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Trabalhar e estudar não é fácil. Principalmente quando se trata do difícil trabalho dos bóias-frias nas lavouras de cana. Mas é essa a realidade em que vivem, e é nela que Marta vai aprender o sentido da luta social e do amor. Como enfrentar, porém, o autoritarismo de Pedro, seu pai, que não lhe dá o mínimo valor? E quem será o misterioso Mudinho que apareceu repentinamente entre os bóias-frias, quando eles resolveram reivindicar seus direitos? Pelo ponto de vista de uma jovem decidida, você vai conhecer um pouco da vida dos trabalhadores sem-terra do interior paulista.
Luiz Puntel (Guaxupé, 2 de abril de 1949) é um escritor brasileiro conhecido pelos livros que escreveu para a série Vaga-Lume.[1] É formado em Letras, com especialização em francês, e leciona cursos de Comunicação Verbal.[2] Seu livro O Grito do Hip Hop foi indicado ao Prêmio Jabuti de Literatura Juvenil em 2005
Luiz Puntel nasceu em Guaxupé. Ainda criança, mudou-se para São José do Rio Pardo, SP, assim como várias outras cidades.[carece de fontes] Na adolescência foi para Ribeirão Preto, SP, onde foi alfabetizado e se graduou[carece de fontes]. Puntel quando jovem decidiu ser um padre, chegando até a entrar no seminário, mas depois desistiu[carece de fontes]. Seu primeiro emprego foi como office boy, passando, depois, a escriturário, auxiliar de assistente social e bancário, até tornar-se professor de redação e português. Atualmente é diretor da Oficina Literária Puntel, em Ribeirão Preto. É casado com Sonia Palucci Punte
"- Se eu tivesse saúde para trabalhar, a gente podia... - Mas o que a senhora faz aqui em casa, mãe? (...) - Eu digo trabalhar mesmo, pegar no pesado, produzindo... - E a senhora não produz? (...) Se colocasse no lápis o preço da roupa que lava e passa, o preço de uma faxineira, ficaria muito mais caro, daria muito mais do que o pai ganha por dia - Pronto, mais essa agora - Pedro se ofendeu - É isso que dá estudo, tá vendo, Zefa? Estudo dá nisso, ficar falando asneiras" p.29
"Açúcar Amargo" é uma obra impactante que me fez mergulhar profundamente nas complexidades da vida rural brasileira. Aborda temas como injustiça social, exploração do trabalho infantil e misoginia. A história se desenrola em uma pequena cidade do interior, onde acompanho Marta enfrentando as duras realidades da vida em um engenho de cana-de-açúcar e em casa.
Marta, a protagonista, tem apenas 13 ou 14 anos, sendo uma pré-adolescente. Mesmo assim, ela se destaca como a personagem mais corajosa e determinada da história. Nunca abaixando a cabeça, Marta demonstra uma coragem incrível ao fazer o que ninguém mais tinha coragem de fazer. Apesar de ser constantemente desmerecida por ser do sexo feminino, ela se mostra a mais forte de todos, enfrentando as adversidades com uma força impressionante.
O livro me trouxe uma enorme angústia ao ver as situações de opressão que Marta vivia. As injustiças que ela enfrentava diariamente eram de partir o coração e mostravam a dura realidade das mulheres e meninas viviam em casa. A ambientação é rica em detalhes, transportando o leitor para o cotidiano de uma menina de raizes humilde e expondo a realidade muitas vezes invisível para quem vive nas cidades.
A misoginia que Marta enfrenta é um dos aspectos mais marcantes e dolorosos da história. Ela é constantemente desvalorizada e humilhada por ser menina, tendo até mesmo uma cena de violência domestica do qual é vitima mas mesmo assim, se mantém firme e determinada. A força de Marta em meio a tanta discriminação é um exemplo inspirador de resistência e emancipação feminina.
Marta é muito mais piedosa do que eu, pois jamais perdoaria alguém por me tratar de maneira tão cruel e humilhante como seu pai a tratava. Sempre a diminuindo e impedindo-a de seguir seus sonhos, Marta teve que lutar por coisas básicas como estudar. É revoltante pensar que se espera que uma menina de treze anos cozinhe para o pai, além de limpar, passar e cozinhar, enquanto ele, um adulto, não assume suas próprias responsabilidades.
Muito mais que isso, Marta foi vítima de violência doméstica pelas mãos do próprio pai, Pedro. A violência doméstica contra meninas, especialmente perpetrada por seus próprios pais, é um assunto extremamente grave e perturbador. É uma traição chocante da confiança e do papel fundamental de proteção que os pais deveriam desempenhar na vida de suas filhas. A narrativa foi conivente com a violência que Pedro cometeu contra sua filha e não utilizou nenhuma ferramenta para conscientizar sobre essa realidade alarmante. Pelo contrário, a agressão de Pedro contra Marta é tratada como um "errinho de nada" e não como a violência grave que realmente foi. Este tipo de violência não apenas causa danos físicos imediatos, mas também tem um impacto profundo e duradouro no bem-estar emocional e psicológico das vítimas. A crueldade e injustiça dessa situação ampliam ainda mais a minha angústia ao ver Marta lutando em um mundo tão cruel e opressivo.
Outra coisa que me incomodou muito na narrativa foi ver uma menina de 13/14 anos sendo descrita como uma mulher. Ela não é uma mulher apenas porque menstruou. Meninas também têm direito à infância, pré-adolescência e adolescência sem serem forçadas a amadurecer mais cedo. Essa perspectiva ressalta ainda mais a injustiça e a pressão que Marta enfrenta, evidenciando a necessidade de proteger e respeitar o desenvolvimento natural das crianças.
Outro ponto que me marcou profundamente foi a morte de Altair. Sua vida foi marcada por inúmeras dificuldades, privações e a ausência de experiências positivas. Ele faleceu um dia antes de completar seu aniversário, sem nunca ter tido a oportunidade de celebrar. Essa perda me trouxe uma tristeza enorme, pois me mostrou como algumas pessoas enfrentam uma existência repleta de sofrimento e com pouca ou nenhuma alegria. Altair foi impedido por seu pai de concluir seus estudos, sendo compelido a suportar a exploração do trabalho infantil. Ele foi privado de qualquer oportunidade de desfrutar os frutos de seu trabalho ou de descansar após longas e árduas jornadas laborais uma realidade que perdurou desde a infância até sua morte.Altair vivia em um ciclo incessante de trabalho, sem jamais poder desfrutar de algo mais. Sua vida foi marcada por uma sucessão implacável de explorações. Essa condição cruel, ao meu ver, acrescenta uma camada adicional de injustiça à sua trágica história.
A linguagem que o livro utiliza é acessível, mas poderosa, para construir uma trama envolvente que prende o leitor do início ao fim. O livro não apenas entretém, mas também educa e provoca reflexões profundas sobre questões sociais, econômicas e de gênero.
Em resumo, "Açúcar Amargo" foi um livro muito prazeroso de ler. Lembro-me de tê-lo lido quando tinha cerca de 12/13 anos e não ter compreendido completamente a mensagem do livro. Foi uma experiência muito boa relê-lo e ter essa visão adulta sobre ele.
Não é dos melhores, mas remeteu muitos elementos de onde vim. A história dos pais de Marta tiveram histórias muito parecida com a de Pedro, pai de Marta. Inclusive, o meu deixando de ser boia-fria em São Manuel/Botucatu para morar em Bauru como operário na fábrica da AAntarctica em Bauru e depois se tornando pedreiro, próximo do fechamento da mesma, ali pelo meados da década de 90.
Enfim, é uma história que remeteu a muitos traços de minha origem.
tem caracterizações e diálogos meio caricatos, mas é algo compreensível considerando que é um livro infanto-juvenil. de qualquer forma, a história é baseada no levante de guariba e de não dá pra não achar super legal um tema que é dolorido e pertinente em iguais proporções ter sido apresentado de forma tão acessível pra crianças!
Esse livro teve maior significado pra mim, quando descobri que ele foi escrito em homenagem a mulheres que perderam suas vidas, trabalhando em canaviais. A escrita dele é muito boa, como a maioria dos livros da coleção vagalumes. A história é um pouco tensa, apesar disso me apeguei a personagens e consegui mergulhar na história.
É difícil dizer exatamente o quanto os jovens leitores da atualidade conseguiriam entender a realidade dessa obra de Luiz Puntel. O escritor, mais acostumado a contextualizar o quotidiano da década de oitenta, ainda tem um trabalho atual, porém sua escrita demanda, hoje em dia, de um saber específico que foi ainda mais marginalizado.
No mundo de hoje, quantas crianças sabem o que é um boia-fria? Tiveram suas casas sujas pelo picumã? Ou, em tempos de Jovem Aprendiz, entendem o valor e a dificuldade de estudar e trabalhar?
Açúcar Amargo retrata, através da jovem Marta, a luta por uma carteira assinada e pela brancura nos orçamentos feitos pelas usinas de cana-de-açúcar. É uma obra triste ainda que seja mais voltada para a informação.
Não sei se recomendo justamente por achar que qualquer um abaixo da idade de dezoito anos e/ou fora da região canavieira precisará, no mínimo, de um suplemento editorial.
Puntel conseguiu escrever um personagem que eu odiei ao longo do livro, e até jogou um plot twist. Isso por si só já demonstra a habilidade do autor. Obviamente, um livro primoroso para ser trabalho nas séries iniciais de ensino.
Como a maioria dos livros da Coleção Vaga-Lume tem um ensinamento. Este questiona a posição da mulher no mundo, fala da importância do estudo e das lutas dos trabalhadores rurais, mais especificamente os boias-frias. Interessante, mas não chega aos pés do 'Meninos sem Pátria" do mesmo autor.
(3,5) Literalmente uma redação pronta pro Enem de 2023 Uma historinha muito bacana, que em poucas páginas entrega tudo que tinha pra entregar. Têm até um Plot Twist quem diria, ótimo e recomendável a qualquer um.