O novo romance de João Tordo conta-nos a história de um homem à deriva, enredado nos seus fantasmas e obrigado a enfrentar a mais terrível das acusações.
Aos sessenta anos, o romancista Jaime Toledo enfrenta vários problemas. Não escreve há uma década, foi diagnosticado com cancro e, de repente, dá por si no epicentro de um escândalo. Escritor de renome em Portugal, a polémica lança-o para o abismo - sem carreira, sem dinheiro e sem casa, com os livros a ganhar pó nos armazéns, depois de banidos pela sua editora, toma uma decisão radical: deixar tudo para trás e mudar-se para um barco decrépito, fundeado nas docas de Lisboa. É no Narcisse - um minúsculo barco mágico -, na companhia de uma velha guitarra e de um cão chamado Sozinho, que Jaime procurará devolver o sentido à sua vida, reconciliando-se com o passado: as relações conturbadas com as mulheres, o abandono da escrita, a culpa que o corrói.
Até que, um dia, a aparição de uma figura do passado mudará tudo, desviando a narrativa para um lugar inesperado. Estará nas mãos de Jaime decidir se este naufrágio é o fim ou um caminho para algo novo.
Naufrágio é um corajoso romance sobre o amor e as relações entre os sexos, uma reflexão sobre a memória e a culpa, e as linhas difusas que definem as fronteiras pessoais, sociais e morais. Através de Jaime Toledo, João Tordo traça o perfil de um homem em busca da redenção possível, num mundo mais rápido a julgar do que a refletir, e onde é mais fácil condenar do que estender a mão.
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.
João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.
Já li metade da obra de João Tordo. Até poderia esperar que fosse mais um livro que fosse adorar, claro. E até já nem espero menos que isso. O autor já me habituou a ter a fasquia elevada e fui para esta leitura com as expetativas bem elevadas.
É uma história não atual e envolvente que o difícil mesmo é não gostar. Está lá tudo o que eu gosto de encontrar na escrita de Tordo, envolvência, obscuridade e escrita de alta qualidade. Ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer a personagem Jaime Toledo, mas como adorei conhecê-la. E o que mais gostei, a cereja no topo do bolo foi toda a intertextualidade que está presente ao longo de toda a história. Tordo é um mestre do intertexto.
Até então a minha obra preferida era "A Mulher Que Correu Atrás do Vento". Pois agora foi destornada por esta. Simplesmente magnífico!!
Naufrágio de João Tordo é um romance muito corajoso sobre as relações entre Homens e Mulheres , uma reflexão sobre a memória e a culpa, e as linhas muito tênues que definem as fronteiras pessoais, sociais e morais. João Tordo traça o perfil de um homem mergulhado num buraco negro em busca da redenção possível, num mundo mais rápido a acusar do que a refletir, e onde é mais fácil condenar do que estender a mão . Este livro léva-nos a pensar , no valor que damos ou deixamos de dar ao Não , no respeito pelas vontades dos outros e até que ponto isso será importante para nós no momento . A parte final do livro é de cortar a respiração. Um Livro á João Tordo
Sentimentos contraditórios. Não sei o que dizer em relação a este livro.
Houve algumas coisas que gostei, outras nem por isso. João Tordo escreve bem, isso é inegável, mas acho que não gostei deste livro por aí além. E admito que o final me desconcertou um bocado.
João Tordo é sem dúvida o meu escritor português favorito e este Naufrágio vem consolidar de forma exímia o seu trabalho e o seu percurso. Um livro fantástico, sobre um tema bastante actual, que foca pontos de extrema relevância. A escrita do João continua irrepreensível e senti que este livro estava um pouco menos descritivo que outros, o que a meu ver o tornou ainda mais fantástico.
Já li todos os livros do João Tordo. Este é um dos meus preferidos.
O protagonista, o romancista Jaime Toledo, está num processo de autodestruição. Ao longo deste livro acompanhamos este homem no seu Naufrágio, o paciente zero de um escândalo que cancela vários artistas. Ao mesmo tempo, acompanhamos Alice, a testemunha do que se passou.
Este é um livro sobre a empatia, a culpa, as relações conturbadas entre os sexos, o julgamento público, uma sátira do tribunal online.
"Às vezes, inventamos o mundo, não é? Ele acontece tal como acontece, dizemos, mas esse lugar é enformado pela nossa dor. Quantas vezes nos lembramos de alguma coisa que, sonhada, imaginada, se tornou real, as suas feridas e cicatrizes ainda presentes no nosso coração - e quantas vezes as recordamos, ainda que nada tenha acontecido como na nossa memória e os outros recordem tudo de maneira diferente?"
Para mim, foi sempre muito difícil iniciar a abordagem do trabalho de um autor que a mim muito me diz. Como começar, em que refletir, que suposições serão importantes para a compreensão da narrativa? Sinceramente … não sei. Apenas sei que, na minha perspetiva, este livro é, claramente, o melhor da sua já extensa biografia para um homem tão jovem. Em que mais nos poderá surpreender? Apenas ele saberá!
“Naufrágio”, trata-se, literalmente de um “naufrágio”. Não como o entendemos por força de numerosa literatura e de imensos exemplos cinematográficos. Trata-se, antes, da submersão da alma em algo para o qual não estávamos, nem nunca estivemos preparados: a insustentável dor do eu! Do seu desfasamento da realidade, da sua aleatoriedade na construção de um destino pesado pelo fracasso, pelo desinteresse, pelo inalienável destino que, por vezes, nos coloca em posições absolutamente inconcebíveis. Mas não é isso o sumo da vida?
Mas deixando as abstrações das minhas conclusões, das etapas das minhas congeminações, das ideias concebidas (ou pré) do que esta narrativa me acrescentou, passemos para as asserções mais significativas: esta história, soberbamente contada, nos relata a amargura de um escritor de meia idade que, no mais profundo deserto e aridez literária (já não escrevia um livro há tempos), nos revela todas as suas idiossincrasias num relato absolutamente pungente nas relações sociais e profissionais do protagonista. Quando lemos uma narrativa escrita na primeira pessoa, temos sempre a tendência em pensar que é a realidade do autor. Não me parece, pois, acho que João Tordo, embora utilize as mesmas iniciais, nada tem a ver com Jaime Toledo. Pelo menos, não é assim que o vejo … na narrativa, o escritor, na pujança da sua vida, recusa-se a continuar. Quando diz, logo no início, que “não saber amar é castigo suficiente” está a defender-se de quê, concretamente? De não saber amar a si, aos seus amigos, aos seus leitores, a todos aqueles que saltitam à sua volta? “Naufrágio” é uma narrativa de culpa, esquecimento, submissão, mas, sobretudo, de redenção. “Quem nunca pecou que atire a primeira pedra”.
Para mim, trata-se de uma história, no mínimo polémica. Talvez polémica nas intenções do autor que nos mostra uma realidade de uma elite artística, mas nem sempre razoável ou interpretável nas situações que nos coloca.
É verdade que Jaime Toledo abusou da sua mitra de bispo literário. Que fez sofrer muitas mulheres ingénuas, inseguras nas suas possibilidades artísticas. Mas até que ponto, elas também não são responsáveis pela criação do arquétipo autor/artista/intérprete? Assim como Rolando ou Rafael nas suas transgressões, este é um mundo de várias e variegadas excentricidades. O que mais me tocou? A aproximação do autor ao magnífico quando de Caravaggio, “David com a Cabeça de Golias” em que o artista barroco se sobrepõe às duas personagens pois Jaime Toledo apresenta-se com as duas feições: a do carrasco e a da vítima.
O texto, carregado de referências literárias, desde a Michel Houellebecq, a Emmanuel Carrère (cujo “Yoga” fará parte das minhas leituras futuras, so help me God), consiste numa luta entre o ser, o não ser, o egoísmo de quem tudo pode, a aceitação de quem tudo não pode – e aqui refiro-me ao poder da persuasão, da sedução de quem nada tem a perder sobre alguém que não gostaria de ter nada a perder.
“No reino animal, também não existe amor – ou pelo menos aquilo que chamamos “amor”, essa entidade abstrata que invade as nossas imaginações, que surge, por vezes, do desespero ou do encontro improvável de almas feridas. É algo intuído, espiritual: os animais copulam, os humanos fazem amor; os cães andam em matilha, nós vivemos juntos em famílias – por causa do amor. Um homem e uma mulher partilham os anos, a idade, a decadência do corpo e da mente, escreve m cartas e deixam recados silenciosos, zangam-se e fazem as pazes, lutam por deixar de lutar, por aceitar o outro com os seus insuportáveis defeitos; os homens e as mulheres escrevem livros sobre o amor humano, essa coisa sem carne nem sombra”.
Só uma alma que partilha a dor do ser que carrega o peso do mundo com a temperança da vida, poderia experimentar tamanha profundidade. Como não me canso de dizer, como é possível a João Tordo, tão jovem ter a perceção da enormidade da vida com todas as suas desgraças.
Muito mais haveria a dizer sobre este extraordinário livro, do quanto me tocou, com o qual me identifiquei na sua profundidade. A única coisa que tenho a dizer e para terminar é … obrigada João. Quer tenha sido uma experiencia vivida por ti, quer te tenhas apropriado da de uma outra pessoa, fica a saber que, para mim, este teu livro é o melhor da tua já vasta bibliografia.
Gostaria de expressar momentos de cumplicidade com tudo o que foi narrado, mas não consigo. Mas também não dramatizo. Tudo tem o seu tempo e a sua desculpa para acontecer.
João Tordo é dos melhores autores portugueses da atualidade. Um livro com uma história intensa, profunda, mas, a cima de tudo, bonita. Sem dúvida dos melhores livros que li este ano. "A serenidade está algures no epicentro da tormenta, que acabamos por aceitar o inaceitável e por amar aquilo que não pode ser amado - que a ausência de esperança é uma forma de esperança, por assim dizer; que a paciência surge quando toda a paciência se esgota."
Um escritor de meia idade que publicou mais de 20 livros que tiveram bastante sucesso, principalmente junto do público feminino, mas que deixou de escrever há cerca de 10 anos, vivendo dos rendimentos que os livros que escreveu lhe proporcionam. Em pouco tempo a sua vida altera-se de forma drástica. É-lhe diagnosticado um cancro e, algum tempo depois, é acusado de assédio sexual por várias mulheres com quem se relacionou no passado. Estes dois acontecimentos vão mudá-lo drasticamente. Li quase todos os livros do João Tordo e, a maior parte deles, foram leituras que me prenderam, com enredos e personagens bem elaboradas. Não posso dizer o mesmo deste livro. Achei-o aborrecido, cheio de ideias feitas e não me consegui ligar à história nem ao protagonista. A reviravolta final é, na minha opinião, forçada e lembrou-me o fim de um outro livro do autor. Foi uma desilusão.
A escrita de Tordo é sublime, não há qualquer dúvida. Para mim, ele é um dos melhores autores portugueses e gosto sempre de ler os seus livros.
Jaime Toledo é um personagem muito intenso, decompõe-se em inúmeros fragmentos, tem pensamentos belíssimos e profundos. Porém, são tantos os fragmentos e tantos são os cacos que, depois, é difícil de os juntar a todos. E creio que esse é o propósito. Gosto da “aura negra” que o livro tem, mas, ainda assim, não mexeu comigo. Aquele final deixou-me desapontada e, acho que injustamente, fez-me avaliar o livro de forma negativa.
Compreendo e aceito que este possa ser O livro do autor; há aqui muita profundidade. Mas, para mim, ficou aquém das expectativas.
O protagonista de facto naufraga, como nos apercebemos pelo título, quando é confrontado com toda a sua vida de escritor famoso e mulherengo. Jaime Toledo assediou e manipulou mulheres mais jovens e inexperientes. Temos mais um protagonista egocêntrico que se retira do mundo para expiar o seu pecado para com as suas semelhantes. O final, que não revelarei, pareceu-me um pouco decepcionante, com recursos que já usara antes na trilogia de Elias Gro, Cecília Fluss e Lars D. É um romance que se lê de um jacto, muito pertinente na conjuntura actual.
Sou suspeita em relação aos livros do João Tordo pois desde o Hotel Memória que nunca mais o "larguei" e é incrível como as suas histórias, personagens, os temas abordados, a narrativa, me levam a sentir uma panóplia de emoções, diferentes às vezes até opostas mas sempre tão profundas. Naufrágio é mais um exemplo dessa riqueza! Obrigada João Tordo, mais uma vez!
Se pudesse daria 6 estrelas a este livro! Excepcional! Uma livro de uma grande profundidade que não nos deixa sair aprtir do momento em que entramos. Um dos melhores livros de Tordo! Ao autor o meu muito obrigada!
Ler "Naufrágio" foi como dar de caras com um amigo de quem tinha saudades. A sensação de agarrar neste livro e perder-me durante horas neste enredo, traz-me agora dias após terminar a leitura um sentimento de nostalgia. Jaime Toledo a nossa personagem principal. Escritor de renome em Portugal, as livrarias repletas com os seus livros, mesmo que o próprio não escreva um livro há mais de dez anos. Jaime acaba por comentar com o leitor que a escrita abandonara-o, mas não se trata de uma preocupação para ele: inesperadamente, acaba por ser um alívio para Toledo. Jaime que na história vê-se confrontado com dois problemas graves: doente e acusado de assédio. Ao longo de toda a narrativa tive de sublinhar diversas passagens, por vezes argumentar com as personagens nas margens do livro. "Naufrágio" é uma obra que assim que terminámos sentimos logo vontade de reler. Uma história cheia de emoções, com personagens marcantes. Despedir-me de Jaime Toledo foi complicado, foi como ter de despedir-me de um amigo de longa data que nunca mais veria. Uma história do naufrágio de um homem que tinha tudo e que num abrir e fechar de olhos tudo perdeu. O próprio personagem chega à conclusão de que feliz é aquele que nada tem a perder, pois nada tem a temer. Naufrágio, sem precisar pensar duas vezes, foi a minha leitura preferida deste ano. Não só pelos momentos que fiquei agarrada a pensar nesta história, mas por todos os momentos após terminar que ainda não parei de pensar no livro.
... Este é o @joao_tordo que conheço do "Bom Inverno", o João que cria personagens que provocam em nós sentimentos díspares, conseguimos sentir Amizade, orgulho, compaixão e ao mesmo tempo asco, pena, irritação constante e sempre pela mesma pessoa... E o final... O final é sublime!! Este é um, muito sólidas, 5 🌟, ficará muito próximo de ser O livro de 20/23!!! Boas leituras 📙 📚 📙 📖
Gosto de um romance que seja de fácil entendimento, direto, em que a narrativa não tenha muitos subterfúgios, flua, como este romance de João Tordo. Jaime Tordelo é um homem de meia idade que sofre um bloqueio de escritor quando a doença irrompe o idílio que tinha começado com uma nova vida. Um telefonema desvenda um movimento associado a um outro maior que o tinha como protagonista. E a empatia que se sentia muda na medida da percepção da história quando Alice surge na narrativa. Inquieta como um bom romance o deve fazer para conduzir à reflexão.
Naufrágio. É mesmo disso que se trata. Um afundamento. Um mergulho profundo em que não se sabe se volta à tona. E o leitor sabe o que se passou porque tem uma perspectiva privilegiada. A ignorância no desfecho prende a esta narrativa. Enfim... Um romance bem conseguido que não é amargo, sombrio ou denso. E é disso que gosto nos últimos romances de JT.
Há algum tempo que esperava por um livro assim deste autor :) Leitura rápida que me prendeu desde o início, adoro este tipo de personagens decadentes que o João constrói. História bem construída e cativante, com alguns lapsos temporais em que passa demasiado tempo sem que isso se perceba (o que estranhei um pouco). O final para mim não foi inesperado, mas este livro é sobre um processo e, portanto, o caminho é muito mais importante. Não lhe dou as 5 estrelas porque faltou "aquele bocadinho assim" para mexer comigo.
A história de um escritor isolado com cancro e que tem de lidar com os erros que cometeu do passado. A culpa e o remorso fazem com que ele se afaste de todos, e acabe por ir viver num pequeno barco na companhia de um cão e um jovem francês. Gostei do capítulo "Alice", dos poucos que senti empatia pelo narrador e dos quais entende-se verdadeiramente dos abusos que Toledo está sendo acusado. Mas não consigo simpatizar com o protagonista, por mais que ele esteja disposto a mudar e se encontra arrependido do modo como tratou ás mulheres com quem se envolveu.
Naufrágio foi um livro que me incomodou. E isso, por um lado, é bom. A boa literatura é a que incomoda, faz pensar.
Curiosamente, o livro surge exactamente no mesmo momento em que uma investigação jornalística denúncia os casos de assédio na faculdade de direito.
João Tordo numa entrevista que: "o livro é menos sobre o assédio e mais sobre as consequências de certo tipo de comportamento."
Jaime Toledo é um predador, um vampiro emocional que suga a vida das suas vítimas. Que faz uso do seu poder para subjugar as suas vitimas e que, depois de mastigar, as descarta, deita fora.
E isso tem graves consequências. Esta violência psicológica, este abuso faz com que estas pessoas quebrem, que se anulem, que (lhe) sobrevivam, mas que percam a sua alegria de viver.
João Tordo pergunta: "é possível a redenção?"
Jaime Toledo toma consciência das suas acções, mas penso que apenas parcialmente e nunca em pleno. Há muito a dizer sobre isso, mas não quero entrar em "spoilers".
O livro leva-nos ainda a reflectir sobre a cultura de cancelamento que surgiu associada ao movimento #MeToo.
Devemos ou não distanciar o autor da sua obra? Alguns exemplos: Woody Allen (acusado de pedofilia) e os seus filmes, Polanski (acusado de violação) e os seus filmes, Morrissey (acusado de racismo, xenofobia, misoginia, supremacia...) e a música dos The Smiths, Isaac Asimov (acusado de sexismo e de assédio sexual) e os livros da saga Foundation, J.K. Rowling (acusada de transfobia) e os livros de Harry Potter, Picasso (acusado de misoginia) e os seus quadros.
Separar a obra do autor ou cancelar o artista e a sua produção cultural?
As redes sociais e os media ajudaram a promover o movimento #MeToo e a que ficássemos mais informados sobre as vidas privadas de muitas personalidades ligadas à arte e à cultura, algo que não acontecia antigamente.
Isso faz com que nós, individual ou colectivamente, fiquemos com a responsabilidade de definir o que é que ainda tem valor como arte, face a todas as polémicas.
Para terminar, dizer apenas que achei o final do livro um pouco "preguiçoso". Nem sempre é fácil dar um final a uma personagem complexa e a um tema complexo, mas penso que João Tordo já nos provou que tem capacidade para mais e melhor.