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216 pages, Paperback
First published January 1, 1923
Do meu fundamental anarquismo jorrava sempre uma fonte sadia, o sarcasmo. Servi à burguesia sem nela crer. Como o cortesão explorado cortava as roupas ridículas do Regente.
*
O carro plecpleca nas ruas.
O trem vai vendo o Brasil.
O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus.
Depois todos morrem.
*
[o poema “Propiciação”]
Eu fui o maior onanista de meu tempo
Todas as mulheres
Dormiram em minha cama
Principalmente cozinheira
E cançonetista inglesa
Hoje cresci
As mulheres fugiram
Mas tu vieste
Trazendo-me todas no teu corpo.
*
Inesperada enfermidade de Lalá. Cheguei a converter-me de novo ao catolicismo. As três crianças berravam em torno do leito materno. Quadro digno do pincel de Benedito Calixto.
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Chove. Verdadeira neurastenia da natureza.
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O bataclan doméstico despenca para a cidade de bonde. Comemos empadas e doces no Fazoli. Depois, cinema. Ao lado das ironias vestidas de pano de almofada que constituem a minha família, vejo desfilar no écran luminoso os ambientes altamente five-o'-clock da Paramount Pictures.
*
É verdade, minha esposa dá ganas de escrever um drama social em três atos tétricos. Brigas loucas porque eu gasto luz demais com minhas leituras! Quer que eu seja inculto!
*
Ah! Se eu pudesse ir com Dorotéia para Paris! Vê-la passar aclamada entre charutos e casacas de corte impecável! Mas contra mim ergue-se a muralha chinesa da família e da sociedade.