Composto por oito textos, vila mathusa conta as histórias entrecruzadas de moradores transgênero que habitam uma mesma vila na capital paulista. Explorando formas e atmosferas diversas, como as narrativas de detetive, cartas e diários, a autora contempla momentos de perda, ternura, suspense e humor, sob a perspectiva de personagens tão distintos quanto Aurora e Rubi, duas crianças em um dia de aventuras, e Mathusa, a travesti que é a “matrona” da vila.
Temas como o envelhecimento, os afetos e o sentido de comunidade são tratados com riqueza visual. Soma-se a isso uma cuidadosa pesquisa histórica sobre as memórias de um Brasil autoritário, que não desiste de se presentificar na vida de corpos dissidentes.
imagens de travestilidade e outras transexualidades. zênite astra costura, com muita sensibilidade, experiências transgêneras do presente e do passado entre a gritaria e a fumaça da boca do lixo do centro de são paulo. com um conjunto diverso de gêneros textuais, a autora apresenta dimensões e perspectivas das identidades das suas personagens, que reconhecem seus próprios gêneros de uma forma muito pessoal, mas perfeitamente extrapolável nas experiências coletivas desta comunidade. a ambientação espaçotemporal do texto — brasil, são paulo, ditadura militar — também convoca ao palco outros temas indissociáveis das histórias das pessoas queer desse lugar e dessa época, como o pânico moral em torno do gênero, as políticas públicas reacionárias e violentas e a epidemia de hiv/aids. a fluidez e a naturalidade com as quais o texto é tecido quase não deixam perceber o intenso trabalho com a linguagem que amarra as ideias em frequentes arremates preciosos. aqui e acolá, o leitor se vê questionando algumas escolhas do texto para, páginas à frente, entender como tudo faz sentido. ao ver-se nessa armadilha uma e outra vez, enfim pode parar de duvidar, porque percebe que a autora sabe exatamente o que está fazendo. foi muito emocionante conhecer a vila mathusa, mesmo para quem já a visitava faz tempo. a capa é uma beleza, sexy sem ser vulgar, com um belo rabo masculino em primeiro plano, tomando metade da capa e criando mistério em relação à identidade do seu dono. ao fundo, uma varanda colonial convida para fumar e contemplar o movimento da cidade. tem tudo a ver. recomendo demais. livro do ano.
Os covardes estão ganhando coragem de sair dos esgotos. Tudo a céu aberto.”
Eu adoro quando ganho livro de presente e não são escolhas óbvias ou do hype.
Vila Mathusa é um livro de contos. São 8 textos de pessoas que moram na Vila Mathusa. Todos os personagens principais são pessoas trans. E são todos muito cativantes.
O livro é beeem lindinho. Tem histórias mais simples e sem muitas camadas, mas também tem histórias bem emotivas e que, de uma forma, representam a vivência e o estigma das pessoas trans e LGBTQIAPN+ de uma forma geral.
Não há uma linearidade na histórias, mas todas ela se unem na Vila. Que foi construída por uma pessoa trans para acolher pessoas trans.
Aos poucos, a conexão entre os personagens fica mais clara e o livro fica ainda mais bonito. As duas últimas histórias são as mais lindas e me emocionaram mais. A última é LINDA.
É um livro simples na escrita e fácil e gostoso de ler. Vale super a pena.
“Sabe qual é a palavra pra quando a gente escolhe nosso próprio nome? … Autonomia.”
O livro é super sensível e poético, daqueles muito gostosinho de ler e que deixa um quentinho no coração, ao mesmo tempo traz a tona temáticas fortes de uma forma a somar com o conteúdo da obra. Recomendo demais, quero muito comprar vários para distribuir às minhas amigas todas.
Esse livro é maravilhoso, uma obra que abre a nossa cabeça e nos ensina muito! Uma obra muito rica, muitas descrições, muita sensibilidade da autora. Recomendo tanto que comprei para mim, e para presentear várias pessoas especiais!
Um livro que eu queria ler há muito tempo. As histórias são muito boas, as relações entre elas são bem construídas e os personagens cativantes, cada um a sua maneira. Recomendo demais, é bonito demais. Espero ansiosa pelos futuros livros da autora.