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A Última Curva do Caminho

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Retirado do fragor apressado da capital e das obrigações mundanas, um velho professor jubilado prepara-se para morrer. Olhando a ruína da casa dos avós a partir da última curva do caminho que ali conduz, recorda o garoto que foi e tudo o que lhe sucedeu depois: o triciclo que teve em África, a primeira bicicleta, o charco dos girinos, os livros que escreveu e as mulheres que amou.
Partindo de uma pícara lenda familiar e do lento mergulho nas coisas do passado, o catedrático Nicolau Coelho constrói uma narrativa íntima e nostálgica, durante a qual não deixa de ponderar, com certa ironia, sobre a intolerável velocidade das coisas do presente, como a da chamada inteligência artificial.
Mais do que um romance, A Última Curva do Caminho constitui um acto de resistência e um manifesto em defesa da lentidão, da liberdade individual e do direito à eutanásia, com um enredo marcado pelo processo de envelhecimento, pela doença, pela solidão e pela perplexidade diante da inevitabilidade da morte.

264 pages, Paperback

First published January 1, 2022

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About the author

Manuel Jorge Marmelo

50 books24 followers
A trabalhar na imprensa desde 1989, recebeu em 1994 o prémio de jornalismo da Lufthansa e, em 1996, a menção honrosa dos Prémios Gazeta de Jornalismo do Clube de Jornalismo/ Press Club.

Estreou-se nas letras em 1996 com o livro "O homem que julgou morrer de amor/O casal virtual", tendo sido convidado, nesse mesmo ano, a participar na colectânea "A cidade sonhada", a par de alguns dos mais reputados escritores, poetas e artistas do Porto. O livro de contos "O Silêncio de um homem só" (2004) valeu-lhe o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.

Tem participado em várias publicações e antologias, entre as quais se destacam: “Porto.Ficção” (edição Asa), “Putas – Antologia do Novo Conto Português e Brasileiro” (edição Quasi), “Porto, Fragment de Vie” (da editora francesa L’Escampette), “Doze Contos com Livros Dentro” (edição Campo das Letras), “Suplemento Literário de Minas Gerais” e “Bestiário” (ambos do Brasil), “Magazine Artes” e “Imagem Passa Palavra” (edição Cooperativa Gesto). Escreveu ainda os textos dos livros “Vitória: Verso e Reverso” (edição Afrontamento) e “Mário Marques, Para Além do Instante” (edição do Centro Português de Fotografia).

Desde Julho de 2001, o seu nome consta do Dicionário de Personalidades Portuenses do Século XX, da Porto Editora, sendo o mais jovem dos nomes biografados.

Em 2012 foi lançado o romance "Somos Todos Um Bocado Ciganos".

Em fevereiro de 2014, o seu livro "Uma mentira mil vezes repetida" (romance de 2011) conquistou o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas.

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for José Carlos Gomes.
Author 1 book7 followers
January 18, 2023
Um livro belíssimo sobre o envelhecimento e as memórias. Sobre a vida, afinal. Não dou nota máxima porque detectei pequenos erros de português e sou intransigente quanto a isso. Ler "as gramas" dá comigo em doido. Manias
Profile Image for Vânia Caldeira.
179 reviews3 followers
April 14, 2022
Um livro que começa de forma intensa e profunda com a história de um professor jubilado que se prepara para morrer. Os primeiros capítulos prendem-nos a está história que nos é dada a conhecer: com intensidade vivemos os romances vividos pelo protagonista, a vivência do amor na terceira idade, mas também as memórias dos seus antepassados e a forma como elas o moldaram naquilo que foi a sua vida. Na minha opinião há momentos um pouco maçadores e confusos no recordar dessas histórias da família, que nos fazem perder o interesse. Destacam-se as incríveis reflexões sobre o papel do homem e da máquina. E, por fim, os pensamentos sobre a vida e a morte. Globalmente foi uma boa primeira leitura de uma obra deste autor.
102 reviews17 followers
October 1, 2022
3.5*

Um livro com muitas referências culturais, artísticas, literárias, históricas, desportivas... Por um lado, quando não as entendemos, obriga-nos a decidir entre não "cortar" a fluidez da leitura ou ir procurar as mesmas e enriquecer a leitura, o que poderá não ser benéfico. Por outro lado, quando entendemos essas mesmas referências, surgem preciosidades como a que se segue, a qual por si só me fez querer o livro:

E depois há Antonín Panenka, o médio checoslovaco que, na final do Campeonato da Europa de 1976, em Belgrado, executou o penalty decisivo de uma forma surpreendente, livre e caprichosa, arriscada e irónica, fazendo a bola descrever um subtil e lento arco exasperante que sobrevoou Sepp Maier, o guarda-redes alemão precipitadamente lançado ao chão, para ir aninhar-se nas malhas da baliza.

Antonín Panenka e o seu penálti são a demonstração de que é possível viver de modo alternativo e indiferente à rigidez das normas; agir de forma livre, infantil e louca; ser eficaz sem perder a criatividade e a ironia. Daí que escrever, como pintar ou compor música, me tenha parecido, desde então, uma forma de viver à Panenka e de transitar pelo mundo persistindo na inocência e na espontaneidade das crianças e dos doidos varridos, e mantendo uma certa forma pueril de olhar para as coisas e para as pessoas como matéria-prima de devaneios alucinados e maravilhosas ilusões. É perfeitamente possível, bem entendido, falhar um penalty à Panenka, fracassar um livro ou desperdiçar uma mulher como Alba. Basta, para isso, não ter sido Panenka ou ser velho de mais, demasiado sóbrio ou incompetente. Hei-de, bem sei, ter sido uma e outra coisa em diferentes graus e em momentos diversos da vida, sem que, todavia, me possa arrepender de ter tentado e errado. Tentado e errado.

Na vida, como no futebol ou nos livros, apenas uns quantos têm o talento necessário para ser Panenka, Pelé, Arquimedes, Cervantes ou Maradona. Aos outros resta o consolo de, ao menos por uma vez, se terem atrevido a procurar resgatar os fundamentos essenciais da infância, o arrojo e o pó vermelho, a insensatez e o desassossego, tentando e limitando-se a ser apenas ridículos e livres.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
March 31, 2022
Após se ter jubilado, um professor catedrático regressa à velha casa de família, deixando para trás o bulício da cidade, uma preenchida vida social, a própria mulher. Vai poder agora tirar o máximo partido da tranquilidade do campo, recuperar uma saúde castigada pelos excessos e dedicar todo o tempo livre à leitura e, sobretudo, à escrita. De boas intenções, porém, está o inferno cheio e Nicolau Coelho vê os seus projectos esbarrarem na inércia, na ausência de vontade para ir além do básico à sobrevivência, lançando-se numa ociosidade estéril que o afasta cada vez mais dos outros e de si próprio. Restam-lhe as memórias de um passado indistinto, mescla de verdade e fantasia, onde as suas próprias histórias se cruzam com as histórias da família - do trisavô Henrique Damião Coelho ao pai Henrique Quarto Coelho -, vergadas ao peso de uma “condenação” que a todos une. Enquanto isso, a página aberta do computador permanece em branco. Imutável. Serena. Definitiva.

Feito de avanços e recuos, de interpolações, de pausas que se abrem no tempo como clareiras, como se os segundos pudessem divergir na sua duração e o tempo fosse algo que se acomodasse aos estados de alma, “A Última Curva do Caminho” obriga-nos a reflectir sobre a vida e as suas intermitências. Da idade da inocência ao inverno da vida, somos aquilo que quiseram que fôssemos ou que nos permitiram ser. Ainda que a vontade interior possa, em certa medida, determinar os rumos de uma vida, há estigmas dos quais nunca nos libertamos e que teimam em assombrar-nos, agigantando-se no momento de encararmos “a última curva do caminho”. Puxando das fotografias dos seus antepassados, como se de um jogo de cartas se tratasse, Nicolau Coelho vai encontrando pedaços de si em cada uma daquelas personagens, ao mesmo tempo que se confronta com a impossibilidade de baralhar e voltar a dar. O jogo está a chegar ao fim e a vida é uma “negra”, sem lugar a desforras.

É de braços caídos que a personagem principal do livro faz o balanço de toda uma vida. Nela, o momento presente adquire um peso esmagador face a um passado que é olhado de forma nostálgica mas não sem uma ponta de ironia. Um paquete branco que sulca um mar pejado de peixes-voadores, um triciclo amarelo em África que o filho mais novo da preta Cesária tanto cobiçava, a primeira bicicleta, o charco dos girinos, os livros que escreveu ou as mulheres que amou, estão de volta só para confirmar que “a memória é um negrume riscado por débeis coriscos que mal permitem enxergar alguma coisa”. O aumento das pensões, o mau entrosamento do meio-campo do clube de futebol da terra ou o escandaloso romance do barbeiro com a mulher do farmacêutico não atenuam, hoje, a sensação de Nicolau Coelho estar escondido sem que alguém o procure ou queira saber dele. “Quer tenham sido mendigos ou faraós, os mortos deixam para trás tudo o que possuíram e voltam a ser apenas cinzas e pó”. Safoda.
Profile Image for Carla Ferreirinho.
137 reviews5 followers
June 10, 2023
Foi a minha leitura de estreia do autor Manuel Jorge Marelo e gostei muito.
A Última Curva do caminho conta a história de Nicolau Coelho, um professor Catedrático de Estética que já não exerce a sua profissão e que se encontra numa fase terminal da vida.
Após uma rutura amorosa, Nicolau que também é escritor, decide refugiar-se numa vila do interior, onde viveram os seus avós, para escrever um novo livro.
Perante a falta de inspiração, a página de texto do computador permanece em branco e Nicolau lamenta que o seu computador não seja capaz de escrever o livro sozinho uma vez que a inteligência artificial está muito avançada.
A partir das imagens da casa dos seus avós em ruínas, Nicolau começa a recordar o seu passado, parte dele passado em África e reflete sobre o tempo e a velocidade com que passam os dias.
Desiludido com a vida que leva, e sem nada que o motive, Nicolau acaba por tomar uma atitude drástica que o leva à sua última curva no caminho da vida.
Profile Image for Manuela.
174 reviews
June 25, 2022
Na última curva do caminho estão as memórias de uma vida e das várias gerações da família do Nicolau que é um professor e escritor, que se retira para a pequena vila da sua infância, onde onde vai perpetuando a sua solidão e o adiamento do processo de escrita. Um livro sobre envelhecer, sobre a memória, evocando muitas vezes reflexões filosóficas e sobre antecipar o fim para que a espera e a doença não sejam ainda mais cruéis. Uma espécie de libertação.
Displaying 1 - 7 of 7 reviews

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