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Tragédia Burguesa #2

Os caminhos da vida

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Podiam ter vida diferente da que já tinham? Quem, desde aquela idade, se habituava àquelas concessões, quem passava a olhar como naturais, como “humanas”, todas aquelas pequenas misérias, aquelas renúncias humilhantes, aquele espírito de canalhismo, de devassidão, jamais poderia valer alguma coisa?

Em uma sociedade ensombrada pela mentira e hipocrisia, onde a esperteza para com o próximo e a satisfação dos prazeres carnais são a lei básica da existência, cada indivíduo é confrontado nos momentos decisivos da vida a tomar uma decisão interior, uma decisão que influirá sobre o resto do seu destino.

É com esse ambiente que Branco e Pedro Borges, dois jovens estudantes de um colégio carioca, se deparam no limiar da juventude, quando a vida ainda corre mansamente, como se nada mais existisse senão aquela espera carregada de promessas, aquela ilusão sem maior importância, para adentrarem o mundo adulto, onde hão de trilhar o próprio caminho. Alguns se recusam a pactuar com as misérias humanas, rebelando-se contra o mecanismo cego que domina o mundo; outros aceitam, tácita e levianamente, as regras do mundo, sofrendo a terrível loucura da carne.

406 pages, Paperback

First published January 1, 1939

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About the author

Octavio de Faria

29 books5 followers
Otávio de Faria (Rio de Janeiro, 15 de outubro de 1908 — Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1980) foi um jornalista e escritor brasileiro.

Filho de Alberto de Faria e de Maria Teresa de Almeida Faria e cunhado de Afrânio Peixoto e de Alceu Amoroso Lima.

Foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 13 de janeiro de 1972 para a cadeira 27, recebido em 6 de junho de 1972 pelo acadêmico Adonias Filho.

Autor da monumental obra testemunhal (e profética) A Tragédia Burguesa.

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Micael Rodrigues.
21 reviews
May 17, 2025
Uma alma de forçosa delicadeza (Branco) diante de uma série de pequenas misérias suficientemente grandes para entender a vida. Do outro lado Pedro Borges, um porco fruto tanto do moralismo de sua mãe quanto da depravação do seu pai.
Profile Image for Rafaele.
286 reviews
March 31, 2021
Mario de Andrade fala no prefácio: "[...] apesar das diminuições de sua liberdade de artista lhe impostas pelo seu pragmatismo virulento, [os leitores] continuarão lendo e tomando partido com ou contra Octavio de Faria e suas almas. Porque Octavio de Faria é simplesmente um grande romancista, que com as suas admiráveis forças criadoras, conseguirá entusiasmar todo leitor bem intencionado."
Esse livro é sim extremamente moralizante, há um claro embate entre o bem x o mal e pronto para julgar, no sentido que cada personagem está tão envolto em sua própria verdade que passa todo o discurso do livro condenando o outro. Há a verdade de Branco, que se desenvolve com a narrativa; a de Pedro Borges, que é o oposto de tudo que Branco representa; e o do professor Veloso, que no início era aglutinado por Branco e é a representação do Liceu.
Branco, desde o início, tem essa certeza do que é certo e errado, antes pela moral e depois pelos preceitos religiosos. Nessa sua bolha de certeza ele trata tudo que é relacionado ao despertar sexual da adolescência como mal, o corpo físico é constantemente associado à sujeira, ao "lodo das ruas". Quando ele percebe que sua paixão de infância, agora enfeitiçada pelos charmes de Pedro Jorge, está moralmente corrompida, começa o questionamento do que ele faz naquele meio, a volta as aulas não ajudam muito, o liceu, que até incentiva a secularidade ante a espiritualidade, também está repleto desse "mal" que o sufoca e é na religião católica que ele encontra força para afirmar seus sentimentos. Branco sempre foi muito quieto e taciturno, mas todos acham que ele fica ainda mais fechado em si e até é chamado de fanático, essa é uma crítica dos personagens e não do autor, que afirma explicitamente que Branco é sim um heroi, com seus momento de fraqueza e de se achar acima do que é, mas é o caminho natural de alguém que ainda está dando os primeiros passos na vida religiosa, no que ele chama de verdadeiro caminho da vida realmente vivida.
Pedro Jorge é o contrapondo de Branco, de seu espírito e da sua família. Desde cedo ele sempre apoiou e permaneceu ao lado do seu pai, na primeira vez que temos conhecimento do que realmente ele pensa, afirma que o pai ter estuprado a empregada foi apenas aproveitar a ocasião apresentada e que o grande mal de tudo aquilo foi o escândalo. "Detalhes. Acasos. Formalidades de leis absurdas, certamente feitas por moralistas espertos, para o bom uso dos hipócritas. Eles, os seus tão proclamados princípios de moral, é que tinham feito com que Maria se recusasse a um desejo, a uma série de prazeres, a que, normalmente, pela sua própria natureza de mulher, não se negaria, não se poderia furtar. Daí viera o mal, a atrapalhação toda, o desespero, o escândalo final. Daí e não do desejo de seu pai, que, em si, nada tinha de criminoso, de anormal - não passando da necessidade que todos os homens sentiam e a que se entregavam livremente, apesar das aparências."
Pedro não só pratica o mal, ele encarna e adora isso, na escola e em todos os grupos que participa é ele que atiça isso em outros garotos. E por tudo isso ele é o orgulho do seu pai que o considera esperto e ávido para realmente viver a vida, essa vida burguesa que o autor tanto critica. Pedro usa tudo e todos para alcançar seus objetivos e nada do que faz é condenado pelos seu colegas ou superiores. Para Pedro a religião é um "sistema implacável de deformação por enrijamento dos princípios", a sua mãe usava a igreja como meio legitimador para agredir Pedro, querendo agredir o pai do menino, que para ela eram os mesmos, o mesmo mal, o mesmo pecado, a mesma culpa. Quando vai morar com o pai, Pedro se descobre livre para fazer o que quiser como bem quiser, livre para praticar todos "os crimes"
O embate entre Pedro e Branco se dá durante todo o livro, no início pela atenção de Elza e depois para ver que vai impor suas verdades. Cada um se julga o heroi da sua própria narrativa, mas sabemos que claramente que Branco é o verdadeiro "[queria] tornar-se um exemplo, viver como herói."
Como diz Mario de Andrade, se o leitor puder superar toda a moralidade e as limitações que isso traz, encontrará um excelente romance, com uma carga interior tão potente e questões que sempre estiveram nas narrativas dos homens, o clássico bem x mal, corpo x espírito. Eu tinha gostado bastante do primeiro volume da Tragédia Burguesa, mas esse é muito melhor, espero conseguir ler todos.
Profile Image for João.
39 reviews1 follower
March 20, 2022
(3,5/5)
adorei e estou apaixonado por alguns capitulos e algumas passagens, embora tenha achado o primeiro melhor.
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