Italian poet, novelist, critic, essayst, journalist, translator, dramatist, film director, screenwriter and philosopher, often regarded as one of the greatest minds of XX century, was murdered violently in Rome in 1975 in circumstances not yet been clarified. Pasolini is best known outside Italy for his films, many of which were based on literary sources - The Gospel According to Saint Matthew, The Decameron, The Canterbury Tales...
Pasolini referred himself as a 'Catholic Marxist' and often used shocking juxtapositions of imagery to expose the vapidity of values in modern society. His essays and newspaper articles often critized the capitalistic omologation and also often contributed to public controversies which had made him many enemies. In the weeks leading up to his murder he had condemned Italy's political class for its corruption, for neo-fascist terrorist conspiracy and for collusion with the Mafia and the infamous "Propaganda 2" masonic lodge of Licio Gelli and Eugenio Cefis.
His friend, the writer Alberto Moravia, considered him "the major Italian poet" of the second half of the 20th century.
"Sem ti regressava, qual bêbado, incapaz de estar só à noite quando as cansadas nuvens se dissipam na escuridão incerta.
Estive milhares de vezes só desde que estou vivo, e em milhares de noites iguais foram-me escurecidos aos olhos a relva, os montes, os campos, as nuvens.
A sós de dia, e depois adentro o silêncio da noite fatal. E ora, bêbado, regresso sem ti, e ao meu lado só há sombra.
E de mim longe estarás milhares de vezes, e depois para sempre. Não sei travar esta angústia que galopa dentro do peito; estar só."
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"Temos de queimar para chegarmos consumidos ao derradeiro fogo."
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Para além dos poemas belos poemas que se encontram neste livro (o primeiro deixou-me siderada, tenho-o relido continuamente e custa-me desprender a atenção dele), os comentários de Pasolini a algumas obras literárias chegou mesmo a divertir-me: curiosamente temos a mesma opinião em relação à obra de Gabriel García Márquez, "Cem Anos de Solidão" (Pasolini sublinha ser "ridículo" que a obra em questão seja considerada "obra-prima"), e em relação a Sade (na recensão sobre Giorgio Baffo) refere o esvaziamento de sentido pelo excesso. Há umas semanas partilhei a minha apreciação sobre "Os Cento de Vinte Dias de Sodoma", livro que recusei concluir, e na altura sublinhei o estilo monótono da obra - e, para mim, estava precisamente subjacente esta ideia da forma como o excesso (pela repetição, pelo nível de barbaridade) conduzia a um registo monótono, completamente liso (a descrição da barbárie, por mais violenta ou abjecta que se seja, torna-se rotina, perde o efeito de choque e de repugnância).
Penso que por demasiada expectativa a poesia de Pasolini me tenha desiludido. Esperava mais, aliás, como sempre espero deste autor que tanto me desarma e me faz amar como me desilude e pouco preenche. Não faz mal. Continuo na sua descoberta, exatamente por ainda não saber. Já as recensões conseguiram despertar a minha curiosidade e algumas revelaram outros mundos.
“Posso ao menos esperar que na diversidade do Teu ser, o meu ser único que me é inútil Te seja necessário?”
“Temos de queimar para chegarmos consumidos ao derradeiro fogo.”
“O conhecimento reside na nostalgia. Quem não se perdeu não possui.”
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“Sem ti regressava, qual bêbedo, incapaz de estar só à noite quando as cansadas nuvens se dissipam na escuridão incerta.
Estive milhares de vezes só desde que estou vivo, e em milhares de noites iguais foram-me escurecidos aos olhos a relva, os montes, oS campos, as nuvens.
A sós de dia, e depois adentro o silêncio da noite fatal. E ora, bêbedo, regresso sem ti, e ao meu lado só há sombra.
E de mim longe estarás milhares de vezes, e depois para sempre. Não sei travar esta angústia que galopa dentro do peito; estar só.”