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Serafim Ponte Grande

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Ao longo de 203 fragmentos, Oswald de Andrade toma como inspiração os procedimentos da colagem para criar uma obra radical, situada entre a ficção, as anotações, as memórias, a sátira e a poesia. Definido por Haroldo de Campos como "romance-invenção", o livro, publicado originalmente em 1933, foi recebido como escandaloso e se estabeleceu como um acontecimento singular na nossa literatura.

A transformação industrial de São Paulo serve como pano de fundo para um retrato implacável das aspirações burguesas. Em meio ao moralismo, ao tédio e à infelicidade do casamento, os personagens de Serafim Ponte Grande não conseguem conter suas ambições comezinhas, sua obsessão pelo dinheiro e seus impulsos sexuais.

A presente edição inclui textos de Haroldo de Campos, Saul Borges Carneiro e Múcio Leão, além do posfácio inédito de Paulo Roberto Pires. Seja pela inventividade formal, seja pelo conteúdo explosivo, a ousadia de Serafim Ponte Grande permanece atual como nunca.

216 pages, Paperback

First published January 1, 1923

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About the author

Oswald de Andrade

61 books49 followers
José Oswald de Andrade Souza (January 11, 1890 – October 22, 1954) was a Brazilian poet and polemicist. He was born and spent most of his life in São Paulo.
Andrade was one of the founders of Brazilian modernism and a member of the Group of Five, along with Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral and Menotti del Picchia. He participated in the Week of Modern Art (Semana de Arte Moderna).
Andrade is best known for his manifesto of Brazilian nationalism, Manifesto Antropófago (Cannibal Manifesto), published in 1928. Its argument is that Brazil's history of "cannibalizing" other cultures is its greatest strength, while playing on the modernists' primitivist interest in cannibalism as an alleged tribal rite. Cannibalism becomes a way for Brazil to assert itself against European postcolonial cultural domination. The Manifesto's iconic line is "Tupi or not Tupi: that is the question." The line is simultaneously a celebration of the Tupi, who had been at times accused of cannibalism (most notoriously by Hans Staden), and an instance of cannibalism: it eats Shakespeare.
Born into a wealthy family, Andrade used his money and connections to support numerous modernist artists and projects. He sponsored the publication of several major novels of the period, produced a number of experimental plays, and supported several painters, including Tarsila do Amaral, with whom he had a long affair, and Lasar Segall. His role in the modernist community was made somewhat awkward, however, by his feud with Mário de Andrade, which lasted from 1929 (after Oswald de Andrade published a pseudonymous essay mocking Mário for effeminacy) until Mário de Andrade's untimely death in 1945.

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10 (8%)
Displaying 1 - 12 of 12 reviews
Profile Image for Barbara Maidel.
109 reviews45 followers
July 17, 2024
O FRENÉTICO OSWALD

Serafim Ponte Grande é um experimento caótico. Alguns instantes desse misto de anedota, teatro, diário, carta e poesia são muito divertidos e ousados pra época (o livro saiu em 1929). Outras partes são maçantes e parecem funcionar apenas na mente do autor e de quem tem boa vontade com o seu agito. Gosto de imaginar o que tudo Oswald de Andrade poderia ter mais observado e criado se não fosse tão espevitado e afeito ao extremo pitoresco, pois aqui e ali é possível garimpar preciosidades:

Do meu fundamental anarquismo jorrava sempre uma fonte sadia, o sarcasmo. Servi à burguesia sem nela crer. Como o cortesão explorado cortava as roupas ridículas do Regente.

*

O carro plecpleca nas ruas.
O trem vai vendo o Brasil.
O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus.
Depois todos morrem.

*

[o poema “Propiciação”]

Eu fui o maior onanista de meu tempo
Todas as mulheres
Dormiram em minha cama
Principalmente cozinheira
E cançonetista inglesa
Hoje cresci
As mulheres fugiram
Mas tu vieste
Trazendo-me todas no teu corpo.

*

Inesperada enfermidade de Lalá. Cheguei a converter-me de novo ao catolicismo. As três crianças berravam em torno do leito materno. Quadro digno do pincel de Benedito Calixto.

*

Chove. Verdadeira neurastenia da natureza.

*

O bataclan doméstico despenca para a cidade de bonde. Comemos empadas e doces no Fazoli. Depois, cinema. Ao lado das ironias vestidas de pano de almofada que constituem a minha família, vejo desfilar no écran luminoso os ambientes altamente five-o'-clock da Paramount Pictures.

*

É verdade, minha esposa dá ganas de escrever um drama social em três atos tétricos. Brigas loucas porque eu gasto luz demais com minhas leituras! Quer que eu seja inculto!

*

Ah! Se eu pudesse ir com Dorotéia para Paris! Vê-la passar aclamada entre charutos e casacas de corte impecável! Mas contra mim ergue-se a muralha chinesa da família e da sociedade.


***

Mas também tem muita viagem, palavreado chulo em vão (às vezes é engraçado, como quando um artista tem uma ereção ao beijar uma atriz durante gravações), páginas e páginas de histórias que não pegam. Certamente inovador e espirituoso — dá vontade de decorar os trechos acima transcritos —, mas pela inconstância dou 3 estrelas.

SOBRE A EDIÇÃO
Muito boa a versão que li (no final de 2021), publicada nos anos 80 pela Círculo do Livro: capa dura, fonte serifada em tamanho grande — pra ninguém ter que espremer os olhos —, com prefácio de 30 páginas de Haroldo de Campos destrinchando o estilo de Oswald.
Profile Image for Heitor Derisso.
97 reviews6 followers
December 18, 2021
Esse foi o último livro que eu li para uma disciplina de modernismo brasileiro, na qual fiquei muito traumatizado.

Eu realmente não conseguiria fazer uma leitura crítica desse livro por motivos de: não entendi nem metade do livro.
Mas isso me fez pensar que talvez essa era a intenção do Oswald:
simplesmente criar um objeto estético de autocontestação. Ao mesmo tempo em que o livro avança, ele vai se autodestruindo e isso é extremamente poético, principalmente quando pensamos que esse livro era entendido pelo próprio autor como um construto de anos (vide o colofão que mostra que o livro foi construído ATÉ x ano).

A leitura é um pouco entrucada, mas o humor é muito presente (apesar de ser extremamente datado por uma sexualidade que hoje é um pouco problemática).
Mas essa realmente é uma leitura essencial para compreender a produção cultural atual, pois tudo mudou e nada mudou.
Profile Image for Bárbara.
10 reviews
Read
May 2, 2024
no início não percebi nada e no fim parecia que estava no início
Profile Image for M..
738 reviews159 followers
November 26, 2017
Gross, blasphemous, and not even funny, although that's what it tries to be. I don't understand how is this considered part of the Brazilian canon. I don't mean that people shouldn't read it, but this doesn't seem to be the most representative of Brazil. Definitely the worst Brazilian literary piece I have ever read.
91 reviews
December 28, 2021
Ah, muitas referências, um pouco confuso, mais interessante por estar conhecendo um dos grandes nomes do meio literário e cultural do Brasil.
8 reviews
February 17, 2024
houve uma época em que eu inventei que isso podia ser legal mas essa época já passou
Profile Image for Lou.
68 reviews11 followers
March 5, 2025
Tortura literária.
Profile Image for Avery.
Author 1 book
December 30, 2011
Serafim Ponte Grande ficou oito anos na estante antes que me decidisse a lê-lo. O livro e o anti-herói Serafim em parte explicam a personalidade controvertida e hedonista do intelectual paulista miseravelmente burguês que irritou Florestan Fernandes e Monteiro Lobato.

A obra é particularmente brilhante, mas tende a ser diminuída quando comparada a trabalhos publicados na mesma época (a virada dos anos 1920 para 1930) como Ulisses, O Quarto de Jacó E Heliogabalo. O que não é nenhum crime, afinal ninguém pode ser por James Joyce, Virginia Woolf e Antonin Artaud a não ser os próprios.

Sem copiar os medalhões e mantendo a brasilidade modernista engavetada entre francesismos e uma necessidade maníaca de globalização de ideias, palavras e sensações, Oswald de Andrade prova que viveu o mesmo zeit geist de Joyce. Porém, com muito mais dinheiro.

Um problema nesta edição de 1990 é que o livro começa com um prefácio (“Um grande não-livro”) hermético, inoportuno e pretensioso de Haroldo de Campos, com irrelevantes considerações semióticas sobre um trabalho que no fundo não compreende bem. Aliás, é característica fundamental da semiótica interpretar de forma absolutamente descabida e pessoal, obras de artistas que não queriam em nenhum momento expressar o que está apenas na mente dos semiotas.
Profile Image for Laura.
7,153 reviews612 followers
September 19, 2015
Serafim é personagem protagonista do livro de mesmo nome do escritor Oswald de Andrade e era o único cidadão livre de uma São Paulo da segunda metade dos anos 20 - recém-saída da guerra civil - porque tinha um canhão no quintal.
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