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Cidades Mortas

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Publicado em 1919, reúne 25 contos, entre escritos de juventude e textos posteriores. Neles, Monteiro Lobato retrata, de forma crítica e bem-humorada, os costumes provincianos dos povoados do interior do Brasil, relegados à decadência após um passado de prosperidade promovido pela cultura do café.

200 pages, Paperback

First published January 1, 1919

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About the author

Monteiro Lobato

466 books120 followers
José Bento Renato Monteiro Lobato (April 18, 1882 - July 4, 1948) was one of Brazil's most influential writers, mostly for his children's books set in the fictional Yellow Woodpecker Ranch but he had been previously a prolific writer of fiction, a translator and an art critic. He also founded one of Brazil's first publishing houses (Companhia Editora Nacional) and was a supporter of nationalism.

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10 (9%)
1 star
5 (4%)
Displaying 1 - 13 of 13 reviews
Profile Image for Rita.
908 reviews188 followers
March 16, 2019
Cidades Mortas é composto por 25 contos que retratam a decadência, após o declínio do cultivo do café, das cidades do Vale do Paraíba. Tal como em Negrinha e Urupês a ironia e a crítica social continuam bem presentes e afiadas.

No conto de abertura, Cidades Mortas, e que dá o nome à colectânea, Monteiro Lobato dá o tom e retrata aquele cenário onde:

“Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito.
Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrépito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes.”


Em A vida em Oblivion mostra como era patética a vida na cidade que se contentava em rodar os únicos três livros pela população.

"Os intelectuais de Oblivion bebiam à farta naquela veneranda fonte. Em Bernardo abeberavam-se de “estilo e boa linguagem”, conforme afirmou um; no Rocambole truncado exercitavam os músculos da imaginativa; e no Paulo de Kock, os eleitos, os Sumos (os que sabiam francês!) fartavam-se da grivoiserie permitida a espíritos superiores.
Essa trindade impressa bastava à educação literária da cidade. Feliz cidade! Se é de temer o homem que só conhece um livro, a cidade que só conhece três é de venerar. Veneração, entretanto, que não virá, porque o mundo desconhece totalmente a pobrezinha da Oblivion..."
Profile Image for Harvey Hênio.
635 reviews2 followers
February 2, 2022
Antes da minha humilde resenha vale a pena ler alguns exemplos da "fortuna crítica" em torno do livro "Cidades Mortas".

“A roça, as suas paisagens não são coisa de moça prendada, de menina de boa família, de pintura de discípulo ou discípula da Academia Julien: é da grande arte do nervoso, dos criadores, daqueles cujas emoções e pensamentos saltam logo do cérebro para o papel ou para a tela. Ele começa com o pincel, pensando em todas as regras do desenho e da pintura, mas bem depressa deixa uma e outra coisa, pega a espátula, os dados e tudo o que ele viu e sentiu sai de um só jato, repentinamente, rapidamente”.
Lima Barreto (1881/1922), escritor e jornalista em texto presente na quarta capa.

“Monteiro Lobato, crítico de arte, escritor, editor arrojado, intelectual envolvido com as questões fundamentais do país, nacionalista e admirador das doutrina fordista americana, defensor da nacionalização do petróleo, criador da literatura infantil entre nós, atravessa os tempos como expressão da situação dicotômica entre a inovação e o conservadorismo que continua constituindo o nosso país.
Indispensável ler seus contos pra compreender nosso país e conhecer a verdadeira história do modernismo no Brasil”.
Beatriz Resende, professora titular do departamento de letras da UFRJ, na apresentação.

“Requeremos leituras como a de “Cidades Mortas”. Livros que não peçam dicionários, nem uma paciência de Jó. Um livro leve, perfumado, airoso, de uma simplicidade perfeita, uma crítica irresistível aos costumes, uma ironia delicada, flexível, cortante, que sibila, que voa e que fere brilhando. [...] “Cidades Mortas” é um livro para ser lido nas horas calmas da sesta, amorável, humorístico, delicado. Quando terminei a leitura tive a impressão de ver um imenso lago tranquilo e sereno, todo azul, onde a malícia da Frase, de leve passa, e de leve esfrola”.
Luís da Câmara Cascudo (1898/1986), historiador, sociólogo, musicólogo, antropólogo, etnógrafo, folclorista, poeta, cronista, professor, advogado e jornalista brasileiro, em sua crítica ao livro “Cidades Mortas”.

O paulista, natural da cidade de Taubaté, José Bento Renato Monteiro Lobato (1882/1948) é uma das expressões máximas de nossa literatura. Escritor, crítico de arte e editor corajoso (foi o único no Brasil a publicar Lima Barreto quando quase ninguém nele acreditava), seu nome é quase que automaticamente ligado à literatura infantil, principalmente ao ciclo de histórias ligadas ao “Sítio do Pica-Pau Amarelo” já adaptado para várias mídias além dos livros e um grande sucesso. No entanto Monteiro Lobato, como é conhecido o escritor, tem uma produção que vai muito além de suas inegáveis contribuições à literatura infantil e vale muito a pena conferir o que existe “além do sítio”.
Desafortunadamente aquele que considero um dos grandes escritores da literatura nacional em todos os tempos, um esteta do nosso idioma, dono de um senso de humor mordaz, detentor de uma grande capacidade de observação da realidade em que ele então vivia e de um senso crítico que demolia sem dó nem piedade as instituições e tradições da época, encontra-se, hoje em dia, “cancelado” em função de um pretenso racismo que permearia as suas obras. É uma pena pois aqueles que preferem fingir que o grande escritor que Monteiro Lobato foi nunca existiu privam-se da experiência ímpar que é tomar contato com a grande literatura que ele produziu. E esse “cancelamento” torna-se mais nefasto ainda pois impossibilita até mesmo o debate, a discussão, a contextualização e a avaliação desse pretenso racismo que muitos insistem em identificar em sua obra. Creio piamente que essa “era do cancelamento” vai passar. Até lá paciência! Muita paciência!
Este livro – “Cidades Mortas” – faz parte, juntamente com “Urupês”, “Negrinha” e “O macaco que se fez homem”, de uma série de ótimos livros de contos lançados por Monteiro Lobato no período 1918/1923. Em todos eles o autor se propõe a esmiuçar a sociedade em que vivia e mostrar todas as suas mazelas com muita inteligência, muito bom humor, uma larga dose de mordacidade e largas quantidades de um arguto senso crítico que colocava em xeque as carcomidas tradições sociais, o atraso econômico e as carências educacionais e sanitárias que tristemente caracterizavam (e que ainda estão entre nós guardadas as devidas diferenças) o Brasil em que ele vivia.
Todas as narrativas são breves, dinâmicas, ótimas e de leitura obrigatória para todos aqueles que apreciam histórias bem contadas, mas destaco “Cidades Mortas” (história melancólica que descreve a morte de cidades que foram vítimas da marcha inconstante de nossos processos econômicos), “A vida em Oblivion” (conto mordaz que detalha o atraso educacional e a precária vida intelectual do interior brasileiro do início do século XX), “Cavalinhos” (cujo tema é a nostalgia da infância perdida), “O pito do reverendo” (simplesmente hilariante), “Pedro Pichorra” ( que mostra como a origem das lendas e superstições muitas vezes ocorre em função de acasos e coincidências), “Júri na Roça” (engraçadíssima história que mostra o “impacto” de um julgamento que mexe com a modorrenta rotina de uma pequena cidade), “O fígado indiscreto” (a mais engraçada das histórias que narra a desastrada “epopeia” de um tímido jovem que comparece a uma festa para fazer a corte à sua amada), “O espião alemão” (uma das mais engraçadas das histórias que mostra o impacto da eclosão da Primeira Guerra Mundial numa pequena cidade do Brasil) e “Café, café” (mordaz e melancólico conto que descreve o desastre provocado pela excessiva dependência de nossa economia em relação ao café no primeiro terço do século passado).
Apenas um senão. O grande Luís da Câmara Cascudo, numa crítica elogiosa que fez a “Cidades Mortas” afirmou que: ““Requeremos leituras como a de “Cidades Mortas”. Livros que não peçam dicionários, nem uma paciência de Jó”.
Concordo com o mestre na valorização da obra de Monteiro Lobato mas, muito provavelmente, o leitor atento de “Cidades Mortas”, nos dias atuais precisará (como eu precisei) de consultar amiúde um bom dicionário para acompanhar a contento as digressões e elucubrações do autor escritas num português impecável de mais de 100 anos atrás.
Excelente!
Profile Image for Klissia.
854 reviews12 followers
August 14, 2022
Coletânea de contos bem microscópicos sobre o período após a desvalorização do café como produto nacional de exportação nas grandes fazendas de São Paulo, que seguiu um período de decadência das suas cidades e modo de vida da gente da região. Numa fictícia Itapuoca Lobato narra os contos como um observador crítico e irônico da indolência da gente e povoado, seu cotidiano,linguagem, que não é muito distante da imagem que foi popularizada na figura do Jeca Tatu do Mazaroppi.
A verdade é que o Brasil já nasceu atrasado e isso outro escritor do mesmo período: Lima Barreto (admirado por Lobato ) soube descrever muito bem no excelente Policarpo Quaresma.
Venho tendo muita curiosidade em ler histórias brasileiras, seus lugares e gente ,então achei interessantíssimo está coletânea como um registro social de cidades e cultura cabocla raiz e coroneralismo dos interiores esquecidos que raramente se encontra intacta da modernidade cosmopolita em que vivemos.
É claro que o senhor Lobato era um homem moderno,porém alguma das suas observações podem soar ranzinza ou incômodos,but sao o que são, a natureza humana continua a mesma em 2022...
Profile Image for Marcele.
269 reviews1 follower
July 20, 2018
As críticas sobre a estagnação econômica sofrida pelas cidades - e pessoas - após o declínio da cultura do café são bem feitas, mas é difícil ignorar ou aceitar o racismo e preconceito em geral do autor.
5 reviews
February 4, 2024
Um desfile de resmungos, reclamações e preconceitos do talentoso escritor. Mas deve-se dizer que algumas crônicas são realmente interessantes.
Profile Image for Cas Rocha.
159 reviews1 follower
May 5, 2024
Péssimo. Nunca mais quero ler nada dele.
Profile Image for Gláucia Renata.
1,306 reviews41 followers
April 9, 2016
Publicado em 1919, essa coletânea de contos tem um tema central: trazendo como cenário em muitos deles as cidades fictícias de Itaoca e Oblivion, retrata a estagnação econômica dessas pequenas comunidades interioranas, na maioria das vezes tendo como causa a mentalidade tacanha de seus habitantes, temerosos das mudanças trazidas pelo progresso.
O sarcasmo e a pena afiada de Lobato dá o tom irônico e tragicômico dos relatos nem tão fictícios.
Contém 25 contos.


Histórico de leitura

88% (168 de 192)

"Coronel Antônio Leão Carneiro Lobo de Souza Guerra, ou simplesmente Nhô Gué chegou àquele alto posto militar pela razão estratégica de colher para mais de dez mil arrobas de café."

17% (32 de 192)

"A folhinha inventou-a algum boticário do interior para uso de sua cidade-aldeia, onde correm os dias tão iguais e parecidos que só por meio dela podemos distinguir uma segunda duma terça ou quarta-feira."

7% (13 de 192)

"Na roça de Bernardo (Guimarães) os prados são amenos, os vergéis floridos, os rios caudalosos, as matas viridentes, os píncaros altíssimos, os sabiás sonorosos, as rolinhas meigas. Nossas desajeitadíssimas caipiras são sempre lindas morenas cor de jambo."

4% (7 de 192)

"A quem em nossa terra percorre tais e tais zonas, vivas outrora, hoje mortas, ou em via disso, tolhidas de insanável caquexia, uma verdade, que é um desconsolo, ressurte de tantas ruínas: nosso progresso é nômade e sujeito a paralisias súbitas."
Profile Image for Jefferson Costa.
15 reviews17 followers
February 5, 2015
Livro de Contos de Monteiro Lobato que retrata o modo de vida das cidades que sofreram com a decadência do café no final do século XIX e início do século XX. O livro propicia um estudo do modo de vida do país logo após o declínio das atividades cafeeiras, dando uma idéia do caos que foi gerado em todos os âmbitos sociais e políticos.
O linguajar do livro é bastante rico e por muitas vezes há de se recorrer ao dicionário para decifrá-lo. Em alguns contos a leitura flui porém em outros faz-se necessário um olhar mais minucioso.

Meus contos preferidos: Cidades Mortas de 1906,O fígado indiscreto de 1904 e Café! Café! de 1900
Profile Image for Carlos Hugo Winckler Godinho.
203 reviews7 followers
March 17, 2016
Os contos da metade para o fim me cativaram mais do que os outros, apesar de serem estes primeiros os que tem mais coerência entre si e que estão mais ligados ao nome da coletânea . Achei sensacional o Café, Café; até pela minha proximidade com o tema. Também o último foi bastante interessante por ter relação com uma polêmica recente levantada a respeito da nossa dieta e como prejudicamos os animais. Falando em animais, destaco por último o conto sobre o Chimpanzé que bate a cabeça e sua relação com Deus.
Profile Image for Laura.
7,134 reviews607 followers
December 23, 2015
Monteiro Lobato descreve neste conto o marasmo que observou durante suas andanças pelo interior do Brasil durante a decadência do ciclo do café. O autor faz uma análise crítica e relata como as cidades ficaram abandonadas depois que onda verde dos cafezais migrou rumo a solos mais férteis. O conto deu título ao livro, lançado em 1919.
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