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Mil Placebos

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E se o homem do subsolo de Dostoiévski tivesse acesso aos fóruns do 4chan? E se Poe, na hora de conceber suas novelas policiais, tivesse acesso aos futuros psicopatológicos que povoavam a mente de Ballard? E se nada disso fosse necessário, pois o capitalismo alienante e o submundo tecnológico estivessem levando, agora mesmo, jovens como o narrador deste livro a percorrerem o percurso trágico da solidão do espírito à desagregação mental, culminando em atos de violência impensável?

Questões como essas podem vir à mente do leitor que acompanha a trajetória do protagonista desse romance, um rapaz introspectivo e antissocial, mas de aguda percepção acerca das contradições da pós-modernidade, que cai na toca de coelho dos fóruns da internet. Quando a garota por quem é apaixonado tem um fim trágico e o administrador de seu fórum favorito desaparece misteriosamente, ele se deixa levar por impulsos investigativos que colocam em risco sua rotina e sua lucidez, para não dizer sua própria vida.

Em seu primeiro romance publicado, Matheus Borges demonstra seus poderes singulares de construção psicológica, evocação de detalhes e observação atenta da nossa realidade fraturada e saturada de informação. Humor pontual com tempero absurdo, comentário social e suspense noir-cibernético se somam a uma aura de paranoia pynchoniana, sem nunca perder de vista a emoção genuína que sustenta os personagens e faz o leitor antecipar cada pista e desenlace.

“A invenção já não era mais invenção”, rumina o protagonista, pois “foi suficiente para causar uma mudança profunda em minha personalidade”. Nas páginas virtuosísticas que concluem a história, o trocadilho deleuzeano do título revela sua incômoda sugestão: a de que as pílulas de realidade de que depende o inflado e frágil self contemporâneo jamais possam ter seu conteúdo devidamente conhecido e validado. “Verdades alternativas”, “deep fakes”, placebos. Pode crer.

192 pages, Paperback

First published March 1, 2022

4 people are currently reading
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About the author

Matheus Borges

9 books28 followers
Matheus Borges nasceu em Porto Alegre. É formado no curso de realização audiovisual da Unisinos e egresso da oficina literária de Luiz Antonio de Assis Brasil. No cinema, atuou como roteirista em A Colmeia, longa-metragem vencedor de cinco prêmios na edição 2021 do Festival de Cinema de Gramado. Em 2022, publicou seu primeiro livro, o romance Mil Placebos, vencedor do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica.

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Carlos.
Author 13 books43 followers
December 14, 2022
Leia a resenha completa na revista Parêntese:

https://www.matinaljornalismo.com.br/...

"Contrariando o clichê muitas vezes repetido, Mil Placebos, romance de estreia do escritor porto-alegrense Matheus Borges, deve ser compreendido começando pela capa. Ou melhor, pelo título, que estabelece de saída uma conexão metalinguística com Mil Platôs, a obra monumental em que Gilles Deleuze e Felix Guattari defendem que não há universalidade, que o mundo foge de qualquer representação definitiva e que a realidade é delirante. A relação de Mil Placebos com Mil Platôs é aqui mencionada por ser de completa intertextualidade, não apenas de mera referência, uma vez que são exatamente essas as conclusões a que chega o protagonista do romance, um jovem que mergulha cada vez mais no isolamento enquanto estabelece contatos rápidos no mundo de ilusões e paranoias dos “chans” de internet, comunidades em que indivíduos sem identidade turbinam sua própria visão obsessiva do mundo até o limite do absurdo. O choque entre essas duas vidas, a interna (claustrofóbica) e a externa (uma comunidade em rede em que o anonimato dos pseudônimos só incentiva a troca do que há de mais subterrâneo na psique alheia) cobrará como preço a lucidez do personagem."
Profile Image for Irka Barrios.
Author 76 books37 followers
April 18, 2022
O livro de estreia de Matheus Borges mescla mistério, crime fiction, um pouquinho de romance e o submundo da deep web. Mas não se trata de uma história quadradinha, que caberia dentro de um gênero específico. A técnica de Borges é sofisticada e nunca sabemos qual é a real intenção do narrador. Excelente estreia.
Profile Image for Alysson Oliveira.
387 reviews47 followers
August 9, 2023
Ler Mil Placebos, do Matheus Borges, foi um passeio pela pós-modernidade, de seus estranhamentos tecnológicos passando pela perpetuação de doenças pela indústria farmacêutica, que busca transformar os pacientes em crônicos, ao invés de curar, até chegar às peripécias do capitalismo tardio para se manter ditando as regras.

É uma leitura muito fluída, num ritmo de suspense, mas embalado por um cinismo de um narrador que me lembrou, em certa medida, o do Clube da Luta – mas não há nada de derivativo aqui. Borges toca em temas quentes do presente, especialmente como a tecnologia se tornou uma extensão dos nossos corpos. Não é exatamente um tema novo (Ballard, uma referência clara aqui, já falava disso), mas a maneira como o autor lida aqui é bem contemporânea e instigante.

Há também, uma vertente policial aqui, que se combina com a ficção-científica em seu diagnóstico da nossa pós-modernidade fraturada e destituída de historicidade. A trama avança e volta no tempo, traz alucinações e sonhos, que embaralha a realidade do protagonista, um sujeito com depressão que, a certa altura, experimenta um tratamento alternativo.

Li o livro muito rápido – em um dia – pois queria saber onde ia chegar, é uma leitura bem alucinada. Borges também é roteirista de um filme muito bom, mas pouco visto, A Colmeia, que é completamente (talvez nem tanto assim) diferente desse livro. Recomendo a quem puder ver.
Profile Image for Pedro Schulz.
93 reviews
April 26, 2023
Escrito em boa prosa de leitura leve e rápida, consegue utilizar uma estrutura fragmentada temporalmente de maneira perfeitamente concatenada à narrativa. Aborda temas das profundezas sem falso moralismo (ou qualquer julgamento moral) num mergulho que poderia ter mais fôlego mas.. funciona. Experiência legal, impressionante romance de estreia.
Profile Image for Paulo Vinicius Figueiredo dos Santos.
977 reviews12 followers
December 26, 2023
Vivemos em uma sociedade doente cujo mal estar civilizatório é ilustrado nas trocas diárias de mensagens em redes sociais tóxicas. O volume de informações aos quais temos acesso é enlouquecedor e não criamos mecanismos capazes de filtrar tudo o que nos chega a todo minuto. Matheus Borges nos traz uma história repleta de detalhes surrealistas e contemporâneos onde o protagonista pode ser qualquer pessoa que sofra de transtornos depressivos ou crises de ansiedade. Pessoas que orbitam nosso ambiente e que muitas vezes não os enxergamos, perdidos em um oceano de pessoas que transitam nos grandes centros urbanos diariamente. Com um pé no abstrato e vários na realidade, Matheus Borges nos traz uma narrativa melancólica e que em seus minutos finais gera muita inquietação da parte do leitor. Mas, uma inquietação boa, daquela que nos faz pensar em nosso meio e nos questionarmos sobre como lidar com esse tipo de situação, seja em relação a nós mesmos, seja em relação a pessoas conhecidas.


Somos apresentados a um rapaz introvertido que logo descobre possuir um transtorno depressivo forte, que necessita de acompanhamento médico e tratamento farmacológico. Diante de todas as suas dúvidas sobre si, o rapaz lentamente vai perdendo contato com a realidade e se encerrando em seu próprio mundo. Ele passa a frequentar fóruns de discussão e acaba conhecendo aquela que viria a ser o amor de sua vida, Jennifer, uma garota que mora em Jersey City. Depois de alguns anos se relacionando com ela, o protagonista descobre que ela cometeu suicídio, o que viria a complicar ainda mais o seu frágil estado emocional. A partir daí tentamos acompanhar a vida desse garoto, cujo contato com o mundo vai se tornando cada vez mais tênue e ele se volta para um mundo de meias verdades e conspirações onde se envolve com uma internet profunda em que matar um indivíduo é a ordem do dia. A pergunta que nos fazemos é: como ele chegou a esse ponto? E como ele poderá sair desse buraco profundo?


A escrita de Matheus Borges é bem interessante e demonstra um alto nível de pesquisa sobre o assunto. A depressão é tratada a contento aqui e o personagem navega em um mundo meio escorregadio onde nem sempre aquilo que é, é. A narração é feita em primeira pessoa, a partir da visão de mundo do protagonista. Fica aquele velho recado sobre livros com esse tipo de narração que é o de nunca confiar totalmente no que está escrito nas linhas. E em um livro como Mil Placebos isso fica ainda mais evidente. Em vários momentos da história o personagem está sob tratamento farmacológico, tendo sua visão da realidade prejudicada pelos efeitos químicos dos medicamentos em sua percepção. Alguns capítulos da trama se passam em um mundo de sonhos, onde as metáforas do que o personagem está vendo são bastante subjetivas e dependem de como o leitor apreendeu as mensagens escondidas nas linhas e parágrafos. Sem mencionar que estamos lidando com um protagonista cuja visão de mundo é bastante específica, e em vários momentos ele vacila, ele hesita diante dos problemas que lhes são apresentados. Essa forma subjetiva de contar a narrativa pretendo comentar mais abaixo quando falar sobre a trama em si, mas cabe sempre deixar claro ao leitor que a mágica na história não está naquilo que é dito, mas naquilo que está ausente ou que precisa ser interpretado.




Ainda falando sobre a escrita de Matheus Borges, ele emprega muito a função dos fluxos de pensamento. Como a psiquê do protagonista é bastante fraturada, a maneira como ele guia o seu raciocínio não segue os mesmos caminhos que nós. Para mim, como alguém que gosta da boa escrita, é interessante perceber quais caminhos o autor empregou para o seu personagem. Isso porque o protagonista recebe um enorme volume de informações devido ao seu contato com a deep web. A maneira como ele filtra essas informações e incorpora ao seu modo de pensar é bem curioso. Caminhos que normalmente faríamos a partir de associações comuns de ideias/palavras não são as mesmas que ele faz. Aí eu precisaria saber se é algo que o autor tem experiência ao ter estudado sobre depressão, ou se é algo que ele criou para um personagem ficcional. Ou um pouco das duas coisas. Em qualquer um dos casos, me agrada muito ver a habilidade com a qual o autor lidou com a ideia de fluxo de pensamento. Comparar o personagem ao protagonista de Memórias do Subsolo, de Dostoievski não é tão estranho aqui porque a maneira de pensar os caminhos seguidos pelo raciocínio do personagem são semelhantes.


Sobre a narrativa em si, ela segue duas partes claramente estruturadas. Na primeira, temos um profundo estudo sobre o próprio protagonista e a maneira como ele enxergava o mundo até um certo ponto. O autor trabalha sua relação com os pais, o seu tratamento médico e o isolamento progressivo no qual ele se coloca. Já uma segunda parte nos coloca em contato com um mundo sombrio da deep web, de um capitalismo opressor que exige uma adaptação a um status quo massacrante e toda uma indústria surgida em cima dos cuidados com a depressão. Isso sem falar na informação, seja ela a verdadeira, a manipulada ou aquela que o público deseja ver que se situa em um limbo entre a verdade e a mentira. Na minha visão há alguns momentos narrativos em que as discussões propostas pelo autor se descolam um pouco do que o narrador está vivendo. As discussões são pertinentes e bastante interessantes, só que para a narrativa em si elas tem pouco efeito. Elas acabavam me tirando da história embora eu entenda aonde o autor queria chegar. As reflexões sobre o capitalismo, a indústria farmacêutica e a informação são respostas a dúvidas colocadas pelo narrador. Mas, seria possível deixá-las mais implícitas ou até distribuídas de uma maneira que pudesse ser incorporada à trama, seja através de diálogos do narrador ou por um metatexto no formato de discussões do fórum. Poderiam até ser interlúdios explícitos entre capítulos. Gosto de um bom debate sociológico/psicológico, mas ele não pode me tirar do mundo ficcional criado pelo autor.


E aí com esse desvio narrativo, o desenvolvimento de personagens poderia ter sido maior. Isso porque o núcleo narrativo é focado quase inteiramente no protagonista. Isso não é ruim porque permitiu ao autor aprofundar os problemas e abstrações que ele vivia. Mas, talvez tivesse sido possível, ao reduzir a quantidade de discussões sociológicas/psicológicas, abordar outros personagens na trama. Por exemplo, quem é o UV Ray e quais são suas motivações. Ele me pareceu um personagem abstrato demais. Quase um fruto da imaginação do narrador. Outro ponto que poderia ter sido trabalhado melhor pelo autor é a visão ideal x a visão real de Jennifer, a pessoa da vida do protagonista. Algo que somente no final do livro o autor começa a mexer e bagunça nossa cabeça. Só que esse trabalho de deixar o leitor com várias pulgas atrás da orelha poderia ter sido inserido antes, em pequenas dosagens ao longo dos capítulos. Os quatro capítulos finais são muito interessantes e me deixaram bastante curioso, principalmente o final. Uma distribuição mais homeopática dos mistérios ajuda a criar esse sentimento de curiosidade no leitor.



Teria vários temas a tratar sobre essa história, mas quero deixar a exploração do livro ao leitor. Vou tratar apenas de dois que me chamaram mais a atenção. O primeiro deles é sobre o capitalismo e como ele se reflete em nossa visão de mundo. A todo momento vemos o personagem tentando buscar ajuda, mas sendo enredado cada vez mais em um mundo de mentiras e de escuridão. Seja o mundo do pai do protagonista que o deixa desamparado e sem emprego e o coloca em uma situação extrema. Ou um mundo onde a morte de uma jovem por um taxista é apenas mais uma banalidade ocorrida em um dia. Ou um fórum obscuro onde pessoas tratam dos mais diversos assuntos. O capitalismo tornou a nossa realidade em algo opressivo com todo o tipo de coisas se tornando mercadorias, mesmo aquelas que são as mais obscuras. A gente vê que o personagem não consegue encontrar uma luz e quando ele se volta para o amor é sempre algo fantasioso e inalcançável, seja a Jennifer ou a russa do Teenage Lust. Diante de um materialismo exacerbado, tudo perde o valor porque permite ao consumidor uma felicidade muito fugaz.


O outro tema que tem muita força nesse livro é a informação. Seja a informação precisa e útil até a manipulação da mesma. O tempo todo somos afogados em uma multitude de informações sobre os mais diversos temas. O livro brinca um pouco com isso ao nos oferecer informações sobre assuntos de todos os tipos. O protagonista sai em busca disso seja quando deseja saber mais sobre a mulher que amava ou quando temos o mistério do administrador do Bit Talk ou mais tarde quando ele deseja saber quem é a russa que ele tanto aprecia. Por outro lado, o autor discute a manipulação da informação. Como não conseguimos filtrar todo o tipo de informação, ela sempre pende para um lado. Se torna fácil a pessoas mal intencionadas manipular o que chega até nós. Quando Steve Simmers morre, existe toda uma vertente investigativa que deseja encontrar a verdade o mais rápido possível. Mas, uma verdade que seja palatável aos espectadores. Mesmo que seja algo fabricado. Os veículos midiáticos saem em busca de quem é essa pessoa envolvida nesse escândalo e o que se descobre sobre ele não condiz necessariamente com a verdade. Poucos são os fatos que são checados e a conclusão rápida a que se chega é muito suspeita. A maneira como vasculham a vida de Simmers é algo estarrecedor. Me fez lembrar imediatamente de uma HQ chamada Sabrina, escrita por Nick Drnaso. Na história, a jovem Sabrina morre, mas a história não é para descobrir quem a matou, mas o que é dito sobre ela após sua morte. A verdade e os boatos que buscam serem convertidos em verdade. No fim, a personagem Sabrina não aparece uma vez na narrativa, e conhecemos sua vida através de relatos de outras pessoas. O que é verdade? O que é mentira? Não temos certeza. Fica a critério do leitor.


Mil Placebos é um livro tenso e que vai discutir uma imensidão de assuntos. Borges tem uma escrita boa, precisa e que brinca com nosso olhar sobre o que está acontecendo na trama. Não é estranho comparar o que ele fez aqui à escrita de Dostoievski e suas voltas e reviravoltas, sempre nos pegando pelo pé e nos fazendo repensar aquilo que nos cerca. O emprego do fluxo de pensamento é bem feito, apesar de que alguns pontos narrativos ficaram um pouco lacunares, prejudicando um desenvolvimento aprofundado de outros personagens que fizessem parte do meio do narrador. É uma leitura bastante necessária nesse estranho mundo louco em que vivemos.
Profile Image for Erich Ruy Alves.
11 reviews
February 12, 2024
Mil Placebos não apenas entrega tudo o que é prometido em sua chamativa sinopse, como também desenvolve uma narrativa que explora elementos de extrema relevância atual, ao mesmo tempo em que flerta com uma paranoia ácida que traz à contemporaneidade essa amálgama intimista e psicológica vista em nomes como Dostoiévski.
Tal como Crime e Castigo refletiu a insanidade do homem na Rússia recém industrial, Mil Placebos o faz com a modernidade pós-capitalista. Matheus Borges consegue utilizar magistralmente de toda a carga filosófica e psicológica presente no contexto da sociedade contemporânea para construir essa narrativa. Aqui, como nos outros grandes romances de destaque, as relações humanas contracenam com o contexto social. E o autor, aquele que rege os caminhos da narrativa, é responsável por conciliar os dois. Aqui, o que é feito é simplesmente extraordinário. Na minha opinião, um dos grandes romances do século e um novo clássico brasileiro.
Profile Image for Raphael Santos.
Author 11 books4 followers
November 13, 2025
Um livro sobre as aflições do capitalismo e os danos em nós como sociedade. Não somente, como o título aborda, o conceito de placebo refletido nas buscas por encontrar soluções e respostas em preencher o vazio existencial. Por mais que tenha uma escrita excepcional e bem estruturada, em dados momentos me pareceu apenas um preenchimento de palavras-chave para um determinado tema abordado no capítulo. O que me tirou o interesse e tornou a leitura cansativa. Outro ponto que me chamou a atenção, está na falta de propósito do enredo, não percebo motivações do personagem para agir, sendo algumas partes apenas visualmente criadas para tentar levar ao próximo capítulo. Em suma, talvez seja a visão deturpada do protagonista, o que corrobora com a história de alguém com a mente perturbada. Interessante, mas no mínimo estranho.
Displaying 1 - 8 of 8 reviews

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