Em Esperança feminista, Debora Diniz e Ivone Gebara – duas das principais vozes do feminismo brasileiro – se encontram para pensar a ação feminista a partir de doze verbos políticos e poéticos. As autoras trazem o estranhamento de uma conjugação patriarcal naturalizada, a celebração da alegria feminista e uma vida de desobediência criativa ao patriarcado e suas tramas.
Debora Diniz Rodrigues (known as Debora Diniz), is an anthropologist and law professor at the University of Brasilia, and a co-founder and researcher at Anis: Institute for Bioethics. She is also a researcher, writer and documentary filmmaker. Her research projects focus on bioethics, feminism, human rights and health. She was a visiting researcher at the University of Leeds, the University of Michigan, the University of Toronto, among other institutions.
By 2016, Diniz had received about 90 awards, including scientific and academic awards for her films at festivals, including the Fred L. Soper Award for Excellence in Public Health Literature, the Pan American Health Organization, in 2012, for the publication of her National Abortion Survey. In 2020 she was honored with the Dan David Prize.
Her research found that one in five Brazilian women had an abortion by age 40.
In 2017 she published Zika: From the Brazilian Backlands to Global Threat (Zed Books).
In March 2022 she was amongst 151 international feminists signing Feminist Resistance Against War: A Manifesto, in solidarity with the Feminist Anti-War Resistance initiated by Russian feminists after the Russian invasion of Ukraine.
A quantidade de sofrimento que nutre livros como esse tem me impressionado. É infinita a lista de desconfortos e injustiças, enumerados a cada capítulo. Especialmente, nos trechos de Debora Diniz. Certamente, não é uma tarefa fácil ser teórica do feminismo em busca do conserto do mundo. Ivone Gebara possui uma visão mais leve, com suas análises etimológicas e históricas.
A ideia dos verbos para orientar os textos é boa e confere uma ordenação consistente ao livro. Gostei da sacada do verbo “reparar”, inclusive.
Por outro lado, a caracterização do “patriarcado” como a origem e fim de todo mal nunca me soa bem. É o equivalente a culpar a “sociedade” por seja lá o que for. Essas entidades imateriais e acéfalas, incapazes de intenção, são metáforas que muitas vezes parecem se tornar instituições materiais em meio ao discurso.
A luta contra esses seres fantásticos parece ser real apenas quando aspectos pontuais são destacados e proposições diretas são feitas. Mas, mesmo assim, a aspiração parece ser mais real do que a prática. E talvez isso seja o bastante.
É, sem dúvidas um livro excelente, com autoras excepcionais, mas confesso que senti um certo incômodo em alguns capítulos escritos pela Debora Diniz, pois tive a sensação que, em alguns trechos, a autora parecia pisar em ovos, como se o público alvo da obra fosse os usuários do finado Twitter, e que portanto, a autora se sentisse na obrigação de se justificar a todo momento, para evitar um “cancelamento”. Uma parte que incomodou, por exemplo, foi quando a Debora, num dos capítulos, fez uma analogia a abelhas, mas logo se adiantou em pedir desculpa, por soar, segundo ela, especista. Achei forçado. Muito diferente da escrita da Ivone Gebara, que para mim, foi muito mais envolvente, tanto que a maioria da minhas marcações foram de trechos dela. O livro traz boas reflexões e apesar das duas escreverem bem e terem bastando conhecimento sobre a temática, a Ivone traz uma escrita muito mais atrativa.