Em cinco lições, o renomado psiquiatra e psicanalista J.-D. Nasio se propõe a aprofundar, de forma brilhante e didática, a teoria e a clínica da depressão – para ele, mais do que um distúrbio de humor, a depressão é antes de tudo uma patologia da desilusão.
Qualquer um pode ficar deprimido? O que pode desencadear esse processo? Por que tantas pessoas são acometidas por tal condição? Como ajudar o paciente a se curar? Essas são algumas das questões que Nasio desenvolve neste livro, compartilhando sua prática de escuta terapêutica e a ilustrando com catorze casos clínicos emblemáticos, como Francisca e o naufrágio na depressão; Sandra e sua lombalgia incapacitante; Michiko e o horror da melancolia; Laurent e um suposto burnout.
Com sua maneira direta de se comunicar, o autor expõe também uma nova abordagem de tratamento – a interpretação gráfica –, desenvolvida na troca com um de seus pacientes; inclui um capítulo sobre a neurobiologia da depressão; e discute a existência endêmica do que ele chama de "depressão covid-19". O livro traz ainda quadros comparativos que ajudam o leitor a diferenciar a tristeza normal da depressiva, bem como a detectar vulnerabilidades e atuar preventivamente.
Uma obra escrita tanto para profissionais da área como para leigos interessados no tema.
Juan-David Nasio (or J.-D. Nasio) is a psychoanalyst in Paris and former member of the Ecole Freudienne of Jacques Lacan. Nasio was born in Rosario, Santa Fe, Argentina. After qualifying as a doctor Nasio completed his residency as a psychiatrist at the hospital in Lanús. He emigrated to France in 1969 where he worked with Jacques Lacan. He was a professor at the University of Paris VII Sorbonne for 30 years from 1971 and is considered one of the foremost commentators on Lacanian psychoanalysis. He was the first psychoanalyst to be inducted into the prestigious French Legion of Honor. In addition to participating in Lacan's seminars and translating his Écrits into Spanish, he has authored numerous books in French and Spanish, and he is the director of the Seminaires Psychanalytiques de Paris, a major center for psychoanalytical training and the dissemination of psychoanalytical thought to nonspecialists.
Estava com esse livrinho há três anos na minha estante, foi escrito durante a pandemia e possui um capítulo especial sobre a mesma, mas que leitura maravilhosa! Há 10 anos eu estava xingando a psicanálise e um livro do Nasio no Goodreads, agora estou dando 5 estrelas, hahaha, ainda bem que nos é permitido evoluir e mudar de opinião, não é mesmo? Enfim, o livro é bastante didático e gostoso de ler, praticamente um compêndio de como agir na clínica e na vida, só o capítulo sobre neurobiologia é um tanto chatinho, não é porque temos e seja importante saber sobre isso que não podemos achar chato, né, que o diga minhas aulas sobre isso na faculdade de psicologia.
Para quem já sofreu de depressão crônica, como eu, a teoria que Juan-David Nasio estabelece neste livro faz muito sentido. Nele, o psiquiatra apresenta a teoria de que o sentimento de depressão não é apenas uma tristeza incurável, mas uma forma de quebra de ilusões, uma forma de ilusões, de que aquilo que constituía o cerne da identidade de uma pessoa foi rompido e não consegue mais ser reagrupado. Afinal, muitas teorias de identidade afirmam que esta é uma construção. Quando a segurança da identidade é enfraquecida e, depois, rompida, temos uma desilusão. Por meio de exemplos e esquemas gráficos - muito melhores e mais inteligíveis do que as fórmulas lacanianas - entendemos as diferenças entre depressão e tristeza, as fases que levam à depressão. O autor faz isso com uma linguagem acessível, mas que, nem por isso, deixa de conter análise rigorosa e seriedade. Este foi um livro que me ajudou a entender boa parte da minha vida e os mecanismos que contribuíram para intensificar minha depressão.
É um livro voltado para psicanalistas, mas que pode ser lido pelo público em geral, em que me incluo, porque é escrito de um jeito simples e sem muitos termos técnicos. Acho que é uma boa introdução ao tema da depressão sob a ótica de uma psicanálise não muito ortodoxa. Às vezes é um pouco esquemático demais para o meu gosto, mas entendo a proposta. Também acho estranho que o autor muitas vezes cite a si mesmo na abertura dos capítulos, mas, em todo caso, as citações são sempre pertinentes. De volta ao livro, a questão central dele, como diz o título, é a perda de uma ilusão como desencadeadora da depressão. Nasio mostra, contudo, com base nas experiências de seus pacientes, como essa ilusão normalmente é constituída a partir de traumas do passado, que precisam ser cuidadosamente investigados e abordados pelo psicanalista. Há ainda um capítulo sobre os estudos mais recentes da medicina e da neurociência sobre a depressão, e outro sobre os efeitos da covid 19 na saúde mental, além de uma bibliografia com pequenas súmulas dos livros referidos. Gostei bastante.
Un excelente libro para conocer de dónde viene la depresión a partir de la experiencia y estudios que realiza el psicoanalista Nasio. Definitivamente te abre un panorama enorme y logras comprender muchas cosas.
No es fácil de leer, ya que vienen algunos términos del área psicológica, y hay que leer 2 o 3 veces algunos párrafos para poder digerirlos. Si eres psicólogo, o del área de la salud mental, será más fácil de leer y comprender a la primera. Sin embargo, si eres como yo que soy completamente ajena a esa área, te costará un poco más, pero no es imposible de leer y te brindará mucha información si has pasado o conoces a alguien de cerca que haya pasado por depresión.
Melhores trechos: "...Do ponto de vista descritivo, a depressão é um conjunto de sintomas observáveis, sendo o mais importante deles um humor anormalmente triste. Assim, a fórmula consagrada que encontrarão na maioria das obras sobre a questão afirma que a depressão é um distúrbio do humor ou, se preferirem, um transtorno do estado emocional. É uma definição particularmente restritiva, pois se limita a caracterizar a depressão pelo que ela nos mostra: um humor triste. Com efeito, o ponto de vista descritivo se restringe a constatar a hipertrofia da tristeza, sem procurar saber qual é sua causa. Aqui, a depressão é simplesmente o que percebemos. E, em sentido oposto, há o ponto de vista psicanalítico, tal como o entendo, que define a depressão precisamente com base nas causas que a provocam. Aqui, a depressão é de fato o que percebemos, mas sobretudo aquilo que supomos haver por trás do que percebemos. E o que supomos? O que eu suponho? Suponho as causas ocultas que estariam na origem do humor anormalmente triste da pessoa sentada à minha frente. E então, vendo a expressão amargurada em seu rosto e ouvindo-a se queixar dos outros e de si mesma, fico pensando que sua tristeza foi provocada por uma perda, a perda não só de um objeto amado e externo, mas talvez de um objeto interno, de algo dentro de si mesma, algo de si mesma — em uma palavra, de uma ilusão. Sim, o deprimido está triste não só por ter perdido o que tinha, mas sobretudo por ter perdido o que era, e eu diria mesmo por ter perdido a ilusão que lhe dava força para ser o que era. Suponho, assim, que aquele que me fala está triste por ter perdido uma ilusão. Que ilusão? A ilusão de ser onipotente e invulnerável à infelicidade. É como se, desde a infância, muito antes da depressão, o deprimido de hoje vivesse fechado numa bolha de ilusão narcísica que o fazia sentir-se todo-poderoso e o apartava da realidade: 'Enquanto eu sonhar que sou forte, sinto-me forte e nenhuma desgraça pode me acontecer'. Essa é a ilusão, a miragem infantil que o deprimido perdeu. A depressão é uma tristeza anormal provocada pela perda de uma ilusão... Eu não ataco apenas o mal de agora, a depressão; ataco a raiz do mal: a neurose e suas ilusões infantis... Uma depressão nunca se forma de repente! Toda depressão se faz por uma lenta penetração do passado no presente... São os seguintes os principais objetos de amor idolatrados e as falas de desespero que o pré-depressivo diria no momento de perdê-los (choque emocional): 1. Perder o ser querido e idolatrado. 2. Perder a maravilhosa sensação de estar apaixonado. 3. Perder o amor-próprio desmedido. 4. Perder minha sagrada saúde. 5. Perder minha juventude idolatrada. 6. Perder minha casa ou meu trabalho, ou ainda meu ideal ou meu dinheiro, todos objetos que venero... A pessoa vulnerável à depressão foi portanto uma criança fragilizada por um trauma violento, em geral ocorrido antes dos dezesseis anos... Afirmo assim que muitas pessoas pré-depressivas ontem e deprimidas hoje foram crianças que se sentiram abandonadas, maltratadas, abusadas ou excessivamente erotizadas... Diga-me quem amas, se o amas febrilmente e se tremes à simples ideia de perdê-lo, e te direi se corres o risco de entrar em depressão... Examinemos agora as vivências da perda que leva à depressão: 1. Comecemos pela Privação. A falta na Privação poderia ser formulada da seguinte maneira: Eu não tenho aquilo que normalmente deveria ter. Na verdade, a Privação é a falta de um objeto que integra um todo, objeto que deveria estar presente nesse todo mas não está. 2. O segundo termo da tríade é a Frustração. A falta na Frustração poderia ser formulada da seguinte maneira: Eu não tenho o que me prometeram e que me foi injustamente recusado. Na Privação era: 'Eu não tenho o que normalmente deveria ter', ao passo que na Frustração é: 'Eu não tenho o que esperava ter'. 3. Para completar nossa leitura da tríade lacaniana, chegamos à Castração. Não incluí a castração na minha própria tríade, mas vocês verão que ela não pode ser dissociada das diferentes vivências da perda, pois de certa maneira as engloba. Vou me explicar, mas quero primeiro definir o que é a Castração. A Castração não é uma falta propriamente dita, mas o temor de uma falta, a falta de um objeto precioso que creio ter em meu poder e que tenho medo de perder. 4. Chegamos por fim à categoria que acrescentei, influenciado por alguns dos meus pacientes, que se deprimiram após uma terrível Humilhação. Vi muitas depressões surgidas de uma contrariedade muito mal suportada... A primeira definição é descritiva: a depressão é um conjunto de sintomas observáveis sem considerar as causas invisíveis que a provocam. A segunda definição é clínica: a depressão é a manifestação da descompensação de uma neurose pré-depressiva. Vale aqui lembrar minha comparação: a depressão é a espuma da neurose. A terceira definição é propriamente psicanalítica (embora todas elas o sejam, já que todas são formuladas por um psicanalista!). Ao contrário da definição descritiva, esta aborda a depressão com base nas suas causas inconscientes: a depressão é uma tristeza anormal provocada pela perda de um objeto de amor divinizado e da ilusão que ele suscita. Por fim, a quarta definição é psicopatológica e resulta da aplicação da nossa terceira definição às três formas clínicas da neurose. A depressão no paciente fóbico é a desilusão doentia decorrente da perda de uma dupla ilusão infantil: sentir-se amado por um amor superprotetor e contudo sonhar em ser o mais autônomo dos seres. A depressão no paciente obsessivo é a desilusão doentia decorrente da perda de uma dupla ilusão infantil: sentir-se amado por um amor admirativo e se julgar o mais perfeito dos seres. A depressão no paciente histérico é a desilusão doentia decorrente da perda de uma dupla ilusão: sentir-se amado por um amor exclusivamente terno e se julgar o mais sublime dos amados. Numa palavra, o fóbico sonha com a autonomia, o obsessivo sonha com a perfeição e o histérico sonha com um amor puro... Qualquer que seja a técnica empregada por um psicanalista, o essencial é a disposição subjetiva com a qual ele intervém. Na verdade, o valor da intervenção do terapeuta não reside na intervenção em si mesma, mas na atitude mental que a inspira..."
Excelente e acessível explicação sobre o desenvolvimento da depressão. Senti falta apenas de que Nasio explorasse um pouco mais como se dá a desvitalização da ilusão infantil/narcisismo negativo. Ele propõe a interpretação gráfica, mas esse capítulo do tratamento ficou devendo maior aprofundamento. Talvez não seja a proposta central do livro, de qualquer forma.
Muy buen libro. Fácil de leer, pero a la vez riguroso en la información. Se nota que el autor es un profesional y sabe de lo que habla. Es un psicoanalista y desde su experiencia en la práctica y sus conocimientos teóricos explica las causas de la depresión. Muy interesante. Quizás no brinde muchas herramientas para alguien que sufre de depresión pueda salir (excepto el de ir a una consulta con un especialista), pero da un marco teórico que puede ser muy útil e iluminador.