Um dia, inesperadamente, ela me disse como era bom o tempo em que eu vivia. Pensando na frase, deduzo que a velhice extrema é uma morte que não para de se renovar. A pessoa suporta porque não para de se renovar. A pessoa suporta porque não tem memória... só lampejos de memória. Repito que por nada eu quero isso. Uma coisa é suportar o que a gente não pode evitar. Outra é recusar o que pode ser evitado, como a decadência e o medo de ser surpreendido pela morte.
Betty Milan é uma escritora e psicanalista brasileira.. Autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. Suas obras também foram publicadas na França, Argentina e China. Colaborou nos principais jornais brasileiros e trabalhou para o Parlamento Internacional dos Escritores, sediado em Estrasburgo, na França. Em março de 1998, foi convidada de honra do Salão do Livro de Paris, cujo tema era o Brasil. Antes de se tornar escritora, formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo e especializou-se em psicanálise na França com Jacques Lacan.
🔴 "Heresia" é um romance extremamente corajoso e contemplativo. Com uma composição surpreendente de temas sensíveis, a autora brasileira Betty Milan nos convida, através da história de Lúcia e sua mãe centenária, a refletir sobre o fim da vida e a crueldade em seu prologamento indefinido. Por isso o subtítulo do livro: tudo menos ser amortal.
Diferente do imortal que presenciamos muito em histórias de fantasia. O amortal é um ser humano que sempre escapa da morte graças à evolução da medicina. Mas será que ser amortal é ruim? Betty Milan levanta esse tema e aponta de maneira respeitosa todos os prós e contras.
❤ O amor, sentimento que nos move e sem o qual não existimos, está presente em todo o livro. Eu adorei acompanhar os cuidados de Lúcia com sua mãe, que já sofre as mazelas de uma velhice extrema. O relacionamento das duas é colocado de uma forma bem real e verdadeira, mostrando o quão importante é pensar sobre assuntos que para a maioria de nós ainda é um tabu.
Lúcia é gente como a gente. 🗣 Recomendo muito que conheçam essa história nada romantizada e convidadativa ao diálogo com outras pessoas e com você mesmo.
✍🏻 Escritora e psicanalista, Betty Milan, formou-se em medicina pela USP e especializou-se em psicanálise na França com Jacques Lacan. Alguns outros títulos da autora que foram publicados aqui no Brasil, também circulam pela França, Argentina e China.
Preciso dizer que o Grupo Editorial Record acertou muito em colocar "Heresia" como VIB - Very Important Book (Livro Muito Importante). Eu já tinha muita vontade de conhecer a escrita da autora. Todas as minhas expectativas foram alcançadas e agora quero ler as outras obras também.🥰
Ps:. Fiz a leitura do livro pela prova antecipada ainda não revisada. Por esse motivo não trouxe trechos para vocês. Em breve o livro será lançado para o público geral.
"Não interessa perguntar por que a vida foi desta ou daquela maneira. Não tem resposta."
Uma reflexão sobre a eutanásia. E sobre as diversas dores daqueles que acompanham alguém envelhecendo e perdendo consciência e mobilidade. O título é uma auto-acusação. A autora acusa o livro de estar cometendo uma heresia pelo modo de abordar o tema. Pois em alguns momentos pinta a morte como libertadora e desejada.
Talvez eu não devesse ter lido que a autora é uma psicanalista, pois isso me deu um pequeno viés de "será que essa história está sendo criada por ela? ou será que ela está relatando em segunda mão o que os pacientes lhe contaram?". E isso me incomodou um pouquinho em algumas partes. Pois realmente alguns trechos pareciam uma terceira pessoa falando, desabafando.
O livro se propõe a incomodar um pouco e colocar a conversa sobre a morte na mesa, de fato precisamos pensar sobre isso. E a opinião é bem latente durante o relato feito: deveríamos como sociedade permitir algum grau de eutanásia. Agora, sobre a questão emocional das pessoas envolvidas temos algo além de uma simples opinião prevalente. O livro mostra certa confusão mental, própria das pessoas em situações dificéis. Em alguns momentos vemos a dor de perder um ente querido. Em outros momentos vemos o alívio do que estava doente e dependente morrer. Gostei de não ficar preso na unidimensionalidade, pois é realmente complexo lidar com esse tipo de coisa.
"Não sei o que a vida é, mas tenho certeza de que não é redutível aos sinais vitais"