Novo livro de Lola Salgado, um dos destaques em YA da literatura nacional, conta a história de um adolescente com superpoderes que, enquanto descobre a sua própria sexualidade e identidade, vai entender por que, quando o assunto é amor, não há como se esconder atrás de disfarces.
Otto Oliveira, além de ser o adolescente mais azarado do mundo, é apaixonado por Bruno Neves desde que conversaram sobre Homem-Aranha na sala de espera de um consultório médico, há cinco anos. O problema é que, além de ser o melhor amigo de Vinícius (maior rival de Otto e motivo pelo qual ele passa os recreios escondido), Bruno nunca demonstrou gostar de meninos – o que só confirma a sua falta de sorte.
Entretanto, Otto tem uma carta na manga: ele é capaz de se transformar em quem quiser. Qualquer pessoa mesmo, real ou imaginada, como alguém por quem Bruno poderia se interessar e, quem sabe, até se apaixonar.
Para sua melhor amiga, Khalicy, essa seria a solução para todos os problemas dele, como o bullying diário nas mãos de Vinícius, a timidez que o impede de se expor e (por que não?) uma chance de se aproximar mais de Bruno.
A ideia é tentadora, só que Otto morre de medo de usar esse poder. Será que vale a pena virar outra pessoa – literalmente – por uma chance no amor?
com certeza virou o confort book, apesar do livro tem muitas páginas, eu amei demais a história do Otto. e claramente me identifiquei demais com algumas coisas que ele passou na adolescência... simplesmente um livro muito incrível de ser lido, só queria ler toda a hora.
Talvez isso soe mais como um “motivos para ler ‘Os 8 Disfarces de Otto’”, mas fazer o quê se esse livro é realmente bom?
O principal fator que me deixou apaixonado pela história foi com toda certeza o quão humano Otto é apesar de seu super-poder. Essa não é uma história sobre um super-herói que segue uma fórmula e acaba sendo sempre alguém certinho. Não, Otto é um personagem que tem suas qualidades, defeitos e desejos constantemente apresentados ao leitor. Ele não deixa nada passar, ele não tem medo de ser vulnerável na frente dos outros e dizer o que realmente está sentindo quando se sente confortável. Ele ama, ri, chora, briga, se afasta, foge, encara. Ele é um adolescente tão real que é quase impossível não se ver nele. Eu me vi tanto nele que não tive outra opção além de me apegar. Mesmo quando ele estava sendo imprudente e cabeça dura, eu não conseguia deixar de torcer por ele.
Talvez por ele ser assim, a obra de Lola Salgado é uma história de romance e, acima de tudo, amadurecimento perfeita. Com maestria, a autora narra a caminhada de Otto de uma maneira leve e ao mesmo tempo profunda. Sua maneira de explorar todas as nuances do protagonista acontecem de forma gradual e fica impossível não investir na leitura dessa história. Mesmo com alguns capítulos parecendo grandinhos demais, há sentido no tamanho deles quando você observa a divisão da história.
Os outros três personagens que aparecem com frequência na história também tem seu espaço para brilhar durante a narrativa. Khalicy é minha favorita entre eles porque também consegui me identificar com ela, é a melhor amiga que todo mundo precisa ter em certo ponto da vida, para nos dar um sacode e nos mostrar que é melhor se arrepender do que não ter feito nada. Bruno é um amor, exceto quando [SPOILER].
[AGORA SIM SPOILER] Já Vinícius, que recebe seu próprio ponto de vista na parte dois – uma jogada muito inteligente da autora em termos de enriquecimento narrativo – do livro, é um personagem tão detestável, mas tão essencial ao mesmo tempo, que quase tive medo de que ele fosse receber alguma forma de redenção fofinha e vivesse feliz para sempre, mas até nesse quesito a autora conseguiu aprofundar o personagem sem necessariamente fazer com que tenhamos muita empatia por ele.
Para mais, o que posso dizer é que estou muito apaixonado pelo jeitinho da Lola de contar histórias. Há uma magia de slow-motion e uma névoa mágica que habitam esse livro, além do trabalho gráfico impecável que inclui imagens de cartas com os disfarces de Otto, que tornam tudo sobre ele encantador.
Se puderem e gostarem do gênero, leiam a história de Otto Oliveira, vocês podem se apaixonar por ele também.
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Otto, um adolescente branco e introvertido, vive uma vida comum, sofrendo bullying na escola. Sua única amiga, Khalicy, está sempre ao seu lado. No entanto, o que diferencia essa história é o fato de que Otto possui um superpoder: ele pode se metamorfosear. Apesar disso, ele deixa de usar esse dom para evitar mais problemas em sua vida. Até que, incentivado por Khalicy, decide usá-lo para conquistar seu amor platônico, Bruno.
A autora aborda questões raciais de forma perspicaz, inclusive ela incorpora o assunto de forma natural, direcionando-o ao leitor sem parecer forçado e com relevância para a história.
É uma obra que fala sobre empatia, autoconhecimento e amor próprio, deixando uma importante lição de autoaceitação. A história nos mostra que não adianta tentar ser outra pessoa para se encaixar em um determinado padrão, especialmente para crianças e adolescentes que enfrentam pressões e distorções de imagem nas redes sociais. O bullying também é abordado de forma racional, mostrando as motivações dolorosas que podem levar alguém a praticar violência, sem deixar de evidenciar a dor de quem sofre a agressão.
A sexualidade também é explorada na história, uma vez que Otto é um garoto gay. No entanto, essa questão não é tratada como um fardo. A trajetória do personagem e sua paixão pelo colega de classe não geram um impacto negativo tão grande em sua vida. Ele teme a rejeição, mas a autora optou por dar a Otto o apoio das pessoas que o amam, não importando sua orientação sexual. Estar sujeito à repressão social é difícil e triste, por isso histórias como essa, que mostram uma alternativa realista e possível, são muito positivas. Além disso, a autora habilmente responde às perguntas que pessoas heterossexuais costumam fazer de forma orgânica, desmanchando preconceitos homofóbicos que não fazem sentido.
Superestimei e muito esse livro. E paguei com a língua, felizmente. A Forma como o relacionamento do Otto e do Bruno é desenvolvido me deixo em uma montanha russa de emoções. Em meio a intrigas, quase redenções e muitos ataques cardíacos, sofri um pouco de tudo.
Primeiro encontro com a escrita da Lola, e amei a forma como ela consegue passar tudo com tanta fluidez e naturalidade, senti na pele as vezes; Sem falar que é um livro que deixar bastante aquele ''desejo de quero mais'', infinitamente! Que absurdo preciso de um spin deles para ontem, me apeguei demais para deixar passar.
É um livro bem escrito. É bastante envolvente e tem personagens bem cativantes. Consegui me ver bastante no Otto em alguns momentos. Embora suas ações pareçam burras pra mim, é totalmente condizente com a adolescência… Também fiz alguns bobagens assim pra conquistar um amor não correspondido como Otto.
A parte mais linda do livro, pra mim, é a passagem que Otto sai do armário pra sua mãe.
“E se aprendi uma coisa na vida é que não existe nada pior do que trair quem a gente é”.
O livro tem seus clichês, mas é algo esperado do gênero.
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