Benjamim Tormenta, detetive do oculto da Lisboa oitocentista, é o homem a quem recorrer quando surgem mistérios que mais ninguém ousa investigar. A capital do império português continua a ser uma cidade cheia de segredos e perigos, mas desta feita é chamado ao Porto devido aos avistamentos horrendos no nevoeiro que cobre a cidade de madrugada. E também é chamado ao Egipto, pelo próprio vice-rei, para resolver uma praga que aflige aquela nação milenar e que lança o bruxeiro na aventura mais mortífera da sua vida.
Mas os maiores horrores para descobrir talvez sejam aqueles ocultos no passado misterioso do detetive, bem como os do demónio milenar que o habita. Prepare-se para uma viagem inesquecível ao ano de 1874, onde as trevas escorrem de cada fresta.
"Estamos perante um fenómeno único da literatura fantástica nacional e da própria literatura portuguesa." -Luís Filipe Silva, autor de Terrarium
Luís Corte Real fundou a Saída de Emergência em 2003. Desde então criou a Coleção Bang! (que lança em Portugal os melhores autores de fantástico da atualidade e muitos clássicos) e a Revista Bang! (uma publicação semestral e gratuita dedicada à fantasia, FC e horror). Também editou autores como a Nora Roberts e Mark Manson, mas vocês não querem saber disso. As paredes de sua casa estão ocupadas por todo o tipo de livros, banda desenhada, manuais de Dungeons & Dragons e Call of Cthulhu, jogos de tabuleiro, action figures e mais caixas de Lego do que aquelas que consegue montar. O Deus das Moscas Tem Fome é a sua primeira obra — uma espécie de X-Files na Lisboa de Eça de Queiroz, com influências que vão de H. P. Lovecraft e Arthur Conan Doyle a Mike Mignola.
O Deus das Moscas Tem Fome foi uma leitura bem agradável, apesar de ter estranhado e sentido algumas dificuldades iniciais com o ritmo e o estilo de escrita. As expetativas para este segundo volume iam ao encontro do que senti no primeiro e a verdade é que fui positivamente surpreendido. Ele supera-o em qualidade narrativa e tem ilustrações igualmente apelativas.
Ajuda que me tenha familiarizado com a escrita do Luís Corte Real, uma homenagem propositada a Eça de Queiroz. O Portugal do século XIX, repleto de mistérios por resolver e demónios ao virar da esquina, torna-se extremamente credível com a roupagem apresentada pelo autor, mas não foram essas as únicas variáveis que me deixaram satisfeito.
O livro começa com um prefácio de Bruno Anselmi Matangrano, um autor e estudioso brasileiro que conheço vagamente das redes sociais e que acaba por espelhar ali um pouco o que qualquer um que conheça o mercado lusófono e o trabalho do Luís Corte Real em particular consegue concluir. Depois vêm os contos. O primeiro foi engraçado mas não me deslumbrou; Um Tigre-de-bengala no Chiado é protagonizado por Raj, o criado de Tormenta.
Um dos que mais me empolgou foi A Mulher Gorda que Sussurra. Com um ótimo sentido de humor, criaturas bem imaginadas e uma excelente execução, no decorrer da leitura disse a mim mesmo que seguramente este conto seria o meu preferido do livro. Isso foi porque não tinha lido Assim Falou a Serpente, uma noveleta com ares de Indiana Jones que nos transporta para o Antigo Egipto e nos faz conhecer melhor Lamashtu, o demónio que habita o herói.
Assim como no primeiro volume há um autor convidado; desta feita foi Luís Filipe Silva com Crónica de Uma Morte Implacável. Tal como aconteceu com Anabela Natário no volume inaugural, o conto é muito bem escrito mas não acrescenta nada ao livro nem consegue ser tão interessante como as histórias bem contadas por Corte Real.
A Noite É Escura e Cheia de Horrores é outro conto pouco relevante. Embora o título nos remeta a George R. R. Martin, ele é dedicado a Robert E. Howard e conta em poucas páginas o regresso da Irmandade da Serpente Verde. No entanto, bastam dois contos excelentes e que ocupam a maioria das páginas para colocar este livro num patamar superior. Assim Falou a Serpente foi uma leitura das boas.
Gostei muito do primeiro livro, "O Deus das Moscas tem Fome", mas adorei este. Aventura e ação com descrições maravilhosas - uma verdadeira viagem ao passado.
Uma leitura do fantástico que mistura mistério e lHistória. Uma leitura viciante que nos leva a viajar para outros tempos sem necessidade de mala 😉. Gostei e recomendo. Para quem gosta de enredos cheios de surpresas por vezes arrepiantes e viajar no tempo...por cá e " por lá"... Parabéns ao autor Luís Corte Real, pela escrita e pela "viagem" nas também pela transmissão de informação histórica de uma forma fantástica mágica.
Se já tinha adorado o primeiro livro, O Deus das Moscas Tem Fome, as expectativas para um possível segundo livro eram altas. Assim Falou a Serpente superou tudo o que já esperava e ansiava por voltar a ler.
Os contos voltam repletos de mistérios, ação, personagens sombrias; a narrativa volta a ser um dos destaques que me tinha feito gostar tanto do primeiro livro; incríveis os detalhes históricos a cada parágrafo; voltam a existir os momentos-chave muito bem posicionados na história, entrando sempre na altura certa, com as descrições certas, com todo o suspense e densidade nas palavras e reviravoltas cheias de surpresas.
Bem construído, com uma fluidez que me cativou logo desde o início com o conto «Um Tigre-de-Bengala no Chiado», com Raj como personagem principal, um elemento forte nas histórias, e em jeito de opinião pessoal que me cativa bastante, consegue suportar a história sozinho com um carisma muito sólido. Todos os contos tem o seu toque especial, uma linguagem própria, o exemplo disso é o conto «Assim Falou a Serpente», magnífico de detalhe histórico com que nos habitou Luis Corte Real no primeiro livro, uma viagem incrível pelo antigo Egito aliado a surpreendentes e misteriosas aventuras, mistérios e revelações.
Voltou a ser um prazer seguir as aventuras de Benjamim Tormenta, um livro que adorei e recomendo vivamente. Venham mais!!
Acabei o primeiro livro, "O Deus da Moscas Tem Fome", com um grande sorriso no rosto. Adorei. E este sentimento, trouxe-me algumas dúvidas no que haveria de esperar de um próximo livro... Estaria à altura do primeiro volume? Pois bem, Luís Corte Real manteve a qualidade. Com um final frustrante por querer saber mais e não ter respostas! Avaliei o último livro com 5 estrelas, apontando apenas um ponto negativo, que foi o conto do autor convidado. Desta vez, achei o conto do autor convidado bastante original e curioso. Talvez, por se desligar um pouco da forma como o autor principal escreve e focar-se mais na sua escrita. O ponto menos positivo deste livro foi o facto de, no último conto, Assim Falou a Serpente, Luís Corte Real encarnar um pouco Eça de Queiroz e descrever em demasiado pormenor o Egipto. Percebo a ideia, porque, sinto que estive, efectivamente, no Egipto dessa época. Mas, desta vez fez achei um pouco demais, quando havia muito do conto por absorver. A Lisboa e o Porto oitocentistas foram também descritas em detalhe, mas, foi mais corrido. Fico à espera do terceiro! Eu preciso de respostas!
As aventuras do Benjamin Tormenta ficam mais interessantes a cada conto.
Neste volume há que ressaltar três histórias que acompanhei com imenso deleite. O Tormenta depressa nos habituou a ver o caro Ramanujan como o prestável multifacetado que não passa despercebido, contudo neste volume conseguimos expandir e redefinir a personagem à medida que a acompanhamos. Uma das mestrias do Luís Corte Real é colocar o leitor no local da ação; tenho a dizer que acompanhar o Porto (que vejo quase todos os dias) pelas aventuras do Tormenta foi um imenso prazer. Mais de dez anos a passar com frequência por aquelas ruas e agora revejo mentalmente umas páginas do livro sempre que passo pela Torre dos Clérigos. O conto que dá nome ao livro permite-nos conhecer outra face de Lamashtu.
O cuidado com os detalhes e as referências cuidadosamente plantadas para os leitores descobrirem são fantásticas.
Tal como no volume anterior as ilustrações do autor são excelentes.
Mais um volume recheado de contos apaixonantes e altamente viciantes. De Lisboa ao Porto, de Lisboa ao Egito, Tormenta e a Serpente enfrentam novos perigos, e são visitados por velhos inimigos que rastejam pelos cantos das páginas, neste segundo volume do Detetive do Oculto português. Sem surpresas, o meu conto favorito foi o último, e espero ansiosamente por notícias positivas da parte do bruxeiro. Luís Corte Real tornou-se, e embora com apenas dos livros lidos, um dos meus autores portugueses favoritos. O futuro sabe que continuarei a devorar as suas obras, sejam elas novas aventuras de Benjamim Tormenta ou algo totalmente diferente.
Que bom que foi reeencontrar o Benjamim Tormenta e companhia.
Assim como o livro anterior, este está dividido em contos. O meu favorito foi o último, passado quase inteiramente no antigo Egito. Consegui facilmente visualizar os locais, as pessoas e a atmosfera e fui absorvida pela narrativa. Fez-me imenso lembrar as aventuras do intrépido Indiana Jones e achei o final arrasador, por isso aguardo ansiosamente pelo próximo volume.
Só senti falta do nosso querido demónio, Lamashtu e do seu sentido de humor negro. Lamashtu esteve mais escondido e mais calado do que no livro anterior.
Gostei do protagonismo dado a Raj, o criado do nosso detetive num conto em que ele é a personagem principal. Espero ler a sua história e conhecer o seu passado.
Não posso deixar de mencionar um outro conto “A mulher gorda”. Apesar de também ter gostado, tive pena de não ter percebido todas as referências. Já que é dedicado ao livro “Uma família inglesa” de Júlio Dinis. Quando ler este famoso clássico da nossa literatura irei com certeza reler este conto.
As histórias do Luís são maravilhosamente detalhadas e imersivas e merecem ser lidas e apreciadas. Se procuram uma leitura diferente, não procurem mais.
Terminei finalmente o 2º livro e isto merece realmente uma serie na Netflix. Não esperava que as histórias fossem tão negras, lembrando o tema Lovecraftiano de puro terror e loucura, apesar do nosso estimado Tormenta estar preparado mentalmente para a loucura do desconhecido, mas os que têm o azar de o seguirem terão o mesmo destino que as personagens nos contos de Lovecraft.
Escrita sublime e queirosiana. Lutas épicas. Descrições assombrosas que nos fazem mergulhar em Lisboa, no Porto e no Egipto do século XIX, fruto de uma pesquisa histórica diligente e minuciosa da parte do autor. Adorei e fico a aguardar o próximo volume.
A passear pelo Chiado entrei na FNAC e me deparei com o segundo volume do nosso amigo Tormenta. Ja se tinham passado algums anos e, claro, nao perdi a oportunidade de o levar comigo. Passei bastantes horas a matar saudades do Tormenta e do Raj, a passear com eles pela Lisboa da sua era, a tentar (sem sucesso) recriar os passos que eles davam pela cidade, etc.
Mas a estrela do contos esta vez, para mim, nao foi o Tormenta mas sim o "criado pardo" que teve um conto por sua conta. Nao deixo spoilers, apenas digo que para alem de elegante, e um badass e nao queria problemas com ele! As aventuras nao ficaram por ia e ainda houve mais accao para fora de Lisboa e mais nao digo.
O livro mais uma vez nos pinta uma imagem feita de palavras tao viva que quase permite saborear o ar da cidade e o cheiro dos petiscos! Gostei imenso!
"Assim Falou a Serpente", o segundo livro de contos sobre as aventuras do detetive do oculto português, Benjamim Tormenta é, na minha opinião, uma obra superior em todos os sentidos quanto à sua predecessora. Exceto os contos dos convidados. Esses continuam mirabolantes, e não acrescentam nada à história em comum com os outros contos do autor (e ainda por cima, o conto deste livro foi escrito por Luís Filipe Silva, um dos autores de "Terrarium"). Quanto aos restantes, exponho a minha opinião abaixo.
"Um Tigre de Bengala no Chiado": Para conto introdutório, é mais calmo, revelando um pouco mais sobre a personagem Adama Ramanujan, criado fiel de Benjamim Tormenta, que suja as mãos para proteger o seu mestre, apesar de a sua relação ser equiparável à de uma mãe severa com o filho reguila (sendo Raj o primeiro e Tormenta o segundo).
"A Mulher Gorda que Sussurra": como sou um homem do Porto, aprecio o cuidado das descrições que o autor fez sobre a cidade Invicta desse tempo, e ainda mais a trama, que engloba uma investigação sobre monstruosidades a matarem gente pela cidade, a corrupção desenfriada e um climax maravilhoso no topo da Torre dos Clérigos.
"A Noite é Escura e cheia de Horrores": Ao contrário dos outros contos nesta obra, considero este uma ponte para acontecimentos futuros, com a Irmandade da Serpente Verde a apoderar-se de provas que comprovam a longa vida de Tormenta (que mais se assemelha à maldição do quadro de Dorian Gray, ou talvez seja uma comparação idiota).
"Assim Falou a Serpente": Este último conto ocupa metade do livro. Podia ser uma novela à parte, sendo que tem mais de duzentas páginas, mas é de longe o melhor conto que o autor já escreveu. Até agora. O conto é uma mistura de "A Sombra sobre Innsmouth", do nosso querido H.P. Lovecraft (pelo menos os monstros, referidos como os "Povos do Mar") com Indiana Jones e o filme de "A Múmia" (por estar ambientado no Egipto). Foi bastante interessante ver as personagens Salomé e a belíssima duquesa Felícia reaproveitadas do conto "O Sangue que os Velhos Bebem", tendo as duas um papel de maior destaque, ao qual estavam mais que prontas.
Se recomendo esta esmerada jóia da literatura portuguesa atual? Sem dúvida!
Mais um excelente volume, que dá continuidade às aventuras do enigmático Benjamim Tormenta, adorei, tal como no volume anterior, não consegui conter a ânsia de ler tudo até ao fim, soberbo, digo mais é de estalo! Falo por mim, mas penso poder falar pelos restantes leitores, ávidos de mais aventuras de desvendar o que fica em suspenso, queremos mais! Obrigado por mais esta pérola.
Gostei muito de todos os contos, não consigo eleger um favorito. Acho que logo o primeiro abre o apetite de forma inteligente. Não é um livro de leitura fluida, tem bastante descrição, quase como se estivéssemos a ler um filme. O Tormenta não desilude e creio que voltará.