»Eine mitreißende Biografie, die den Platz der Frauen in einem Paris der Männer zeigt.« (Le Figaro)Suzanne Noël (1878–1954) ist eine der wichtigen Feministinnen des 20. Jahrhunderts und eine Wegbereiterin der plastischen Chirurgie. Sie kämpfte für das Recht auf Selbstbestimmung der Frauen ebenso wie für das Frauenwahlrecht und ihre eigene Unabhängigkeit. Mit 19 Jahren heiratet Suzanne Noël einen Arzt und zieht mit ihm nach Paris, in die vor Leben sprühende Metropole Frankreichs zu Beginn des vergangenen Jahrhunderts. Doch ihr Dasein als Ehefrau langweilt sie schnell. Und so macht sie, was nur wenige Frauen ihrer Zeit Sie schreibt sich an der Sorbonne ein, studiert Medizin. Suzanne Noël wird eine der brillantesten Ärztinnen Frankreichs. Sie operiert Männer, die im Ersten Weltkrieg entstellende Gesichtsverletzungen erlitten. Und bald auch Frauen, die unter den Schönheitszwängen leiden. Suzanne Noël wird so zu einer Hoffnungsfigur ihrer Zeit.
Leïla Slimani is a French writer and journalist of Moroccan ancestry. In 2016 she was awarded the Prix Goncourt for her novel Chanson douce.
Slimani was born in Rabat, Morocco and studied later political science and media studies in Paris. After that she temporarily considered a career as an actress and began to work as a journalist for the magazine Jeune Afrique. In 2014 she published her first novel Dans le jardin de l’ogre, which two years later was followed by the psychological thriller Chanson douce. The latter quickly turned into a bestseller with over 450,000 copies printed within a year even before the book was awarded the Prix Goncourt.
Não conhecia a história de Suzanne Noel, a primeira mulher cirurgiã plástica. Uma mulher que usou as suas capacidades não só para tornar as mulheres mais bonitas, mas também utilizou a cirurgia plástica para uma vertente social. Ajudar os soldados da primeira guerra mundial, que regressavam desfigurados, devolvendo-lhes um aspeto menos grotesco e a vontade de viver. E ajudar também as pessoas que, por serem pobres, não conseguiam ter acesso a cuidados de estética que seriam imprescindíveis para conseguirem ter um trabalho e deixarem de ter vergonha do seu ar. No meio disto tudo, também foi uma defensora dos direitos das mulheres, da sua liberdade, alguém que pôs o seu saber ao alcance de todos. Uma mulher notável, apesar da vida privada cheia de desaires!
Sejam o coração palpitante do mundo, a luz dos vossos países, as inspiradoras, as antigonas dos homens. Suzanne Nöel
Juntamente com a escultora Anna Coleman Ladd, Suzanne Nöel ocupa uma posição cimeira no que respeita à ação social da reconstrução facial, tendo ambas sido igualmente sensíveis aos efeitos psicológicos da desfiguração causados pela ação devastadora da Primeira Guerra Mundial. Enquanto Anna Ladd trabalhava em segundo plano, criando próteses removíveis que facilitavam a vida dos soldados desmobilizados, Suzanne Nöel aperfeiçoava as técnicas cirúrgicas para lhes proporcionar uma solução permanente. As inovações fomentadas pela Primeira Guerra Mundial ultrapassam, no entanto, o âmbito da reconstrução cirúrgica, e Suzanne foi uma das profissionais que mais contribuiu para o desenvolvimento da cirurgia estética, nomeadamente a petit operation - hoje amplamente difundida e praticada - que daí adveio. O que torna a sua posição particularmente interessante é a sua convicção no poder emancipatório da cirurgia, assente na ideia de que a beleza pode ser uma ferramenta de empoderamento feminino - uma atitude de vanguarda que antecipa o pioneirismo das teorias feministas da segunda metade século passado. A ajudar à sua causa, podemos dizer de Suzanne que era filantropa e revolucionária (já que, a par de lutar contra a discriminação de género, lutava contra o estigma dogmático que censurava qualquer intervenção sobre aquilo que era considerado a obra de deus). Envolvida nas questões de ordem social e de assistência pública, Suzanne dedicou-se, ao longo da vida, a múltiplas obras sociais e caritativas, ao movimento sufragista e operário, bem como à criação do clube Soroptimist, primeiro em Paris e, mais tarde, em Amesterdão, Berlim, Estocolmo, Viena, Istambul e várias outras capitais europeias e asiáticas. Empreendedora, mestra e presença frequente em congressos e palestras, Suzanne assumiu novo papel de destaque durante a Segunda Guerra Mundial, ao praticar um tipo de cirurgia que procurava ocultar a morfologia judaica (altamente estigmatizante durante a ocupação nazi) e, posteriormente, uma cirurgia voltada para a reinserção social, apostada na recuperação do trauma dos campos de concentração e das torturas vividas durante o regime.
Esta é a história de Suzanne Nöel, a história que Slimani elegeu para a sua novela gráfica, com maior ou menor detalhe. E trata-se de uma escolha ousada, mesmo para os dias de hoje. Ainda assim, senti que a narrativa, alimentada por um texto algo singelo, era conduzida pelo grafismo. É aí, ao nível do código de imagens, que vejo a sua força. É este que faz de Nas suas mãos uma obra particularmente interessante, de tendência clássica franco-belga, atraente e cinematográfica (muito graças ao enquadramento das vinhetas, ao uso de planos detalhados dramáticos e a cortes abruptos no tempo e no espaço). São o traço expressivo e o uso de cores quentes (que, em momentos-chave, se aproximam da carnação) que conferem a esta obra uma sensibilidade que também resulta da influência de grandes pintores e correntes artísticas que vão surgindo ao longo do livro, servindo de inspiração aos seus artistas e à sua heroína. De qualquer forma, seja pelo texto, pela imagem ou, melhor ainda, pela sua junção, vale a pena reencontrar ou ficar a conhecer Suzanne Nöel, mais uma na galeria de mulheres inesquecíveis.
PT Em 2025, só a ignorância pode levar alguém a pensar que a banda desenhada é coisa de crianças.
Adoro este tipo de romances gráficos que nos dão a conhecer figuras e eventos da nossa história que não são amplamente conhecidos.
Foi um prazer descobrir Suzanne Noël e acompanhar a sua vida extraordinária – não isenta de erros, mas quem tem uma que seja?
Não sendo particularmente entusiasta da indústria da cirurgia plástica, reconheço o seu valor. Queiramos ou não, por mais que se diga que o que importa é o interior, a verdade é que o exterior continua a ter um peso significativo. Além disso, é fascinante perceber os avanços necessários nesta área, nem sempre com fins meramente superficiais.
Claro que esta grande história não seria possível sem as autoras Leïla Slimani e Clément Oubrerie, que conseguiram criar uma obra cativante e de leitura envolvente.
Recomendo!
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EN In 2025, only ignorance can lead someone to think that comics are just for children.
I love this kind of graphic novel that introduces us to figures and events from our history that are not widely known.
It was a pleasure to discover Suzanne Noël and follow her extraordinary life – not without its mistakes, but who has a life that is?
I'm not particularly enthusiastic about the plastic surgery industry, but I recognize its value. Whether we like it or not, no matter how much we say that what matters is what's inside, the truth is that appearance still holds significant weight. Moreover, it's fascinating to see the advancements required in this field, not always for merely superficial purposes.
Of course, this great story wouldn’t be possible without authors Leïla Slimani and Clément Oubrerie, who have managed to create an engaging and immersive read.
Biografia ficcionada de uma mulher que viveu no início do século XX e que soube desafiar as regras de um mundo em que os homens dominavam. O argumento de Slimani é suficientemenre interessante e os desenhos, ainda que sem traços "limpos", não deixam de revelar um grande domínio artístico e gráfico de Oubrerie.
Que história maravilhosa, não conhecia a Suzanne Noel, uma mulher incrível e inspiradora. Este livro fez me olhar de forma diferente para a cirurgia plástica! acabei este livro a chorar de emoção.
4/4.5 Really incredible for the most part. Just not sure how I feel about the girlbossyfication of plastic surgery in some parts. But that's a whole ass topic I don't know how to feel about anyway so can't really expect a graphic novel to solve that problem in a couple pages.
Gostei bastante da obra e adoro ler este tipo de bandas desenhadas! Esteticamente (ahah) muito bonito o livro (spoiler alert mas adorei o quão belo e bem retratado foi a perda de visão). Tenho as minhas opiniões sobre cirurgia estética e não isso que importa, mas foi muito interessante e inspirador ler sobre a história de vida da primeira cirurgiã plástica e toda a luta que ela teve e papel nas guerras e na vida das pessoas. Sem dúvida recomendo a leitura!
Pese embora o seu pioneirismo na cirurgia estética e reconstrutiva, a História parece ter-se esquecido de Suzanne Noël (1878-1954). E, todavia, ela foi uma verdadeira percursora daquilo a que mais tarde viríamos a conhecer como lipoaspiração, devolvendo beleza – e anos –, tanto a mulheres que não se sentiam bem com o seu corpo (a actriz francesa Sarah Bernhardt terá sido um dos seus casos de maior sucesso), quanto aos muitos sobreviventes da I Guerra Mundial que, com o “rosto quebrado”, beneficiaram dos seus conhecimentos na recuperação da imagem e consequente possibilidade de uma reintegração social plena. Mas não foi apenas no campo das ciências que Suzanne Noël se notabilizou. Dedicando grande parte da sua vida à defesa dos Direitos Humanos, fundou o primeiro clube soroptimista francês, abraçando o movimento sufragista e lutando pelo direito ao voto das mulheres. Hoje, as cartas constitutivas dos novos clubes soroptimistas são concedidas em nome de Suzanne Noël e existe uma bolsa de estudos com o seu nome, contribuindo para a especialização médica em Cirurgia Plástica.
Resgatar a figura de Suzanne Noël, a sua influência no seio da academia e o muito que acrescentou a uma especialidade mal vista pelos pares e cuja vertente estética chegou a ser proibida por lei, terá sido um dos valores que levou Leïla Slimani a escrever sobre esta mulher de uma forma tão próxima. O outro terá tido a ver com o seu pendor de feminista convicta, aí se revendo na luta de Suzanne Noël contra o preconceito e pelo reconhecimento do seu trabalho numa sociedade particularmente misógina. Do nascimento de Suzanne Noël em Laon, no seio de uma família burguesa, à divulgação empenhada dos princípios do soroptimismo que mobilizaram todas as suas forças numa fase mais avançada da sua vida, passando pelo seu casamento e posterior divórcio com o dermatologista Henri Pertat, os trabalhos com o Dr. Morestin em Val-de-Grâce e com o Professor Brocq no Hospital Saint-Louis, um segundo casamento com André Noël, a morte da sua filha Jacqueline e posterior suicídio de André, a sua entrega à causa feminista e as múltiplas solicitações para palestrar em todo o mundo, de tudo isto Leïla Slimani dá conta com rigor biográfico e uma enorme sensibilidade.
Não deixa de ser surpreendente que Leïla Slimani tivesse optado por uma banda desenhada para falar de uma das suas heroínas, demonstrando que a sua escrita pode afastar-se dos tons carregados que a povoam e que tão bem se distinguem em livros como “O Perfume das Flores à Noite”, “No Jardim do Ogre” ou “Canção Doce”. A escritora mostra um apurado domínio dos tempos inerentes ao desenho, deixando espaço aberto à imaginação, só em parte preenchida pelo trabalho de ilustração de Clément Oubrerie. Se, com frequência, “tropeçamos” em momentos narrativos brilhantes e plenos de humor- a conferência de Raymond Passot face a uma plateia hostil, os primeiros dias de Suzanne e Jacqueline no apartamento de Montmartre, as recomendações à Dra. Irène Duval antes de Suzanne partir em viagem -, não menos frequentemente damos conta de “cartões” de uma enorme expressividade e beleza - uma aula do Dr. Brocq no teatro anatómico, Suzanne e os colegas a atravessarem a praça de um quarteirão de Paris, uma panorâmica do “serviço dos babam-se todos”. Um livro que se lê com redobrado interesse e que, combinando a arte da escrita e a arte da ilustração, recupera a imagem de uma mulher muito à frente do seu tempo, cujo exemplo de coragem e empenho é um farol nos dias que correm.
Saber que existia esta Graphic Novel escrita pela Leïla Slimani e traduzida pela Tânia Ganho fê-la entrar directamente para o topo da minha whishlist. Confesso que desconhecia quem era Suzanne Nöel e esta biografia pareceu-me muito bem conseguida e completa. Que vida fascinante a dela!Uma mulher muito à frente do seu tempo.
Cirurgiã plástica numa altura em que a profissão era maioritariamente exercida por homens, feminista e uma lutadora pelos seus direitos, como mulher livre, e pelos direitos das mulheres, a quem reconhecia todo o direito a fazer uma operação estética para se sentirem melhor consigo próprias. Suzanne desde cedo mostrou que queria ir o mais longe possível na luta pela emancipação da mulher. Lutou contra preconceitos e pelo direito ao voto. Foi pioneira na cirurgia estética e reconstrutiva sendo que no início do séc XX é uma especialidade considerada perigosa e desnecessária.
Foi uma boa surpresa conhecer a vida desta médica.
As ilustrações bonitas mas são maioritariamente em tom escuro, carregadas mais ainda quando a palavra escrita sugeria uma situação mais pesada.
Não conhecia a história de Suzanne Nöel e é, de facto, impressionante. A luta pelo conceito de fim social da cirurgia estética, a luta feminista, a tragédia da vida pessoal… Adorei as ilustrações. Não adorei a 100% o texto, sobretudo quando há transições de cenários da vida de Nöel, que acho que não foram tão bem conseguidas.
Biografia em formato de Novela Gráfica de Suzanne Noël uma pioneira da cirurgia estética e reconstrutiva, em França, numa altura em que a mesma não era bem aceite (início do século XX) e também uma lutadora pela afirmação dos direitos das mulheres. É uma vida e uma história bastante variada e interessante mas não apreciei muito o desenvolvimento do argumento (embora seja de uma escritora reputada e premiada – Leila Slimani) pois é pouco elaborado e algo simplista. Em termos do desenho Clement Oubrerie está alguns pontos acima embora não o considere extraordinário.
Heute habe ich wieder mal eine Graphic Novel für euch: „Eine freie Frau – Das außergewöhnliche Leben der Suzanne Noël – Ärztin. Feministin-. Hoffnungsträgerin“ von Leïla Slimani.
Die französische Erfolgsautorin hat sich auf die Spuren einer absoluten Vorreiterin begeben: Anfang des 20. Jahrhunderts, in einer Zeit also, als Frauen noch für ihr Wahlrecht kämpfen mussten, entschließt sich Suzanne, Medizin zu studieren. Als plastische Chirurgin behandelt sie u. a. Kriegsversehrte und kämpft Zeitlebens für die Anerkennung ihrer Fachrichtung sowie zunehmend für die Frauenbewegung.
Die Autorin führt chronologisch durch Suzannes Leben und zeichnet dabei auch ein Bild der damaligen Gesellschaft und vor allem vom Status der Frauen. Ich konnte mich gleich sehr gut in die Protagonistin einfühlen und habe mit ihr gehofft und gebangt, auch wenn ich nicht all ihre Handlungen nachvollziehen kann, insbesondere in Bezug auf die Erziehung ihrer Tochter, wobei das natürlich auch im historischen Kontext zu sehen ist.
Die Illustrationen von Clément Oubrerie gefallen mir größtenteils gut. Sie sind realistisch und aussagekräftig und erzählen zusammen mit den Texten von Slimani eine interessante Geschichte. Was in meinen Augen nicht zum übrigen Stil passt, sind die kindlichen Darstellungen der Seelen der Toten, hingegen gut gelöst finde ich die Veranschaulichung der Beinahe-Erblindung Suzanne Noëls.
In einem gekonnten Zusammenspiel von Text und Bild wird uns das Leben einer wichtigen Frau Anfang des 20. Jahrhunderts erzählt, das Mut macht und inspiriert.
Uma banda desenhada sobre a vida da médica revolucionária, Suzanne Noël, refletindo o seu importante papel na medicina estética e a sua luta pela emancipação da mulher.
Eigentlich ist diese Geschichte ein tolles und inspirierendes Beispiel für junge Frauen und deren Bewegung für ihre Rechte. Leider wurde sie durch den Schreibstil für mich aber schnell trocken, einige Sprechblasen wirkten völlig nebensächlich während mir andere Informationen sehr gefehlt haben. Zudem stehe ich der Haltung gegenüber der Plastischen Chirurgie, insbesondere als wie hier dargestellt eine "Befreiung der Frauen" für kritisch.
Ich habe nicht erwartet, dass das Graphic Novel mir so gut gefallen würde! Von Suzanne Noel habe ich davor noch nie gehört, sah das Buch aber mal online empfohlen und wurde neugierig. Ich nahm sehr viel daraus mit und ihr Leben in einem Graphic Novel wiederzuerzählen war eine sehr gute Idee. Noel war eine inspirierende Persönlichkeit und in meinen Augen sollten mehr Leute dieses Buch lesen.