A Escambanáutica estreia 2022 com dois contos e um poema de Ficção Científica. Neste primeiro número, você encontra biopunk, cyberpunk e muita revolução. * "Revolução natural", de Juliane Vicente: Janaína é diarista num futuro em que os seres humanos tornaram-se híbridos e devem se esconder por baixo de vestes de proteção. Ao descobrir que está com câncer, e cansada das burocracias para ter acesso à cura, ela embarca em uma caravana. * "Por que continuar?", de Mariam Costa: Um poema que mistura mundos interno e externo na narrativa de uma viagem fantástica em direção a um destino misterioso. * "Rastros de Baby Blue", de Tatiana Faraújo: Judas da Silva é um funcionário exemplar. Vez ou outra, ele pode ter roubado algumas peças do barracão de construção de androides dos estadunisenses que instalaram um engenho de açúcar na sua cidade para planejar uma sangrenta vingança contra os patrões, mas nada demais.
"Revolução natural" me deixou genuinamente louca, mas de um jeito bom! Enlouqueci, pois um único conto não foi o bastante. Terminei a história pensando em como deveria existir mais, muito mais, sobre Janaína, sobre sua luta, sobre seus amores. Gostei muito, muito mesmo, mas fui incapaz de deixar para trás a sensação de insuficiência, porque não é uma história para um conto. Por favor, cadê o livro com no mínimo 300 páginas?!!
"Por que continuar?" me pegou de surpresa, pois eu estava em um clima totalmente diferente e aí capotei no poema. Bonito! Mas será que eu entendi?
"Rastros de Baby Blue" foi previsível, mas isso não estragou a experiência, apenas permaneci tensa, aguardando, imaginando, até o estopim. É uma história para refletir sobre limites, será que eu faria o mesmo? Será que eu teria essa coragem? Coragem ou loucura? Ou os dois? Definitivamente os dois.
REVOLUÇÃO NATURAL, de Juliane Vicente Adorei a ambientação, a história, mas não gostei tanto do final. Poderia ter sido diferente.
POR QUE CONTINUAR?, de Mariam Costa Acho que ninguém entende muito bem o que é poema.
RASTROS DE BABY BLUE, de Tatiana Faraújo Gostei da história, de como foi desenvolvida, o tema é bastante atual, mas a maneira catastrofista como foi lidada não me pega tanto assim.