As mulheres deste livro nasceram num intervalo de 50 anos. Entre a mais velha e a mais jovem há um mundo de diferenças: o país mudou, as perspetivas e liberdades expandiram-se e, com elas, vieram novas possibilidades e novos obstáculos. Este livro resgata a história dessa transformação a partir de vozes que não fazem parte das estruturas de poder. Num ziguezague entre o presente e o passado, parte da vida de mulheres comuns, de diversas classes sociais, para contar as suas histórias, entrelaçadas com a história do arquipélago da Madeira, lugar de fronteira, e com a história das mulheres em Portugal, dimensão menos conhecida da história do país. Sempre em diálogo com artistas naturais ou residentes na região. É, de certa forma, um livro-exposição, um livro-viagem, mas acima de tudo um livro-testemunho do legado de Abril.
Ana Cristina Pereira é repórter do Público desde 1999. Fez reportagem sobre tráfico de órgãos humanos em Moçambique, prostituição infantil na África do Sul, lutas políticas na Venezuela, crise migratória em Lampedusa, movimento Occupy Central em Hong Kong, refugiados da República Centro-Africana nos Camarões e outros temas internacionais, mas é em Portugal que costuma trabalhar. Dedica-se sobretudo a assuntos de direitos humanos e exclusão social. É autora dos livros Meninos de Ninguém (2009), Viagens Brancas (2011), Movimento Perpétuo (2016) e coautora dos livros Desafios – Direitos das Mulheres na Guiné-Bissau (2012), Todas as Vozes/All the Voices (2014) e Mulheres de São Tomé e Príncipe (2018). O teatro-documental é outra forma que encontrou de dar voz aos grupos silenciados. Escreveu as peças Onde o Frio se Demora (2016) e Agora é Diferente (2019).
Confesso que esta foi uma leitura muito mais densa do que o que eu estava à espera. É um livro com relatos muito concretos sobre a vida de mulheres nascidas entre 1946 e 1996 e sobre como essas vidas foram influenciadas pelos contextos sociais portugueses, mais concretamente na ilha da Madeira. A meu ver, é um grande contributo da autora para a história do feminino neste pequeno país, e de como os tempos têm vindo a mudar (felizmente)
É um livro que informa, mas não só! É muito mais! É um livro que questiona, que nos questiona a nós, mulheres! Muito centrado na ilha da Madeira, nos seus costumes e nas vidas de várias mulheres da mesma, todavia transversal a Portugal Continental e ao mundo! Cativou-me muito a escrita desta jornalista e a forma como abordou o tema da desigualdade de género (entre outros)!