Em Noite Sem Fim, segundo volume de Vida Censurada, descreve-se o período do Estado Novo entre 1941 e 1954, uma época de profundas mudanças no mundo... com excepção de Portugal. A Ditadura portuguesa permanecia imutável e avessa às transformações, em particular, aos ventos democráticos que começaram a soprar pela Europa do pós-guerra.
Decorria o ano de 1941. O mundo assistia, em pânico, ao avanço das Potências do Eixo. A Alemanha Nazi, liderada por Adolf Hitler, parecia imbatível. E os Aliados recorriam a uma rede de espionagem para conseguirem obter alguma vantagem no combate a tão temível e poderoso inimigo.
Por sua vez, em Portugal, António de Oliveira Salazar mantinha-se inexcedível, esforçando-se para que o Estado Novo se adaptasse a todas as mudanças que iam ocorrendo na Política Mundial.
O Estado Novo era uma Noite Sem Fim e não havia sinais da aurora.
Francisco Ramalheira é professor, gosta de jogar à bola com os amigos e de comer tudo aquilo que acrescenta tecido adiposo. Quem o conhece diz que é um pouco distraído. Quem o conhece bem, sabe que «pouco» é um eufemismo. Tem uma cadela, chamada Luz, e dois gatinhos, a Farrusca e o Ranhoso, não sendo da sua responsabilidade o processo de batismo deste último.
O escritório da sua humilde habitação está repleto de todo o género de livros (incluindo de banda desenhada), videojogos e jogos de tabuleiro. É para lá que vai quando quer abandonar a civilização.
É o autor do podcast «Ora Eça», no qual conversa com várias personalidades do mundo literário português.
Posso ter nascido uns bons anos após o Estado Novo, mas Salazar é um nome por todos os portugueses conhecido. Para além das histórias que a minha bisavó costumava contar, todos os anos há o tão falado 25 de Abril, onde vemos comemorações desmedidas sobre uma tal "liberdade" da qual a maioria de nós não tem noção do que é. Uma das coisas que este livro me mostra é isso mesmo: que eu própria (portuguesa, estudante, professora) crescendo e vivendo rodeada de informação, sou uma grande pessoa sem noção. Não faço a menor ideia do que é não viver em liberdade nem tinha ideia das reais experiências de quem teve o azar de crescer nesta ditadura. A Escola não nos conta nem um quinto e, falando enquando professora, nem um quinto transmiti aos meus alunos. Focamo-nos tanto em celebrar "a liberdade", que nos esquecemos de focar no que não é ser livre. Comemoramos a Revolução dos Cravos, rimos um bocadinho, agradecemos pelo bem merecido feriado, mas, principalmente para as gerações mais recentes, que cresceram após a ditadura, não passa de uma celebração inconsciente. Falta a informação. O conhecimento. Mais do que saber que existia censura, os dias exatos das revoluções, que as pessoas eram presas por se opor ao regime, ou o nome do nosso querido António de Oliveira Salazar. Falta o tanto que este livro nos mostra: a pobreza, as prisões, as torturas, as perseguições, os responsáveis pela miséria, o papel de cada membro da sociedade, a desconsideração pela mulher, a discriminação sexual, as injustiças sociais, a segunda guerra mundial...
É um livro bem escrito e estruturado. Um trabalho extraordinário do Franscisco, enquanto escritor e "motor de busca", que conseguiu, não só, incluir os factos históricos mais importantes e relevantes, como os interliga de forma natural com a história do João e do Toni, os nossos personagens principais. Sem esquecer, está claro, aquela pitada de humor que, se não existisse, nem seria a mesma coisa.
Posso dizer-vos que nunca consegui ler em autocarros. Carros. Veículos. Qualquer meio de transporte, na verdade. Mas o "Noite Sem Fim" teve o condão de me fazer ultrapassar os meus usuais enjoos, só porque ler mais um capítulo não era suficiente.
"Noite sem Fim" é o tão esperado segundo volume da Saga "Vida Censurada". O terceiro é para quando, mesmo?
Que livro incrível, o seguimento perfeito para o livro "Vida censurada". Este livro levou-me para lugares fabulosos e que eu gosto tanto, lugares cheios de história. Recheado de factos verídicos baseados na história de Portugal (e eu que adoro a nossa história) mas também da segunda guerra mundial. Adorei as personagens e estava sempre curiosa para saber o que iria acontecer com João Maia, Toni, Frasco, Madalena, Maria Maia, Popov... Este livro foi muito apaixonante e desconcertante, agarrou-me completamente simplesmente não queria que terminasse. As histórias eram magníficas e sempre bem estruturadas, como já me tinha habituado o autor. E aquele final!!!!💣 Adorei Francisco e quero mais! Cá espero as próximas aventuras da luta de João Maia.
Logo no primeiro capítulo, este autor demonstra a sua mestria na arte de nos apertar o peito com a mais premente e sensível das situações e, logo a seguir, fazer-nos esboçar sorrisos, com os alívios risonhos de certas personagens que, de certo, carregam nelas o lado humorístico de Francisco Ramalheira. 🏠 Sendo um romance histórico, é normal maravilharmo-nos com a extensão de conhecimento e pesquisa por detrás da história que nos é contada, mesclando a ficção com a realidade, mas sendo bastante fácil perceber, nalgumas partes, onde se distanciam. ❤️ Tive só pena de este volume não ter terminado no ano de 1974 e de ter sentido, nas páginas finais, um ditar de História (embora importante), em vez da preocupação com o leque de personagens com as quais me habituei a preocupar e esperar pelo melhor. Continuo a adorar a surpresa de ver personagens históricas serem mencionadas nesta obra da saga "Vida Censurada" (que é também o título do seu primeiro volume) e espero, com alguma ansiedade, que o autor decida continuar com a mesma, até ao fim do fascismo em Portugal, local onde pensei que esta segunda parte terminaria. 💔 A saga não pode terminar assim, certo? CERTO? No fundo, adorei as personagens e envolver-me nas suas difíceis mas esperançosas vidas e histórias e quero ver o final feliz, apesar de sofrido, que merecem, com o chegar do 25 de abril de 1974. Sei que tal apresenta alguns desafios, agora que o autor mudou de casa editorial, mas espero que aconteça, mais dia menos dia.
Espero bem que este não seja o último livro!🥺 ◇o estudo da História é importantíssimo para não cometermos os erros do passado◇ . Review time📚 Este é o 2°livro que leio do escritor @franciscoramalheira_autor visto que é a continuação de "Vida Censurada" e é outro livro para a minha listinha de livros que todos deveriam ler! 🌍 Para além de ser um livro com um enredo próprio, também é uma obra que retrata parte da História, neste caso a 2° Guerra Mundial, e super recomendado para aqueles que querem saber mais de como era viver em tempos de opressão, perseguição e restrição de liberdades. 🌍 Se vocês gostam de espionagem, aventura e luta por uma causa, este livro é super indicado para vocês 😎 🌍 Não se esqueçam de que como este livro retrata muitas das atrocidades cometidas durante a 2°Guerra Mundial podem não se sentir aptos para ler, por isso tenham atenção. 🌍 Fascismo nunca mais!✊️ ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️(5/5)
Já disse que preciso ASAP do fim desta triologia? É porque preciso mesmo de saber com a história destas personagens irá terminar 🥰
𝙊 𝙦𝙪𝙚 𝙢𝙖𝙞𝙨 𝙜𝙤𝙨𝙩𝙚𝙞
Adora a escrita do Francisco que tanto o caracteriza e confere outra envolvência à narrativa. Adorei a como ele foi introduzindo novas personagens e como distribuiu o foco por elas sem deixar de lado o nosso João e o nosso Toni. Adorei a articulação entre a parte ficionada e a verídica - foi exímia. Adorei aprender um pouco mais sobre a ditadura portuguesa e sobre a II Guerra Mundial. E adorei muitas outras coisas que não posso dizer porque são spoiler 😊
𝙊 𝙦𝙪𝙚 𝙢𝙚𝙣𝙤𝙨 𝙜𝙤𝙨𝙩𝙚𝙞
Apenas duas coisas sendo que uma é spoiler e, por isso, não vou revelar . Acho que o fim poderia ser mais empolgante e mais em aberto para o 3º volume. Ainda assim sei que o Francisco vai surpreender na mesma!
Continuação de "Vida Censurada", "Noite Sem Fim" continua a revelar-nos uma época de prisões, torturas, corrupções, gente má, mas também de sonhos, pessoas boas e altruístas, pessoas que puseram o bem comum à frente do seu bem estar. As personagens de "Vida Censurada" crescem, evoluem. É um livro que nos emociona mas que também tem a sua dose de ternura. Juntamente com o primeiro livro, todos os deviam ler. Temos de conhecer o passado para não o repetir no futuro. Obrigada Francisco Ramalheira, por todos os seus livros?
Tendo crescido em Portugal, há anos e anos que ouço falar do Estado Novo e de Salazar. Lendo este livro, fiquei chocada com a quantidade de informação que não é passada nas escolas acerca deste período negro da história de Portugal! Por exemplo, como é possível que o papel da mulher seja tão pouco explorado nas salas de aulas? Ou que Salazar seja elogiado por ter aumentado exponencialmente a riqueza de Portugal, sendo que isto se deveu, na sua maioria, à exploração do povo português? Ou que Salazar tenha feito as suas maiores cedências à causa desumana de Hitler, e não à dos Aliados, para poder manter a suposta neutralidade durante a Segunda Grande Guerra? Como é possível que não existam livros de leitura obrigatória acerca deste período da História!?
Estou incrivelmente entusiasmada pelo próximo volume, que imagino que vá abordar a fundo a história colonizadora de Portugal nos países africanos durante este período, História esta que é tantas vezes ignorada na sua gravidade. Sou acérrima defensora de que a nossa História não deve mergulhar a fundo apenas nos grandes feitos dos revolucionários da Nação, mas que deve explorar, em igual medida e, talvez, com redobrado fervor, as atrocidades pelos nossos antepassados cometidas e que tanto impacto tiveram nos países do felizmente extinto Império Português... Da mesma forma que é importantíssimo manter viva, na memória coletiva, os horrores do Estado Novo, é igualmente importante que se mantenha viva a memória de um Portugal colonizador, pois estes horrores também não podem, de forma alguma, ser descurados. Estou, portanto, a contar com o Francisco para que nos traga um próximo volume da saga tão informativo - e recriminador - como este!
Aprendi mais com este livro acerca dos conflitos da Segunda Guerra Mundial do que com o ensino obrigatório na escola básica, e isto alimenta muito a minha crença de que existe uma necessidade de reforma no currículo da disciplina de História na escolaridade obrigatória, pois qual a forma mais eficaz de garantir que a História não se repete? Inculcando, nas mentes jovens, a noção dos horrores e consequências da História já vivida.
Quanto ao livro em si: li-o mais como o livro informativo do que como um romance - o que não me incomodou, porque valorizo imenso a minha aprendizagem. E, quando essa aprendizagem é acompanhada de uma escrita de leitura compulsiva e de personagens de que gosto, então mais motivos existem para a valorizar. No entanto, o meu único problema com a ficção histórica do Francisco é o facto de eu querer sempre passar mais tempo com as personagens, porque sinto que o tempo que realmente passo com elas não é suficiente... Quero que o próximo livro se foque mais nestas personagens de que tanto gosto: mais interações, mais conversas sentidas, mais momentos felizes, mais reencontros que me deixem com uma lágrima no olho e um sorriso na cara. Quero mais informação acerca de tudo, mas também quero um foco maior na vida interior de cada uma das personagens. Quero um deep-dive no colonialismo, no papel do PCP (atualmente, um partido político tão ridicularizado pelo povo e descurado pela imprensa, mas tão incrivelmente importante na conquista da liberdade e dos direitos básicos do povo). Quero passar mais tempo com o João, a Maria e a Madalena, e com o Toni e o conde Tovar. Quero mais, mais, mais.
Conclusão: Um livro que valorizo pelo conhecimento que me deu, mas que, no fim de contas, me soube a pouco.