Mário, como tantos outros, antes e depois dele, vê-se forçado a emigrar. No seu caso, para fugir à Guerra do Ultramar e ao regime do Estado Novo, emigra de forma clandestina para França, em 1973.
Este livro relata um pouco da sua vida como emigrante, as dificuldades de ser um emigrante ilegal, as condições em que tinha que viver ou trabalhar, mas também os amigos e a comunidade de portugueses onde acaba por se integrar.
Olivier Afonso, autor do argumento, é filho de portugueses e conta neste livro a história de alguns dos seus familiares, de uma forma simples e realista, sem cair em lamechices.
As ilustrações de Chico, pseudónimo de Aurélien Ottenwaelter, são o complemento perfeito para a história. Achei que o final, apesar de bonito, foi um pouco apressado, e no geral, faltou alguma profundidade às personagens.
Esta BD fez-me lembrar outra que li este ano, "Neve nos Bolsos", de Kim, que retrata a emigração espanhola na década de 60, época do regime franquista. Foi inevitável a comparação, sendo a BD de Kim, para mim, mais bem conseguida no que diz respeito ao argumento.
A emigração é um tema bem a propósito desta época natalícia. Uma altura do ano que é tão importante para a família e em que, por vezes, nem todos conseguem estar juntos. Basta pensar naqueles que têm que emigrar para fugir a guerras ou à miséria e que se encontram longe da família, longe do seu país.
As comunidades de emigrantes ajudam a suportar a distância, a manter costumes e tradições e a comida é um elemento fundamental para atenuar algumas das saudades do país de origem. Também nesta BD a comida está presente nos chouriços, pastéis de nata e na cerveja portuguesa.