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Linguagem da Destruição: A Democracia Brasileira em Crise

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Uma análise do bolsonarismo sob o prisma da história, da filosofia e da ciência política.

Partilhando a ideia de que o plano de poder de Bolsonaro é pautado pela destruição, Heloisa Starling, Miguel Lago e Newton Bignotto investigam, cada qual sob uma perspectiva, mas em constante diálogo, a atuação do bolsonarismo e seus efeitos para a democracia. O ensaio de Starling aborda o agudo reacionarismo do grupo político no poder, procurando compreender sua constituição histórica e antecedentes. Lago trata da resiliência de Bolsonaro a partir das armadilhas de seu discurso, considerando a dificuldade de se estabelecer uma oposição eficaz e os impactos da hiperconectividade e do neopentecostalismo para sua ação política. Já o capítulo de Bignotto é uma reflexão sobre os conceitos da teoria política empregados para definir o bolsonarismo e seus matizes ideológicos.

Ao escrutinar os elementos que constituem a visão de mundo comungada pelos apoiadores de Bolsonaro, os autores combatem a cegueira analítica e descortinam os movimentos do ex-capitão e seu projeto de poder: a destruição da ordem democrática.

180 pages, Paperback

Published January 1, 2022

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Heloisa Murgel Starling

27 books15 followers

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Harvey Hênio.
638 reviews2 followers
June 7, 2024
“Linguagem da destruição” é um livro escrito com muita coragem pois se propõe a esmiuçar o bolsonarismo, um fenômeno que ganhou corpo e visibilidade nos últimos 5 anos.
Do ponto de vista da análise histórica é sempre uma questão delicada analisar um fato histórico enquanto ele ainda está “em vigência” sem o distanciamento necessário para uma análise mais segura e precisa. Afinal de contas o historiador e o analista podem ser influenciados e, ou direcionados em função dos efeitos desse fato histórico nas próprias vidas desses profissionais.
Esse é o caso desse ótimo “Linguagem da destruição” pois os três profissionais responsáveis pelas análises do bolsonarismo estão em pleno “olho do furacão” em que a tendência é que a tempestade ao redor, atordoe e crie perplexidade.
Mas, na minha avaliação, o desafio de analisar algo tão em voga foi enfrentado com galhardia pelos três profissionais e o resultado final é excelente.
O tema principal do livro é por demais pertinente: as razões da resiliência do presidente Jair Messias Bolsonaro mesmo estando à frente de um governo desastroso que não governa, que não se propõe a liderar, que não se propõe a construir consensos, que exibe uma retórica baseada no confronto, na provocação e na violência, que nada se propõe a construir, pelo contrário como ele mesmo disse em março de 2019 - “Nós temos é que descontruir muita coisa” -, que desmonta a cultura, a educação, a saúde, além de ser responsável por uma catástrofe que foi a gestão da pandemia da COVID-19, gestão responsável pela morte de mais de 700.000 mil brasileiros e brasileiras. Além disso tudo o presidente, impunemente e frequentemente ameaça a imprensa livre, o estado de direito e as instituições democráticas, prega a violência e a morte, na contramão dos valores cristãos que pretensamente segue. São públicos e notórios os efeitos nefastos de seu desgoverno na caótica condução da economia, na destruição do meio ambiente, na desqualificação das causas indígenas, na pérfida liberação do uso e da comercialização de armas e chama a atenção o cinismo presidencial que, no discurso, condena a corrupção, mas que sempre esteve próximo à banda podre da política reunida no “centrão” e cuja família usa e abusa dos “foros privilegiados” para driblar as denúncias de corrupção, prática que ele costumava criticar em outras circunstâncias e com outros políticos. Expostos esses fatos é justo indagar: como Jair Messias Bolsonaro consegue manter o apoio de milhões de brasileiros e brasileiras? Como tanta gente não admite votar em outra pessoa e como, a despeito de tantos problemas e contradições ele se mantém competitivo em nível eleitoral?
Essas são as questões espinhosas que os três corajosos analistas se propõem a analisar.
São três os ensaios que compõem esse livro. O primeiro ensaio, intitulado “Como explicar a resiliência de Bolsonaro”, é de autoria de Miguel Lago, cientista político, professor da Universidade Columbia e da Sciences Po Paris e ele começa sua argumentação com uma afirmação acachapante; “Seria possível afirmar que o governo atual é o pior de que se tem notícia desde que João VI pisou estas terras e começou a formar o Estado administrativo brasileiro”. O professor Miguel Lago, de uma forma geral, sustenta que, à luz das ferramentas usuais utilizadas na análise política, baseadas no racionalismo iluminista, o bolsonarismo não faz sentido e que Bolsonaro, apesar de suas críticas ao ativismo seria, ele mesmo, um grande ativista em prol de temas como o combate à “depravação gay”, ao aborto, mesmo nos termos previstos em lei, à “velha política, aos direitos humanos e outros mais que sensibilizam uma parcela significativa da população brasileira que se sente incomodada com essas questões e que prefere vê-las fora das políticas e discussões públicas. Além disso para essa parcela Bolsonaro seria uma espécie de “ungido” para conduzir as “pessoas de bem” a um mundo melhor, mais “normal e ordeiro”. Essa questão levantada pelo professor Lago é algo assustadora pois para milhões de pessoas Bolsonaro estaria acima do bem e, principalmente, do mal e sua condição de “ungido” justificaria todas as barbaridades que comete. Para o autor desse ensaio essas questões, que fogem ao racionalismo usual dos "bem pensantes” tem que ser melhor entendidas para lidar com o fenômeno do Bolsonarismo.
O segundo ensaio, intitulado “Brasil, país do passado”, é de autoria de Heloiza Murgel Starling, cientista política, professora, historiadora e livre docente da UFMG. De acordo com a professora Starling, Bolsonaro foi muito eficiente em vender ao seu eleitorado cativo uma visão idílica do passado, na verdade uma espécie de “Utopia Regressiva” que promete a volta a um passado fictício, o passado da ditadura militar de 1964 a 1985, em que não havia corrupção, não havia violência, em que todos “sabiam o seu lugar” e em que a família nuclear de natureza cristã era a única família, em que havia disciplina, respeito e amor à pátria e em que a “depravação gay” não tinha lugar. Esse passado não existiu. O período da ditadura enaltecido por Bolsonaro foi desastroso em todos os aspectos mas a retórica bolsonarista, baseada em fake-news amplamente divulgadas via redes sociais se adequa perfeitamente àquilo que a professora intitulou de “fundo retrógrado na sociedade brasileira” que vê em Bolsonaro o seu guia e porta-voz. Essa mesma parcela “de fundo reacionário” não crê na democracia como um valor e a dispensa sem hesitar se a opção for o “mundo encantado, moralista e autoritário” preconizado por Bolsonaro. Segundo a professora: “Os sinais que devemos procurar hoje em dia precisam ser outros: como reativar ou revigorar na sociedade brasileira a crença na democracia. E como reconstruí-la se ela, de fato, necessitar recomeçar de novo entre nós”.
O terceiro ensaio, intitulado “Bolsonaro e o bolsonarismo entre o populismo e o fascismo” é de autoria de Newton Bignotto, professor aposentado de filosofia da UFMG e pesquisador CNPQ. Nesse excelente texto o professor analisa até que ponto o bolsonarismo se liga ao fascismo e até que ponto seria legítimo relacionar esse mesmo bolsonarismo ao populismo. Para o professor o governo Bolsonaro estrutura-se como um “regime de produção contínua do caos” como forma e atingir os seus objetivos de conquista, manutenção e ampliação de seu poder sem se importar com a contínua destruição de vidas e visando claramente destruir as instituições sem colocar algo no lugar. Seria, dessa forma, o bolsonarismo uma fenômeno “pré-hobbesiano” em que o ordenamento da sociedade baseia-se não na lei e nas instituições, mas na força, na lei do mais forte de uma maneira geral. E para impor essas metas o presidente Bolsonaro claramente dispensa a mediação do Congresso, do Supremo, da constituição e prefere, ele mesmo, se comunicar diretamente com seus seguidores fanatizados pelo discurso moralista e retrógrado que prega a volta da tal “Utopia regressiva”. Sendo assim, ainda segundo o autor, essa “proposta” tem claras características fascistas e populistas, contendo, por outro lado, elementos originais (como a importância das redes sociais por exemplo) que não podem ser desprezados. O bolsonarismo seria dessa forma uma força que contêm claros elementos fascistas e populistas mas com “toques modernos” (ou pós-modernos), mistura essa que ainda precisa de mais tempo para ser compreendida plenamente. De qualquer forma a conclusão do professor é sombria: “Ao minar os fundamentos da democracia republicana, desejada pelos constituintes de 1988, o bolsonarismo hipoteca o futuro do país e de todas as gerações submetidas ao fogo destruidor e violento de suas repetidas práticas de negação da vida”.
Livro vital para esses tempos em que o conhecimento encontra-se tão desvalorizado em prol das fake-news e da manipulação do passado.
Excelente!
Profile Image for Guilherme Smee.
Author 28 books192 followers
April 16, 2022
Linguagem da Destruição: A Democracia Brasileira em Crise, da historiadora Heloisa Starling, do cientista político Mario Lago e do filósofo Newton Bignotto, investe na análise do rastro de destruição em todos os âmbitos nacionais que Bolsonaro e seus asseclas vêm trazendo para o Brasil. Depois de uma esclarecedora introdução, Mario Lago traz um texto que explica a resiliência de Bolsonaro. Me chamou a atenção como Lago faz uma bela ligação entre os grandes poderes de se reger uma nação com a difusão e exercício dos micropoderes em diversos aspectos da sociedade brasileira. Depois, gostei como Heloísa Starling demosntra como a nostalgia e o reacinoarismo estão intimamente ligados. Por fim, Bignotto traz uma comparação do bosonarismo com o fascismo e o populismo, trazendo também à baila um modelo menos visado nessas comparações: o cesarismo, ainda que, no fim das contas, não dê conta de conceituar exatamente o que é o bolsonarismo. Linguagem da Destruição: A Democracia Brasileira em Crise é um livro poderoso, escrito, como dizem os autores, no calor dos acontecimentos, mas que é necessário para aqueles que pesquisam e tentam entender como o Brasil conseguiu se meter na enrascada que está.
Profile Image for Fred Beneti.
34 reviews7 followers
January 6, 2023
Uma citação do livro - "A novidade desse movimento é que o sujeito a quem essa nova cosmovisão se dirige é o “cidadão de bem”, aquele que pertence a uma comunidade virtuosa. No caso das denominações neopentecostais, existem a Igreja (comunidade de fiéis) e o Mundo (tudo que está fora da Igreja e que é do demônio). No caso dos militares, existem os militares e os civis, e não há dúvida sobre quem são os virtuosos. No caso dos condomínios da Barra da Tijuca, a lei se aplica a quem está fora deles, nunca a quem está dentro. Todos aqueles que tentam se interpor entre o “cidadão de bem” e a realização de seus desejos são o inimigo. São as feministas, os movimentos negros, os sindicatos, os processos legais, o código de trânsito, o professor que reprova, qualquer construção coletiva que funcione como freio. A novidade do bolsonarismo é a desconstrução de qualquer forma de coletividade."
Profile Image for Alfredo Acosta.
76 reviews1 follower
May 24, 2022
Muito necesario para entender o destino do Brasil, dirigido não por um louco, mas sem por um ardiloso político reacionário querendo inflamar sua esfera de poder e destruição. Seu plano: destruir.
3 reviews
June 7, 2024
Um livro escrito por três pessoas de especialidades distintas, cada um escrevendo um capítulo onde analisam a extrema direita por perspectivas muito interessantes. Faço um destaque para o capítulo de Heloisa Starling (historiadora) que se aprofunda nas raízes reacionárias do bolsonarismo, e para mim esté é um dos pontos mais importantes para entender este movimento: o bolsonarismo não é conservador, mas reacionário, mira em um passado idealizado, o jargão "bom mesmo era antigamente". Como Heloisa escreve no livro: "O passado reescrito é irrefutável. É um falso passado, mas fornece adesão: graças a ele, em 2018 um pedaço da sociedade brasileira escapou para um mundo fictício completamente coerente e se sentiu em segurança". A partir disso temos as manifestações mais toscas do bolsonarismo: defesa da ditadura militar, da monarquia, vilanização das demandas sociais (que não beneficiem eles próprios diretamente, claro), ressucitar uma guerra fria com ares da década de 50, etc...

É um livro curto, mas muito denso de informações. Muita gente o criticou por ser muito "acadêmico". Concordo parcialmente. Realmente a oposição a esta extrema-direita anti-democrática precisa aprender a se comunicar de forma mais eficiente, pois nesta área os fascistoides ganham de lavada. No entanto não nego a necessidade de livros mais densos como este, mas reforço que também precisa existir comunicação mais amigável para atingir um maior número de pessoas.
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