Primeira edição deste romance de José Cardoso Pires, que através das personagens centrais, retrata a vida em Portugal desde a época da ditadura até ao período pós 25 de Abril de 1974.1ª edição
JOSÉ CARDOSO PIRES nasceu na em São João do Peso, concelho de Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, a 2 de Outubro de 1925. Estudante na Faculdade de Ciências de Lisboa, trocou as matemáticas superiores pela marinha mercante. Entre 1969 e 1971, foi docente de Literatura Portuguesa e Brasileira no King’s College, em Londres. Foi director literário de editoras lisboetas e director-adjunto do Diário de Lisboa (1974-75). Estreou-se com Os Caminheiros e Outros Contos (1949) e obteve o Prémio Camilo Castelo Branco com o romance O Hóspede de Job (1964). Dentro do neo-realismo, retoma a tradição satírica setecentista. Entre outros, escreveu os romances O Delfim (1968), Dinossauro Excelentíssimo (1972), Balada da Praia dos Cães (1982, Prémio da Associação Portuguesa de Escritores), Alexandre Alpha (1987), República dos Corvos (1988). Escreveu para o teatro O Render dos Heróis (1960) e Corpo Delito na Sala de Espelhos (1979). Deu ainda a lume a colectânea de ensaios Cartilha do Marialva (1960) e o volume de crónicas E agora, José? (1978) e A Cavalo no Diabo (1994). Em 1997 publicou De Profundis - Valsa Lenta e Lisboa, Diário de Bordo que lhe valeram o Prémio Pessoa desse ano. Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem da Liberdade, em 1985. Faleceu a 26 de Outubro de 1998, em Lisboa.
Cardoso Pires' last novel, Alexandra Alpha, was published in late 1987, thirteen years after the Carnation Revolution, which becomes, as if to complete a chronological panel, the thematic axis of the story. This fact is because this novel mixes the history of the characters with the country's history, having as its climax episode the April 25th. Taking the country as "a historical body of identity to know", as also happens in novels by authors like Lídia Jorge and Lobo Antunes, Alexandra Alpha tells facts that occurred in approximately fifteen years, between 1961 and 1976. It is noteworthy that two-thirds of the novel dedicate to the period before the Revolution, and only a few chapters contain the post-25th of April. Some read the narrative distribution as a historical signifier. In the two phases, we would first have mobility and the slow flow of time from the dictatorship; then, the vertigo of the post-revolutionary period, in a perfect match between content and form.
Notas de leitura. * As mesmas limitações ou "defeitos" que Régio aponta a Eça: estilo impecável, humor opulento, ironia mortífera -- mas onde está a profundidade das personagens? Parecem títeres, quase todos. * Muito agarrado à realidade sociológica concreta -- fim do estado Novo. Só Alexandra 'voa' (e talvez Maria, a "mana"); o resto são bonecos, tipos sem profundidade. (Agora, que passo os alinhavos, talvez o velho tio Berlengas, talvez...). * Parágrafos perfeitos. * Todo o capítulo do 25 de Abril (o VII) é prosa da mais pura, não me lembro de nada assim. É difícil escrever melhor sobre uma revolução.
Personagens centrais:Alexandra, a publicitária, Sophia Bonifrates, a defensora das boas causas, Maria, a professora, Bernardo Bernardes, o homem da cultura, Diogo Senna, o fotógrafo,... etc., são personagens centrais do romance!!!
Da década de 60 até ao 25 de Abril...Com muito humor*
Submerge in the final years of the authoritarian regime Estado Novo that led the portuguese society for over four decades (1933-1974). The main character, Alexandra, guide us through a country that, although exausted by war, still hasn´t lost humor, flame and hope. Accompany the misfortunes of an bourgeois city group of friends, as they realised that nothing more, is going to be like they use to.
(PT) A história de Alexandra, que trabalha na agência de publicidade Alpha Lynn, e os seus amigos que se encontram no Bar Crocodilo, num período que vai de 1961 a 1976, uma geração antes e depois do 5 de abril.
Publicado em 1987, depois de sucessos como "O Delfim" e "Balada da Praia dos Cães", "Alexandra Alpha" é um livro sobre a vida de antes e depois do 25 de abril, no Portugal onde Lisboa era o centro do império, e as pessoas faziam a sua vida possível num período difícil, onde toda uma geração fugia da guerra, para não falar da pobreza material e intelectual. AS pessoas que passeiam ao longo das páginas do livro olham-se umas para as outras como sendo alguém que tentam ter algo em comum para além de copos e fumaradas. Gentes que tentam ter um sentido para a vida - alguns bem resolvidos como Sophia Bonifrates e o seu marido Nuno, arquitecto; Bernardo Bernardes, jornalista e depois assessor de imprensa, Maria "mana", professora - e outros, nem tanto, como Sebastião Opus Night, eterno boémio que tem sempre uma frase pronta, um provérbio sempre pronto a sair da boca.
Apesar das vidas que são contadas, não apaixona. Percebe-se que o escritor queria contar algo que viveu no seu circulo de amigos, escondido entre outros nomes, faz por nos mostrar alguém de descobriu através de papéis que lhe foram confiados após um - alegadamente - despenhamento de um avião em novembro de 1976, que matou a protagonista da história. Mas lendo ali todo esse período conhecido, não é um livro que nos empolga, pelo contrário, tem alturas difíceis, nem parece que haja maior fantasia, apesar de se basear em alturas reais da História.
José Cardoso Pires já escreveu melhor, e este não é um dos seus melhores livros.
A very dense book and as such not an easy read - I have to confess that it was only near the end that I understood what he was trying to convey. But that is partly his style, which is to draw his readers into the world of his story and leave them to find their own way, and partly the subject matter of the novel: Portugal in the lead-up to the 1974 revolution. A time of malaise with the status quo (which had lasted since 1926), but with no clear way out of it; a time of resignation and complacency but with a clear sense that something was rotten in the state of Portugal, in many respects a western Albania; a time of global tectonic shifts which levied a heavy tribute on this small, isolated country at the far south-western point of Europe as the dictator attempted to forge a middle path through the cold war as he had through WWII. While fighting a colonial war on three fronts for 12 years. But it is also a book of great and complex characters, demonstrating that history is above all a series of human stories and destinies.
Gosto do tom irónico e, a intervalos, de compaixão, com que são tratadas as personagens do livro. Além disso, diverte-me a forma como as mulheres - todas as mulheres! - são objectificadas e sexualizadas, sem desprimor para as suas outras características importantes. Mas o que me toca neste livro é a beleza e a emoção da descrição do dia da revolução, em que o narrador passa a fazer parte da história (História?) e se sente que, independentemente do extracto social, e das mais ou menos "benesses" relativamente à ditadura, naquele dia 25 de Abril de 1974, toda aquela gente na rua era igual, irmãos solidários, corajosos, sedentos de liberdade, e tão imensamente alegres e gratos pela sua conquista. Eu senti que estava lá, no Carmo, e chorei de felicidade e comoção. 25 de Abril, sempre!
Imagino que em 1987, quando a primeira edição, esta que tenho, foi publicada, esta tenha sido uma pedrada no charco. Um início quase de realismo mágico, com um final que com ele rima, uma mulher como protagonista, muitas transgressões no Portugal da Guerra Colonial e do respeitinho e episódios delirantes, são bons ingredientes. No entanto, faz falta algum, por vezes a narrativa torna-se aborrecida. Parece-me, no entanto, que muito do que se tem escrito depois, até na chamada literatura internacional, tem muitos ecos aqui. Só não sei quem começou primeiro, e talvez isso nem interesse.
4.5 Uma escrita exímia animada por registos que vão desde o palavrão ao verso poético, um leque de personagens complexas e surpreendentes, um retrato diferente de um certo Portugal, antes, durante e depois do 25 de abril. Uma obra que merecia ser mais (re)conhecida.
Não tenho bem a certeza se gostei de tudo. Tem partes brilhantes, tem partes maçudas mas em nenhum momento é uma leitura fácil, provavelmente as passagens mais brilhantes compensam o peso geral do livro.
Descreve com muita ironia e humor, uma certa elite portuguesa, nos anos 60 e 70, através de Alexandra Alpha e das suas relações. O livro está cheio de pequenas estórias, dentro da estória principal. Os diálogos, os monólogos, estão cheios de frases brilhantes, de pensamentos originais. É um livro longo, mas não é uma leitura pesada. Está escrito numa linguagem e duma forma bastante acessível. Dos livros que já li do José Cardoso Pires, foi aquele que mais gostei.