A força da narrativa desta adolescente — que mesmo com sua pouca experiência de vida foi capaz de escrever um testemunho de humanidade e tolerância — a tornaria uma das figuras mais conhecidas do século XX. Agora, seis décadas após ter sido escrito, o diário é finalmente publicado na íntegra. A nova edição traz um caderno de fotos, além de vários trechos inéditos.
Uma ótima leitura. O que me impressiona é ver como Anne era à frente do seu tempo, seu modo de pensar,, suas reflexões, sua forma de ver a vida, a natureza, as relações entre as pessoas.
De um temperamento forte ela aparenta em determinado momento da leitura, uma certa rebeldia, soberba, mas que logo ela mesma se auto avalia e reconhece onde falhou. Ela aprende, amadurece, e como é incrível o amadurecimento da Anne nesses dois anos no esconderijo.
Esse livro deixa uma lição, ele retrata a crueldade que ocorreu com os judeus. Temos que ter sempre uma posição ativa diante do que lemos, sobre os acontecimentos e fazermos uma reflexão sobre o que dessa maldade ainda existe, mesmo que "camuflada".
Um livro com personagens marcantes até que bem construídos e uma narrativa bem detalhada. Angustiante em determinados momentos, até porque estamos tratando aqui de fatos, acontecimentos reais.
Particularmente achei a leitura um pouco enfadonha, talvez porque a Anne não tivesse tantos elementos para descrever no diário, o que pra mim ficou um pouco repetitivo. De resto o livro é muito bom, vale muito a pena ler. Então simplesmente LEIAM.
de uma sensibilidade tremenda, é impressionante como anne era à frente de seu tempo, suas reflexões, a maneira como enxergava a vida, seu temperamento, ela era incrível...por muitas vezes, senti meu coração doer com a esperança que ela tinha de tudo acabar logo e poder voltar para a vida antiga, até torcia para que isso acontecesse também, mesmo já sabendo do seu triste fim. :(
Annelies Marie Frank (1929/1945), mais conhecida como Anne Frank, viveu muito pouco. Faleceu no campo de concentração de Bergen-Belsen na Alemanha com apenas 16 anos provavelmente vítima de tifo. No entanto ela deixou um registro na forma de um diário que já foi publicado em mais de 40 países, traduzido para mais de 70 idiomas e vendeu dezenas de milhões de cópias. Esse diário foi escrito por ela no período 1942/1944 quando ela e sua família tiveram que se esconder num anexo localizado na parte de trás de um edifício comercial na cidade de Amsterdã. Os habitantes do anexo foram descobertos em 1944 e entregues aos alemães que os enviaram a campos de concentração. O anexo foi saqueado, mas os registros que Anne fez permaneceram ocultos até serem descobertos por uma pessoa que foi fazer uma faxina no local logo após a queda da Alemanha. Após a descoberta os registros foram entregues a Otto Frank, pai de Anne, o único sobrevivente da família, que tratou de publicá-lo em 1947 obtendo enorme repercussão. Anne Frank era uma menina curiosa, voraz leitora e muito sarcástica e espirituosa e, na maior parte do relato, essas características se sobressaem. No entanto ela era capaz de colocações que podem ser colocadas na categoria de profundas reflexões acerca de temas como feminismo, guerra, finitude, a condição humana, as esperanças em relação ao futuro, a política e outros mais. Vale a pena reproduzir trechos de alguns dos registros feitos por ela:
"Com meu diário, quero dizer que pretendo ir mais adiante; não posso me imaginar vivendo como minha mãe ou a sra. Van Daan e todas aquelas mulheres que cumprem suas obrigações e mais tarde são esquecidas. Eu preciso ter algo mais que um marido e filhos, algo a que possa me devotar totalmente." (20 de junho de 1942)
"Preciso tornar-me boa através de meu próprio esforço, sem exemplos e sem bons conselhos. Então, mais tarde, deverei ser bem mais forte. Quem além de mim lerá estas frases? A não ser comigo, com quem posso contar? Um sem-número de amigos foram para um triste fim. Ninguém é poupado, cada um e todos se juntam na marcha da morte." (20 de outubro de 1942)
"Devo ficar pensando sobre todos os que estão morrendo, seja o que for que esteja fazendo? E se eu quero rir de alguma coisa, deveria parar imediatamente e sentir-me envergonhada por estar contente?" (20 de novembro de 1943)
"Não acredito que apenas os homens de projeção, os políticos e os capitalistas sejam culpados pela guerra. Não, o homem comum também é... Há uma urgência nas pessoas em destruir e matar, e até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma grande mudança, as guerras se sucederão." (3 de maio de 1944)
"É realmente inexplicável que eu não tenha deixado de lado todos os meus ideais, porque eles parecem tão absurdos e impossíveis de se concretizarem. Mesmo assim eu os conservo, porque ainda acredito que as pessoas são boas de coração. Simplesmente não posso edificar minhas esperanças sobre alicerces de confusão, miséria e morte. Vejo o mundo gradativamente se tornando uma selvageria. Escuto o trovão se aproximando, cada vez mais, o que nos destruirá também; posso sentir o sofrimento de milhões e ainda assim, penso que tudo irá se corrigir, que esta crueldade também terminará. Enquanto isso, preciso adiar meus ideais para quando chegarem os tempos em que talvez eu seja capaz de alcançá-los." (15 de julho de 1944)
É interessante como em alguns aspectos ela até pode ser considerada à frente do seu tempo como em uma reflexão feita num registro de março de 1944 em que ela critica, em meio a muitos registros acerca do confinamento e das privações que ele provocava, a forma como a política causa desnecessárias cisões na vida das pessoas. Caso ela vivesse hoje, diante do conteúdo de seu registro, é lógico afirmar que ela ficaria horrorizada diante da atual polarização que caracteriza nossos dias. Eis parte desse registro:
“Um capítulo muito extenso de nossa história no esconderijo deve ser dedicado à política. Nesse assunto, no entanto, não estou particularmente interessada [...]. Hoje, no entanto, vou dedicar uma carta inteira à política. Inútil será dizer que existem muitas opiniões sobre o assunto e hoje em dia faz sentido que seja o tópico favorito de todas as conversas; mas que tantas brigas tenham ocorrido ao longo do caminho por diferentes opiniões políticas, devo dizer que acho isso estúpido. Deixo-os fazerem suas previsões, rirem, amaldiçoarem, criticarem, permito que façam o que quiserem, desde que se respeitem e não briguem com consequências desagradáveis”.
Sábias palavras de uma menina que mal havia feito 15 anos e que servem como lição aos brigões dos dias atuais. Vale a pena ressaltar que o pai de Anne, Otto Frank, o responsável pela publicação dos registros da filha censurou o material para não expor certos aspectos que ele considerava muito íntimos como as desavenças dela com a mãe, com quem ela tinha uma relação difícil. Mas os trechos mais delicados censurados por ele dizem respeito à sexualidade de sua filha. Num registro feito em janeiro de 1944 uma confusa Anne confessa a seu diário uma clara fascinação pelo corpo feminino. Eis o que ela escreveu:
"Eu me lembro que uma vez, quando dormi com uma amiga eu tive um forte desejo de beijá-la, e isso eu fiz. Eu não pude evitar ficar terrivelmente curiosa sobre o corpo dela, pois ela sempre o mantivera escondido de mim. Eu perguntei para ela se, como prova de nossa amizade, nós podíamos sentir os seios uma da outra, mas ela recusou. Eu entro em êxtases sempre que vejo a figura nua de uma mulher, como Vênus, por exemplo".
Essa confissão, presente nas traduções feitas a partir de 1998 (como é o caso dessa edição feita pela editora “Pé da Letra” que traz uma bela coletânea de fotos) livres da censura de Otto Frank, transformaram Anne Frank (de forma exagerada a meu ver) em “ícone LGBT” em certos meios. Polêmicas à parte é mais do que oportuno ler o “Diário de Anne Frank” como um testemunho sincero, dramático e contundente acerca do mal que os totalitarismos, de qualquer espécie, causam para a humanidade. Leia e, ou releia e reflita bastante.
O Diário de Anne traz as suas anotações da vida no anexo durante a 2° guerra. Anne relata fatos da guerra, conflitos familiares e com os outros judeus que se refugiavam no anexo e a vida de uma pré adolescente que foi obrigada a se isolar do mundo e crescer rapidamente.
"Nós judeus, não devemos nos deixar arrastar pelos sentimentos, temos de ser corajosos e fortes e aceitar o nosso destino sem queixas, temos de cumprir tudo quanto possível e ter confiança em Deus. Vai chegar o dia em que esta guerra medonha acabará, vai chegar o dia em que nós voltaremos a ser gente como os outros e não apenas judeus". (1944, p.178)
Para mim, é completamente impossível atribuir nota a um "livro" que na verdade é um relato real de alguém que esteve em uma guerra. O diário de Anne Frank serviu apenas para aumentar o meu pessimismo em relação à existência humana. O mais triste é saber que ela mantinha esperanças e crenças, mesmo em meio a esse caos que ameaçava sua vida. Mesmo sabendo o final, eu ainda torci para que escapassem. Seu modo de se expressar, sua visão de mundo, suas convicções tendo tão pouca idade... E agora, já não existe em lugar algum. O tempo passou, o mundo mudou, novas tensões se formaram e tu ficastes para trás...
Demorei a ler por ser muito tocante. Anne escreveu seu diário com riqueza de detalhes e a cada página lida ficava difícil não imaginar com tristeza a situação em que se encontravam. O otimismo que mantinha diante de tudo aquilo era realmente impressionante mas saber que ela não teve sua liberdade devolvida como tanto desejava nem mesmo conseguiu publicar seu diário do jeito que queria ou ter um final a altura por culpa de algo tão desumano, me deixa enjoada só de pensar em como pode existir pessoas tão cruéis. Não poderia dar menos que 5 estrelas para esse livro, todos deveriam ler.
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O diário de Anne Frank é com certeza uma obra da qual eu me lembrarei periodicamente pela sensibilidade e inocência que assume como palco central os relatos da jovem Anne Frank no período que ela e sua família estavam no anexo durante a segunda guerra mundial. E a forma como me senti próximo de Anne através de suas histórias e confiabilidade com kitty.
É incrível ver o crescimento da maturidade dela ao longo anos em que ela escreveu os dias do diário.
É muito interessante ver o quanto ela poderia ter sido uma excelente escritora caso ela não morresse durante a segunda guerra mundial, pois, se ela escrevia com essa habilidade aos 14 anos de idade, imagina aos 30 anos o que ela não seria capaz de produzir...
Simplesmente minha mente não consegue conceber que isso realmente aconteceu. Por mais caótico que seja o cenário o carisma e a ambição de Anne manteve meu foco durante a leitura. Diferente do que diriam alguns dos personagens Anne é uma ótima influência.
Fascinante a forma como a autora, mesmo sendo tão jovem, descreve tudo o que sente, tudo o que pensa e tudo o que vai vivendo. Um livro que sem dúvida aperta o peito a qualquer um.
O relato de Anne é tocante e nos faz refletir sobre a resiliência, a esperança e a dura realidade do período em que viveu. A forma como ela descreve seus pensamentos, medos e sonhos em meio a um cenário tão cruel torna o livro ainda mais marcante. É uma obra que nos ensina muito sobre humanidade, empatia.