Há 25 anos, no dia 26 de Setembro, desaparecia um dos grandes escritores portugueses deste século: Ruben A., pseudónimo de Ruben Alfredo Andresen Leitão, ficcionista, dramaturgo, historiador, com uma obra repartida por dezenas de volumes, do romance ao ensaio, passando pela autobiografia, conto e novela. A editora Assírio & Alvim, que edita a sua obra, prepara-lhe uma homenagem no Alto Minho, em colaboração com a Câmara de Caminha, ao mesmo tempo que sai o V volume de "Páginas", obra de reflexões, vivências e impressões várias, que o autor de "A Torre da Barbela" foi escrevendo ao longo de anos, com o humor fino que o caracterizava e uma criatividade ímpar na forma como jogava com as palavras e os seus sentidos. Os encontros e conversas com os amigos, os poetas Ruy Cinatti, Pedro Homem de Mello, Sophia de Mello Breyner, sua prima, José Régio, Miguel Torga, o crítico João Gaspar Simões, o "Gaspas", o romancista brasileiro José Lins do Rego, a pintora Menez, e tantos, tantos outros. "Páginas de casa" pelo Minho de Carreço, onde comprara a casa do Sargaço, a serra d'Arga, Afife, Viana, Ponte de Lima (e a Torre de Barbela, em Geraz do Lima, onde tomou a decisão de escrever o romance), e também Coimbra, Portalegre, Porto ou Lisboa ...; "páginas ambulantes" por Londres, Oslo ou Roterdão.
RUBEN ALFREDO ANDERSEN LEITÃO nasceu em Lisboa, a 26 de Maio de 1920. Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Coimbra. Depois de ter ensinado em Lisboa e no Porto (1945-52), foi professor de Cultura Portuguesa na Universidade de Londres (1947-52). Em 1975 assumiu o cargo de Director-Geral dos Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura. Dedicou-se aos estudos históricos, tendo consagrado vários volumes a D. Pedro V e aos arquivos de Windsor. Ficcionista, cultivou o conto, o romance, o teatro, a novela, o ensaio, o diário e a autobiografia. Alheio a modas e escolas literárias, pode detectar-se na sua obra um surrealismo pessoal, apoiado numa grande riqueza vocabular e na sugestão fónica da linguagem (entre outras obras, Páginas, 1946-49, em seis volumes; Caranguejo, 1954; Júlia, 1963, peça de teatro; A Torre de Barbela, 1964, que lhe valeu o Prémio Ricardo Malheiros; O Mundo á Minha Procura, 1964-68, em três volumes; O Outro Que Era Eu, 1966; Kaos, 1981). Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 1973. Faleceu em Londres, a 23 de Setembro de 1975.
A escrita “diarística” de Ruben A. é uma das minhas paixões por este autor. Ironias e pedantismos à parte são pequenas histórias e reflexões que nos enriquecem como leitura. Com a leitura deste volumento resolvi (re) assumir a minha paixão por diários. Proximas leituras serão a eles dedicados.