ao nosso redor —, e que, em seguida, esses autores apresentam as suas contribuições. A leitura é agradável e a erudição de Carlisle faz com que o leitor tenha vontade de continuar a pesquisa e busque as várias obras recomendadas.