“Esta obra é também recolha de tradições populares, de cantigas e de poesia, mergulhando nas origens dos Lusitanos e contando fantasiosos episódios. Viriato é o herói mítico, com uma roupagem homérica, destemido, astuto e conhecedor de todos os …“montes e vales, covões, algares, cavernas e passagens de vaus de ribeiras e de caudalosos rios”. Narrava o general e procônsul Caio Lellio, no ano de DCIX da fundação da cidade, para o Senado de Roma que …“cumpre ter presente que a Lusitânia é habitada pela mais poderosa das nações hispânicas e que achando‑se já subjugadas todas as outras, é esta que se atreve ainda a deter as armas romanas”. Major‑General Manuel de Campos Almeida Vogal da Direcção da Revista Militar
Joaquim Teófilo Fernandes Braga (Ponta Delgada, 24 de Fevereiro de 1843-Lisboa, 28 de Janeiro de 1924) participou na Questão Coimbrã e com Ramalho Ortigão, organizou, em 1880, as comemorações do Tricentenário de Camões. Dedicou-se de uma forma ímpar à escrita. A sua bibliografia é vasta, contando com 360 obras, abordando temas diversificados, como a história universal, o direito, o teatro, a literatura portuguesa, as novelas portuguesas de cavalaria, as ideias republicanas em Portugal, folhetos de polémica literária e política, ensaios biográficos, entre outros. Adepto dos ideais republicanos, desempenhou altos cargos políticos.
Joaquim Teófilo Fernandes Braga was a Portuguese politician, writer and essayist. His debut in literature was in 1859 with Green leaves. Graduated of the University of Coimbra, is fixed in Lisbon in 1872, where he teaches literature in the Curso Superior de Letras (now Faculty of Arts University of Lisbon). Of his literary career there are works of literary history, ethnography (with special emphasis on its collections of stories and traditional songs), poetry, fiction and philosophy.
Shepherd of the “Montes Hermínios,” at the head of the Lusitanians, fought victoriously against the Roman invaders, preserving Portuguese independence. Montes Hermínios was the name given to the current Serra da Estrela territory. Viriato was nothing like a shepherd. Instead, he was an influential leader of the Lusitanian people who lived and fought south of the Iberian Peninsula, from Alentejo to Spanish Extremadura and Andalusia. Between 147 and 140 BC, he inflicted some defeats on the Romans, who eventually got the better of him after they murdered him by treason. Coming from Central Europe, the Lusitanians were one of the many peoples that at the time inhabited the Peninsula, established in an area that extended to both sides of the current Portuguese-Spanish border. Already victorious, the Romans named Lusitânea a province of their empire that expanded into modern Spain, with the capital in Mérida. However, in the 16th century, it began to be said and written that the Portuguese descended from the Lusitanos. This fantasy was discarded in the 19th century by Alexandre Herculano. Still, for patriotic propaganda, it did not prevent the Estado Novo from resuming the idea that the Portuguese descended from the Lusitanians. Honestly, we are a mixture of multiple peoples, where perhaps the Lusitanian component, but to a lesser extent than the Phoenician, Roman, Germanic, Arab, Berber, Jewish, and European at the time of the Crusaders, the African period of slavery, the French of the Napoleonic period or even Brazilian, the Ukrainian or the African of our days. We owe much more to the Romans who organized us and from whom we inherited the language, who drank wine and ate wheat bread than to the Lusitanians, who had strange customs and spoke a lost language that would now be incomprehensible to us. The historic Viriato is both “Portuguese” and “Spanish,” as it acted on both sides of a line that did not exist in its time. The Cava de Viriato has nothing to do with the Caudilho Lusitano, although a small statue of him was erected there by the Estado Novo in 1940. Instead, it is a fortification from the Muslim period, with traces from the Roman period attesting to its use in earlier times.
Nesta altamente imaginativa re-invenção da vida de Viriato, Teófilo mitifica a origem da "pátria lusitana" e cose uma série de costumes, tradições e lendas portuguesas cujas origens associa à vida desta figura. Acaba por ser um livro interessante, embora às vezes acabe por parecer que o autor quis abordar tantos temas com um livro tão pequeno que acabou por não conseguir atingir o máximo potencial com nenhum desses temas.
Leitura de 2025. Este só interessa por demonstrar as motivações politico ideológicas de Teófilo Braga, pois é um romance histórico altamente fantasiado sobre a figura de Viriato, que segue a linha que o identifica como um dos pais fundadores da nação, apesar que já existia na época e atualmente teses contrárias a tal, como por exemplo desde herculano. Indo brevemente ao livro, tem alguns bons momentos mas é demasiado abrangente na sua grande re-imaginação histórica, misturando em tom sebastianista o futuro de Portugal e a independência, até as feiras francas com as guerras romano lusitanas, como se estivessem minimamente ligadas... E é este aspecto que o que torna bastante denso e sem nexo em várias partes, até poemas populares são aqui inseridos... E deve ainda ser visto como um livro para adolescentes e até crianças antecedendo a linha nacionalista que conhecemos do Estado Novo, e dos mitos a si associados. No mínimo é um livro datado antropologicamente falando sobre a etnia e raça de um Portugal que se queria lusitano, mesmo ao estilo do século XIX e XX, que fala da sua independência face a qualquer invasor estrangeiro, neste caso Roma, sendo esta a sua mensagem política, e claro de teor republicano, presente em toda a obra. No máximo, o livro pode ainda ser visto como tendo ainda um ideal ibero federalista republicano tão em voga nesses tempos também, visto como uma das alternativas para combater as grandes potências e dinamizar toda a península da qual os "lusos" fazem parte. Porém mesmo sendo ficção o teor mitológico ainda está muito presente atualmente, e longe de qualquer realidade possivel e para além disto não se justifica muito a leitura.
Um panfleto republicano e nacionalista, travestido de romance histórico. Pela estilo como está escrito, parece-me que o público alvo seriam alunos da primária, tal é a semelhança com os livros da 3a classe do meu bisavô.
A estória em si, fraquinha e sem qualquer nexo. Abundam os nomes romanos para a geografia e tribos da Ibéria, o que dá sempre um ar culto mas não disfarçam a absoluta nulidade do texto.
É o primeiro livro que li do Teófilo Braga, pode ser que tenha outras obras melhores. Mas esta, a evitar.
Apesar de adorar tudo o que esteja relacionado com Viriato e a época dos lusitanos e galaicos, este livro não me tocou especialmente nem me conseguiu prender à narrativa. O autor adorna a obra com poesia, aludindo aos cantares de então que aquelas gentes transmitiam uns para os outros. São vários os episódios que aqui são revelados sobre as revoltas e defesa da liberdade da Lusitânia.
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Pelos primeiros capitulos não tinha dado muita importancia ao livro, mas ao desenvolver-se comecei a gostar imenso a lê-lo. Conta-nos a história (a vida) da figura histórica portuguesa, Viriato. Livro bastante bom para quem gosta de saber um pouco mais sobre figura portuguesas da nossa História.
Nunca li nada de Teófilo Braga, mas este é um dos livros da colecção do JN que mais gostava de ler, parece-me que este escritor será um excelente contador de histórias...