A guerra rebenta em Espanha e o Japão invade a China.Uma relação extraconjugal nos Açores, o atentado contra Salazar e as intrigas palacianas em Tóquio aproximam o coronel Artur Teixeira do cônsul Satake Fukui na mais imprevisível e perigosa das cidades - a Berlim de Adolf Hitler.Lian-hua, a chinesa dos olhos azuis, está prometida a um desconhecido quando vê os japoneses entrarem em Pequim e a sua vida se transforma num inferno. O mesmo espetáculo é observado pela russa Nadezhda Skuratova em Xangai, onde se apaixona por um português que a forçará a uma escolha impossível.A Berlim do blackout, dos boatos e das anedotas, do Hotel Adlon, das suásticas que brilham à noite e das lojas vazias com vitrinas cheias; a Pequim das mei po casamenteiras, dos chi pao de seda, dos cules e dos riquexós; a Tóquio do Hotel Imperial, dos golpes no Kantei, do zen e dos códigos de honra giri e ôn; e a Xangai da Concessão Internacional, dos portugueses do Clube Lusitano, dos néones, do Bund, das taxi-girls russas e dos bordéis.Senhor de uma prosa sem igual, José Rodrigues dos Santos está de regresso ao grande romance com a conclusão da história inesquecível das quatro vidas que o totalitarismo moldou. Lendo-se como um romance autónomo, O Reino do Meio encerra em grande estilo a polémica Trilogia do Lótus, uma das mais ambiciosas e controversas obras da literatura portuguesa contemporânea.
José Rodrigues dos Santos is the bestselling novelist in Portugal. He is the author of five essays and eight novels, including Portuguese blockbusters Codex 632, which sold 192 000 copies, The Einstein Enigma, 178 000 copies, The Seventh Seal, 190 000 copies, and The Wrath of God, 176 000 copies. His overall sales are above one million books, astonishing figures considering Portugal’s tiny market.
José’s fiction is published or is about to be published in 17 languages. His novel The Wrath of God won the 2009 Porto Literary Club Award and his other novel Codex 632 was longlisted for the 2010 IMPAC Dublin Literary Award.
His first novel, The Island of Darkness, is in the process of being adapted for cinema by one of Portugal’s leading film directors, Leonel Vieira.
José is also a journalist and a university lecturer. He works for Portuguese public television, where he presents RTP’s Evening News. As a reporter he has covered wars around the globe, including Angola, East Timor, South Africa, the Israeli-Palestinian conflict, Iraq, Bosnia, Serbia, Lebanon and Georgia. He has been awarded three times by CNN for his reporting and twice by the Portuguese Press Club.
José teaches journalism at Lisbon’s New University and has a Ph. D. on war reporting.
"Todos esperamos que as histórias culminem em finais extraordinários, arrebatadores e emocionantes, mas a vida é feita de finais vulgares, quase decepcionantes, até porque em bom rigor a realidade não tem finais, apenas uma permanente continuidade que só é interrompida com a morte." (pág. 683) São estas as derradeiras e sábias palavras com que JRS acaba o livro 3 da Trilogia do Lótus. Mais um livro bem escrito, onde personagens fictícias convivem com personalidades históricas, com o mesmo rigor que este escritor nos tem habituado.
A conclusão da triologia do Lótus. O momento esperado foi o encontro entre o Artur e o Sakui. Dois personagens com personalidades semelhantes, apesar de terem ideologias diferentes e viverem em países diferentes
As flores de lótus não tem o fim merecido. Principalmente Lin -hua que é uma das maiores vítimas da segunda grande guerra. Para além de ter de assistir a destruição da sua casa, vê-se obrigada a ser concubida para salvar a honra da família
No entanto, tal como refere o narrador, nem todos podem terem finais extraordinários. A maioria têm finais vulgares. O único que tem o final merecido é o nosso português Artur, que acaba por conseguir uma enorme promoção na carreira.
Em suma, esta triologia enrequiceu-me aprofundado os meus conhecimentos nas culturas orientais e nos totalitarismos
O Reino do Meio encerra a Trilogia do Lótus; uma trilogia que segui com muito interesse não apenas pelas histórias dos personagens mas também pela reflexão de José Rodrigues dos Santos sobre os autoritarismos e totalitarismos que se instalaram, não sem contexto nem ao acaso, na primeira metade do século XX.
Embora menos do que dos dois livros que o antecedem, gostei consideravelmente d'O Reino do Meio. Sendo, dos três livros, o de menor carga teórica este terceiro volume foi, em consequência disso mesmo, o menos interessante para mim. Fiquei também um bocadinho desiludida com o final; vendo bem quem é que gosta de seguir um personagem ao longo de três livros e ver o seu futuro ser rematado desta forma: «teve o seu próprio destino e decerto um dia alguém o contará, alguém que não eu, entenda-se»? Acho que estes fantásticos personagens - e o leitor também - mereciam uma conclusão menos apressada.
Pormenores à parte, é de louvar a conclusão de um projeto tão ambicioso tendo em conta a complexidade das dinâmicas que aborda - o seu autor está definitivamente de parabéns!
"É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão”
Muito bom! Gostei muito dos desenvolvimentos finais desta trilogia. Apesar de gostar mais de histórias com finais felizes, devo admitir que há histórias que tocam tão profundamente a real existência da vida que seria imperdoável romantiza -las e adorna-las de forma a caberem na nossa maneira utópica de ver o mundo real.
O final, este livro soube -me a pouco, gostava de saber o que foi que aconteceu às personagens depois que convergiram para Macau, mas talvez fique para um outro romance, quem sabe...
O José Rodrigues dos Santos é indubitavelmente o meu escritor preferido. É um autor que divide muito opiniões, mas a mim, é o único que me faz aprender factos históricos sem eu achar aborrecido. Esta obra fecha uma trilogia, que na minha opinião, foi muito bem conseguida. A trilogia de Lótus conta a história de 4 famílias.. uma portuguesa, uma chinesa, uma japonesa e uma russa. O espaço temporal vai desde o início até meados do século XX. Ao longo das 3 obras toca-se em assuntos como o Comunismo, o Fascismo, as Ditaduras, início da segunda Guerra Mundial, perseguição aos Judeus. Foi um prazer ler este livro. Foi a 15a obra que li deste autor e mal posso esperar pela próxima.
“Que estranho fenómeno era aquele que dava aos homens tanto ânimo para enfrentarem o perigo e tanto medo de encararem uma mulher? Porque se dispunham a correr para as balas assassinas e a fugir das lágrimas femininas?”
“A meditação na acção é cem vezes melhor do que a contemplação na imobilidade” (Hakuin Ekaku)
“Confúcio dissera que em tudo havia beleza, embora nem todos reparassem nela”
“A boa-fé de uns requer a boa-fé de outros”
“Os pretextos arranjarão ele conforme as ocasiões e as conveniências”
“as sociedades progridem através da guerra de classes”
“Diz a tradição que um sábio toma as suas prórpias decisões, um ignorante segue a opinião dos outros.”
“Na política tudo se move em função dos interesses do momento”
“é melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão”
“Não há nações amigas, há é nações com interesses comuns”
“Quando o vento da mudança sopra, alguns erguem muros e outros constroem moinhos.”
“Todos esperamos que as histórias culminem em finais extraordinários, arrebatadores e emocionantes, mas a vida é feita de finais vulgares, quase dececionantes, até porque em bom rigor a realidade não tem finais, apenas uma permanente continuidade que só é interrompida com a morte. É nas entrelinhas da normalidade que temos de descortinar a excecionalidade de um destino.”
Antes de ler este livro nunca tido lido nenhum do autor e não o tinha em grande consideração. No entanto surpreendeu-me sobretudo o rigor histórico que envolve a narrativa e que está cheio de pequenos pormenores que aconteceram realmente, pelo que além de um romance é também uma grande maneira de aprender um pouco de história. Fora a isso a linguagem é simples e permite acompanhar emocionalmente o desenrolar de cada história.
I would give this one 3.5 but am opting for 3 for reasons which I will explain below. I don't remember what I rated the other two books, but this one was actually my favorite. It was a more flowing read and the historical events were really quite fascinating. Without a doubt the historical background included is the most interesting aspect of the book. As a learner of Portuguese it was actually quite a comfortable read, too, which is nice.
There was a beautiful scene about love overcoming hate, which almost felt forced but was powerful enough for me to tear up. And I think, after 3 books, I finally understood his message: democracy / freedom overcomes totalitarianism. This was a cool message. I think he did a good job with it even if I'm not entirely sure about his theory about fascism being a form of Marxism.
O tão aguardado final da trilogia 'As Flores de Lótus', "O Reino do Meio" de José Rodrigues dos Santos é uma leitura apaixonante, que leva o autor a viver tempos que só aparecem nos livros de História e do nosso imaginário do pensamento histórico (assim como fez nos livros anteriores). Rapidamente nos interligamos com as personagens e as suas aventuras, alegrias, dúvidas, tristezas e dores, o que é de valorizar o autor por esta capacidade. Cada personagem nós traz uma visão diferente da mentalidade ocidental e oriental do mundo, o que nós faz fazer descobertas da História dos países das personagens, mas como os países e cidades que estas vão se aventurar neste livro. Porém, dou quatro estrelas a este livro por duas razões. A primeira sendo que em certos momentos, enquanto passamos para outro capítulo do livro e outra personagem, não percebemos se os acontecimento entre as personagens está a acontecer ao mesmo tempo e o que faz-nos perder um bocado o conceito do tempo. A segunda razão, foi o final 'atarefado' que foi dado ao livro, não estou a dizer que desgostei do final, mas temos a certeza que quando chegamos ao 'Epílogo', muito mais falta ser contado, principalmente em relação a três personagens... por isso a minha questão é: iremos voltar a encontrar Arthur, Fukui, Nadezha e Lian-hu, num novo livro, será que José Rodrigue dos Santos, nós trará estas personagens amadas? Eu desejo imenso que isso aconteça!
The Middle Kingdom is the third and last novel of the lotus trilogy by Portuguese author José Rodrigues dos Santos. A historical novel set during the tumultuous beginning of the twentieth century, that was hoisted to the spotlight and became a best-seller. In the third book, the four main characters reappear, colonel Artur Teixeira, consul Fukui Satake, Nadezhda Skuratova and Lian-hua Bang, and continue their journey through the authoritarian and totalitarian regimes that settled in Europe and Asia in the first half of the twentieth century. The civil war has erupted in Spain, Japan invades China and becomes a German ally. Meanwhile, Hitler is already in government preparing to invade Poland with the help of the Russians. It is in this context that colonel Artur Teixeira and Fukui Satake witness first-hand the injustices done to Jews in Berlin. At a personal level, Artur is forced to make a choice to save his marriage. At the same time Nadezhda successfully runs from an abusive household and is now living in Shanghai. However, life will soon become terribly full of adversity with the Japanese approaching and disease knocking on the door. As for Lian-hua, currently living in Beijing under the domain of the Japanese army, she sees her father being trialed as a traitor and sentenced to death. To save him she will accept the unthinkable… The uniqueness of this book (and trilogy) is the ability of the writer to merge historical facts with fiction. Here, José Rodrigues dos Santos was able to create characters that the public can empathize with and understand their choices. Moreover, the author gathers the attention of the reader by introducing immensely heavy facts in an understandable context. Not only does this novel have a thought-provoking narrative, but it also incites in the reader an intensity of emotions, ranging from tears to rage. I vividly recommend this trilogy to all fans of history and beyond.
While a good end to the trilogy, it left questions unanswered, and it was very ambiguous, making the fourh book of this saga a much prefered ending to the series (although quite awful, in my opinion). I would say that the selling point for this boook to me was the first ever encouter between Artur and Fukui. The joy on Fukui as he finally meets the so-called Portugarusu and is able to speak to them in portuguese is so beautiful to watch. As for Lian-hua and Nadezhda, it absolutely breaks my heart to watch both girls go through devastating first loves with both boys and then be stripped of all their youth in extange, either saving their family or running from it. Lian-hua's fate in Sawa's grotesque hands still gives me chills, even after having read her ending because at the end of the day, that man was not only a f*cking pig but also a complete l*natic. As for Najda, her having to choose between saving and betraying Custódio, or having him die in her arms had me in tears. Having to go through selling her own body to awful soldiers even though her history, (being SA by her father) just to them have him die anyways, not from diseases but from her job alone.
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Gostei muito desta trilogia, principalmente dos capítulos da Nadezhda e da Lian Hua. Os capítulos do Fukui foram bastante bons no primeiro e segundo livro contudo, neste terceiro o mesmo não aconteceu. Quanto ao Artur Teixeira não criei empatia com esta personagem logo para mim foram os capítulos mais maçadores. O final da trilogia também não me agradou muito, mas percebo-o. Até porque já há mais um livro que continua com a vida destas personagens ou de algumas (que irei ler brevemente).
Concluindo, no todo foi uma trilogia muito bem conseguida e que mostra mais uma vez a qualidade do José Rodrigues dos Santos como escritor.
Assim termina a Trilogia do Lótus, depois de mergulhar na temática dos regimes totalitários que antecedem o início da II Guerra Mundial. Gostei de ler as histórias das personagens que foram espalhadas em pontos distintos da narrativa, ainda que tenha considerado o final abrupto para a narrativa "em modo de cruzeiro" por três longos volumes. Fica a curiosidade quanto ao desfecho para todas as personagens, mas quanto a Artur Teixeira pode-se saber mais no livro "A amante do Governador". Foi uma leitura agradável, embora pudesse ter tido um final com mais dedicação do que apenas algumas páginas.
Real lives hardly have "happily ever after" endings. When you close the third book of this trilogy you are aware of how physically and emotionally hard life can be for "ordinary" people and how your day-to-day routine can be turned upside down by out-ot-control and overbearing arbitration. A great closing of these four stories. Loved it.
Gostei dos 3 volumes, tenho só a apontar que muitas vezes os diálogos de personagens supostamente simples se transformam em monólogos exaustivos sobre política ou parecem mesmo discursos políticos, e que se repetem ao longo dos livros... À parte isso, o enquadramento e pesquisa históricos são, como sempre, muito enriquecedores.
Que livro fantástico, sempre fui fã desta época histórica, a melancolia que me traz esta obra é algo que não está escrito, simplesmente fantástico!!! O final do livro é sem dúvida amargo, mas como é dito, a maioria dos finais não são felizes. As aventuras destas quatro pessoas fazem-nos imaginar o que mais poderá ter acontecido às mesmas, muito bom!!!!
Another excellent book with a sad ending. It is a novel with lots of historical descriptions but the characters are well built and the plot is quite interesting throghout the three novels, although I have read only the first and the third. I highly recommend it.
Mais uma obra prima deste escritor. Não é fácil transportar o leitor pelas complexidades e imiscuidades da teia geopolítica antecedente à II Guerra Mundial, mas José Rodrigues dos Santos conseguiu-o com mestria.
Para o período temporal, poderia ser um livro mais curto com pormenores das histórias mais marcantes...o nome da escolha da amante...não foi bem conseguido..
Esta trilogia não faz sentido nenhum, a escrita é um bocado merda e nota se que o José Rodrigues dos Santos tem síndrome macho escroto mas literalmente foi o único livro q tinha em casa p ler 😵💫
Que trilogia maravilhosa! este terceiro livro é consistente com os outros dois livros da trilogia. Que viagem histórica nos é dada através das palavras do autor. Simplesmente maravilhoso
Nesta trilogia acompanhamos a história de quatro personagens: Artur, Fukui, Nazehsda e Luan-Hua. Consequentemente, acompanhamos também a história e evolução política de quatro países distintos que, num primeiro momento, parecem não ter nada a ver: Portugal, Japão, União Soviética e China. No século XX emerge o autoritarismo um pouco por todo o mundo e, da Europa até à Ásia, estas mudanças políticas vão atingir em cheio as quatro famílias dos nossos personagens. Em Portugal, caiu a monarquia e a república está afundada num caos de instabilidade. Artur vê- se na missão de convencer Salazar a tornar-se ditador. Fukui vê-se no mesmo dilema que o seu país, entre a tradição e modernidade, o confronto militar mergulha o país numa catástrofe. Os bolcheviques conquistaram a Sibéria e a família de Nazehsda vê-se perdida no meio da onda de coletivizações, que levam ao medo e à fome. Luan-Hua cresce a ver o seu país em guerra entre nacionalistas, comunistas e japoneses, sendo apanhada no meio de um fogo cruzado.
Em 1929 a bolsa de Nova Iorque entra em colapso e a crise instala-se no planeta. O mundo está à beira do abismo e estas quatro famílias vêm-se no centro de muitas guerras e dificuldades. E nestes três livros acompanhamos o desfecho destas quatro histórias implantadas pelo totalitarismo.
Mas é nisto que José Rodrigues dos Santos é mestre, em cruzar as histórias como ninguém e, apesar de nos dar a perspetiva de quatro realidades distintas, ser exímio na arte de entrelaçar tudo sem que pareçam apenas partes soltas de histórias diferentes 🤩 Uma ótima forma de perceber o impacto que a política pode ter. não só num país como no mundo inteiro. Sou suspeita ao dizer que foram três leituras incríveis, eu sei, mas foram mesmo. Aconselho vivamente.