Neste instigante percurso pela história da psicanálise, Renato Mezan compartilha com estudantes e especialistas sua paixão pelos estudos de Freud e seus sucessores, estabelecendo relações entre as diversas escolas de psicanálise. Em um texto erudito e fluente, faz uma detalhada análise dos textos fundamentais de Freud e de cartas trocadas por ele com Ferenczi, Abraham, Jung e Fliess, além de discutir alguns desdobramentos do tronco freudiano em Winnicott, Klein, Bion e Lacan. Munido de vasta bibliografia e anos de estudo e ensino da psicanálise dentro e fora da universidade, o autor articula as vertentes conceitual, histórica e epistemológica, não tomando nenhuma corrente como verdade absoluta, mas identificando em Freud os fundamentos das principais escolas posteriores. Em 2015, O tronco e os ramos recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Psicologia e Psicanálise.
Renato Mezan convida o leitor a percorrer a obra freudiana conseguindo mostrar toda a atualidade e rigor do inventor da psicanálise e o percurso que consolidou as bases dessa prática clínica. Entendemos com o livro não apenas a relação entre as diferentes escolas psicanalíticas, como também o vínculo delas com Freud e da própria psicanálise com o universo da ciência, tanto quanto como ela se insere na denominada 'querela dos métodos'. Nessa aprendizagem, há, portanto, elementos para se acompanhar a discussão acerca do valor científico da psicanálise e o quanto ela é ainda hoje importante, não devendo ser negligenciada.
“No que se pode verificar que a regressão foi de fato reparadora? A resposta tem a ver com o que Ferenczi julga ser o objetivo do tratamento: se o indivíduo se tornou capaz de aceitar a cota de desprazer que a vida impõe a todos nós, e de “buscar a felicidade lá onde ela é possível”, isto é, no convívio com outros seres humanos".