Excelente antologia organizada por Mário de Andrade, não "aquele", senão Mário Pinto de Andrade, importante intelectual e ativista político angolano. Publicada em 1958, a antologia é aberta por um ensaio de Mário sobre descolonização; tem poetas de Cabo Verde, Guiné, S. Tomé, Angola, Moçambique e Brasil; e abunda em referências a pensadores do Atlântico negro e da negritude: Aimé Césaire, Langston Hughes, Nicolás Guillén, Léopold Senghor... Os grandes nomes do pan-africanismo pós-colonial.
Os poemas reunidos aqui variam bastante em estilo e tema, e vão desde cenas pitorescas e formas simples até longos e eloquentes cantos revolucionários. Em geral, a qualidade dos poemas é bem alta. Para alguém acostumado a ler o português do Brasil, com alguma familiaridade com o de Portugal, é delicioso ler os portugueses de Cabo Verde, Guiné, etc., com pequenos detalhes de entonação, sintaxe, vocabulário que fazem esses dialetos.