A resposta a esta questão é sim, se considerarmos a História como conhecimento histórico, como resultado do estudo e da investigação sobre o passado. A análise de novas fontes, perspetivas e abordagens permite redefinir o conhecimento que temos, apesar de muitos mitos e ideias da História de Portugal continuarem a ser repetidos e permanecerem no imaginário popular.
Neste sentido, o objetivo deste livro é o de atualizar muitas destas ideias, desmontando, dentro do possível, alguns destes mitos. Tomando por base 29 temas da História de Portugal, desde Viriato até ao legado da memória do império colonial, 28 autores procuraram redefinir aquilo que sabemos sobre estes assuntos. Um livro para quem quer perceber os vários aspetos de uma História longa e complexa, e não tanto os muitos e longos debates académicos que existem sobre cada assunto.
PAULO DIAS, nascido em Almada a 29 de Outubro de 1992, é licenciado em História (2013) e Mestre em História Moderna e dos Descobrimentos (2015), com a tese A conquista de Arzila pelos Portugueses – 1471, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É assistente de investigação do Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar (CHAM-FCSH/UNL) e foi galardoado com o Prémio Defesa Nacional, em 2017.
Of interest since this book compiles 29 articles who seek to mirror the last updates on a selected group of cases within the portuguese historiography. The product of two young portuguese historians' effort; they reached limited awareness after releasing a podcast in youtube called "Falando de História" ('bout talking of history"). My opinion on each article: 1) Carlos Fabião's Viriato - well written, well structured, very appropriate; 2) Ana Miranda's medieval islamic roots of Portugal - relevant, author opted to focus on a pair of examples; 3) Luís Amaral's D. Teresa and the foundation of Portugal - OK and relevant to understand that Portugal would be a separate entity - either as a Galician County or as it happend a Portocallensis. 4) Paula Costa's Order of the Temple - en point. Concise and focus on the myths - its origins, its role in Portugal and its role/political scene. 5) Ana Rita Rocha's medieval welfarism - relevant and important to understand where Hospitals come from and also why some locations in Portugal bear the name 'albergaria'. 6) Covadonga Valdaliso-Casanova's Dark Ages? - responds succinctly to this persistent myth created by the humanists and iluminists; but responds well. 7) Marta Santos' medieval heraldry - not relevant but utterly interesting. She has the hability to simplify the issue very well and make it clear to the reader. 8) Paulo Dias' Prince Henry the Navigator between myth and reality - a well-written and well summed up resume on what and who he was. Relevant since nationalists made him a holy figure. 9) Fernanda Olival's Rethinking the role of the Order of Christ (Templar's sucessors) - well written and with a clear message. The Order was there but wasn´t the promotor of the so-called Discovery Ages. 10) François Soyer's Expelling Jews and Muslims as a marriage deal to D. Manuel - a novelty to me. Didn't know D. Manuel already had taken measures in that direction and even surpassed the spanish in order to support the claims which were being tried with the Holy See, the UN of that time, to pass an image of a righteous Kingdom focused on expading the Faith and therefore get more claims effective. Interesting how things are more complex that we thing. Some of them at least. 11) Roger L. Jesus' Mythical isles and such in the Descovery Ages - not a lot new is revealed and it's not super well written. 12) Marco Borges' Carreira da Índia - the yearly connection between Portugal and the East Indies. Makes use of a lot of metrics and considers at the same time extra-economic aspects to recover those times, crews and vessels. A very good and different approach. 13) Hugo Crespo's what's beyond the Carreira da India? - interesting but a little too exhaustive. 14) Amélia Polónia's Women in the Portuguese Expansionism - had a lot of potential, does not go beyond common places 15) Hélder Carvalhal's what does it mean to be a man throughout the ages? - a very cool approach but again does not add a lot new 16) Bruno Lopes' Inquisition in Portugal - a quick, general but on point look at this long-living institution 17) Luís Sousa's Alcacer Quibir the battle - a political-warlike approach to this battle. Pleasant reading 18) Graça Borges' Domination or integration under the Spanish Habsburgs - shatters the myth of the propaganda post-independence of Portugal 19) Joana Fraga's Independance and restauration of Independence: what gives? - shows the real reasons behind it and how the habsburgs no longer were interesting to... anyone. 20) Mafalda Cunha's Empire of resistances - interesting idea but not quite achieving. Shows how there were dirt in the Portuguese first centuries of colonization 21) Andreia Fidalgo's Marquis of Pombal - the worst essay. The author spits a list of deeds and that's that. Why is it not explained why he is praised and critisized? 22) Lisbeth Rodrigues' Misericordias and their role in welfare - good essay detailing these institution's History, evolution and role. 23) Leonor Costa's Public Debt - justified or mismanaged? - An interesting approach shattering the myth that the absolute monarchy was irresponsible. Shows the need to invest in this kind of economic History. 24) Tamar Herzog's Portugal and its oldest borders - an interesting exercise which allow us to ponder the little but pervasive lies nationalism and its simplicity puts in our minds distorting past reality. A creative exercise. 25) José Pedro Monteiro's Forced labor and Enslavement - focused on the latest period of Portuguese colonialism presents a short but good essay. 26) Leonardo Pires' Agriculture and the Estado Novo - curious and interesting in a very specific issue. The author needs more practice to gain confidence and write a more authoral text. 27) Carlos Martins' debate in historiography: was the Estado Novo a fascist regime? - interesting and relevant. Gives the latest ideas on the issue and centers the important questions of this debate. 28) Luís Trindade's Now you know what it means to be a portuguese - relevant to understand how the Salazar era used and molded the portuguese national identity which we still share (in an evolved way) today. 29) José Monteiro's how should we remember the empire - huge potential but essentially a fiasco.
Útil para servir de entrada a alguns temas da História Portuguesa que, na consciência pública, ainda se encontram enterrados em mito e narrativas "oficiais" que este livro se esforça para desfazer e dotar de curiosidade e bases para a compreensão dos temas. No entanto há autores que se perdem um pouco, talvez devido à brevidade a que estão confinados, ficando um pouco redundantes
Livro indispensável a todos os amantes de história, mesmo que não a exerçam. Isto porque o objectivo deste livro não é inventar a roda, mas trazer ao grande público o que academia tem produzido e, assim, desfazer vários mitos e ideias feitas sobre a história de Portugal. O discurso paroquial da excepcionalidade de Portugal é aqui desfeito. Destaco especialmente o último ensaio, de José Pedro Monteiro, intitulado «Como lembrar o império?», lúcido e estimulante.
Uma coleção de textos sobre episódios da história de Portugal, usualmente envoltos em mistério, lendas ou sobre os quais pouco se sabe e muito se assume. Cada texto é escrito por um investigador especializado no tema, com o intuito de desmistificar e trazer à luz o que de concreto se sabe sobre o mesmo. Este livro é prova de que a história se encontra em constante mudança, uma vez que a nossa percepção sobre os eventos que a compõem está constantemente a evoluir. Para tal, é preciso conseguir abordar temas do passado com um olhar contemporâneo e não actual, de forma a realmente perceber o contexto dos eventos e decisões da nossa história. Alguns tópicos são mais interessantes que outros, sendo estes últimos de leitura mais difícil, também devido à escrita por vezes demasiado académica.
Há coisas que aparecem na forma certa, no momento certo. Livros como estes são particularmente interessantes no nosso contexto social e político actual, especialmente, porque são temas cada vez mais visíveis e as pessoas que o escrevem - e que possuem conhecimento cientifico histórico atualizado - muitas vezes não participam nesse debate no espaço público, continuando em alguns casos a perpetuar-se uma perspectiva cristalizada e unidimensional. Gostei de quase todos os capítulos, não apenas dos que versam sobre os momentos ou assuntos sobre os quais tenho mais interesse e em alguns casos foi surpreendente de como determinados assuntos podem despertar tal interesse.
28 jovens historiadores dão uma amostra da sua investigação numa série de capítulos que percorrem a história de Portugal da fundação ao Estado Novo, desmistificando muitas ideias feitas e lendas que persistem na nossa mente coletiva. Naturalmente a qualidade e interesse dos capítulos é bastante variável, e se alguns cumprem de facto esse objetivo desmistificador e atualizador da história, outros são menos interessantes (achei especialmente desapontantes os 2 dedicados ao género, muita parra e pouca uva, podiam ter sido resumidos conjuntamente numa única página).
Em comum nota-se uma insistência na necessidade do rigor e da existência da prova documental. Gostei especialmente da desmontagem das supostas navegações secretas dos portugueses: se não há prova documental, se não deixaram impacto, é sequer relevante discutir a sua existência?
PS: Comprei um exemplar já da segunda edição, com um marcador e páginas finais dedicadas a publicitar um outro livro, sobre cartas de guerra, que me parece ter pouco em comum com o tom deste. Um golpe publicitário cuja culpa cabe certamente à editora (e não considero na avaliação), mas que menciono para que se registe o desagrado com essas táticas.
Uma leitura extremamente interessante que traz um olhar atual sobre diversos episódios na História de Portugal, sem, no entanto, deixar de contextualizar a mentalidade e as circunstâncias das épocas em questão. Achei particularmente interessantes os capítulos sobre a (ligeira) emancipação das mulheres durante a expansão marítima; sobre o trabalho forçado e a escravatura; a ideologia e a cultura no Estado Novo; e o último capítulo, "Como lembrar o império?". Foi incrivelmente refrescante ler uma análise histórica a partir de uma perspectiva inclusiva, sem que esta pretendesse julgar ou vilanizar o passado, mas antes compreendê-lo melhor. Como referido por Paulo M. Dias e Roger Lee de Jesus na Introdução, as perguntas que colocamos em relação ao passado refletem acima de tudo as preocupações e a mentalidade do presente.
Pelo conceito são 5 estrelas, na execução desce um bocadinho 4 estrelas e meia. A par do podcast é o continuar de uma luta contra uma falha grande presente no nosso país e no valor que damos ao ensino e à educação. De como também a aproximamos da sociedade em geral, pois pensar história e educação vai muito além da educação formal... Uma aproximação a factos e reflexões histórias contra mitos que perduram na nossa vida em comum, talvez outros livros também o façam mas nenhum outro foi claro no seu propósito, como exposto no seu preâmbulo e introdução, claro que respeitando os cânones científicos da historiografia. Escrito em colaboração com os mais variados autores em 29 ensaios vão desde a fundação do país até o estado novo.. só alguns capítulos é que diminuem a grande obra que é este livro. E é pela difícil revisão de grandes temas em apenas algumas linhas de ensaio. Recomenda se!! :)