Em Março de 2022, o tempo e a duração da Democracia ultrapassou o da Ditadura Militar e do regime do Estado Novo. Implantada por um golpe militar em 28 de Maio de 1926, seria um outro movimento militar que, ao fim de 48 anos, a 25 de Abril de 1974, haveria de derrubar a ditadura estado-novista e abrir as portas à Revolução Portuguesa de 1974-1975 e à Democracia institucionalizada pela Constituição de 1976. Por isso mesmo, iniciam-se agora as comemorações do cinquentenário do «25 de Abril», que se prolongam até 2026.
Neste contexto oportuno, publica-se esta obra que reúne as mais recentes contribuições académicas sobre as várias vertentes do processo revolucionário, desde as origens do golpe militar até ao desenrolar dos principais confrontos políticos, o poder popular, a Reforma Agrária, os impactos económicos, a descolonização, a política externa e até a canção de protesto, cruzando a reflexão de intervenientes directos nos acontecimentos com a pesquisa mais recente dos vários investigadores.
LIVRO CONSTRUÍDO A PARTIR DO SEMINÁRIO SOBRE A REVOLUÇÃO PORTUGUESA DE 1974-1975 COORDENADO POR FERNANDO ROSAS (SET-DEZ 2021, INSTITUTO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA NOVA/FCSH). COM TEXTOS DE: Fernando Rosas Maria Inácia Rezola Manuel Loff Albérico Afonso Costa Fernando Oliveira Baptista Ricardo Noronha Hugo Castro Pezarat Correia Pedro Aires Oliveira
FERNANDO ROSAS nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1946. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1969), mestre em História dos séculos XIX e XX (1986) e doutorado em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1990).
Foi, entre 1996 e 2016, professor catedrático de História Contemporânea. Em 2019 tornou-se o primeiro professor emérito da NOVA/FCSH, distinção pelo seu percurso académico ímpar. Na mesma faculdade, foi Presidente do Instituto de História Contemporânea (1995-2012). Entre 1988 e 1995, integrou o conselho de redacção da revista Penélope – Fazer e Desfazer a História. Entre 1994 e 2007, dirigiu a revista História.
Desenvolveu a sua investigação sobretudo em torno da História Contemporânea e da História de Portugal no século XX, com especial incidência no período do Estado Novo. Publicou variadíssimas obras como autor, dirigiu, coordenou e é co-autor de muitas outras na área da sua especialidade (história portuguesa e europeia do século XX), entre elas: As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo: as eleições de 16 de Dezembro de 1934 (1985); O Estado Novo nos Anos 30. Elementos para o Estudo da Natureza Económica e Social do Salazarismo (1928-1938), (1986); O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica: estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988); Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989); Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990); Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992); História de Portugal, vol. VII - O Estado Novo (1926/74), (1994); Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995); Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996); Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.), (1996); Salazarismo e Fomento Económico, (2000); Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004); Lisboa Revolucionária, Roteiros dos Confrontos Armados no Século XX (2007); História da Primeira República Portuguesa, (co-coord.), (2010); Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012); Estado Novo e Universidade. A perseguição aos Professores (coautor), (2013); O Adeus ao Império - 40 anos de descolonização portuguesa (org. et al.), (2015), História a História: África (2018), Salazar e os fascismos (2019), Ensaios de Abril (2023) e Direitas Velhas, Direitas Novas (2024).
Autor dos programas de televisão, História a História e História a História - África, produções Garden Films para a RTP.
Foi deputado à Assembleia da República (1999/2002; 2005/2011) e candidato à Presidência da República, em 2001, pelo Bloco de Esquerda, tendo obtido 3% dos votos. Em 2006 foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem da Liberdade e foi galardoado com a Medalha de Mérito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2017) e a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores (2018).
Seguramente a mais completa análise historiográfica do período revolucionário português, com contributos de diferentes historiadores em diversas áreas de investigação, desde as origens do golpe militar ao desenrolar dos diferentes acontecimentos e dinâmicas políticas do PREC, passando por outras realidades sociais como o poder popular, a Reforma Agrária, a economia revolucionária, a descolonização e a política externa e até a canção de intervenção e protesto. Uma notável compilação de ensaios, sob coordenação do professor Fernando Rosas.
Uma compilação de ensaios muito completa, que retrata, com linguagem simples, o período da revolução portuguesa entre 1974 e 1975. Pode-se dizer que a qualidade literária dos ensaios varia de autor para autor e que alguns aspetos históricos foram notoriamente deixados de fora, um exemplo claro da multiplicidade de ângulos associados a este período. Ainda assim, leitura obrigatória para quem deseja conhecer em profundidade o processo revolucionário.
Sempre fui fascinada pelo passado. Acredito que é com o passado que conseguimos compreender e explicar o presente, bem como construir um futuro melhor. Há muito que desenvolvo a vontade de conhecer os meandros do 25 de abril - O grande ponto de viragem do século XX para Portugal. Com este dia, conquistamos a democracia, mudando radicalmente o futuro do país. No ano em que celebramos os 50 anos do 25 de abril, foram eleitos 50 deputados do Partido de Extrema Direita no nosso país. Um partido abertamente antidemocrático, que coloca em causa os valores conquistados com a chegada do 25 de abril. Tudo isto me levou a querer conhecer melhor o processo revolucionário.. As suas diversas perspectivas de atuação, os seus intervenientes e como foi feita a rutura com o passado. Será que houve mesmo uma rutura? Este livro mostra-nos que há muito ainda por fazer.. Abril ainda não se concretizou por inteiro e o período em que vivemos é prova disso.. cabe-nos a nós, herdeiros da revolução, fazer cumprir abril.
Passada a mensagem mais importante a retirar deste livro, recomendo veemente a sua leitura. Apesar de ser um livro claramente dirigido para um público académico, é possível perceber as ideias principais de cada capítulo, mesmo não se sendo um entendido na área.
um bom livro para entender o período pós 25 de abril, apresentando também factores anteriores à revolução e que ajudam a entender este processo o foco em diversas áreas da sociedade é muito interessante não é um livro muito faccioso, não tendo uma grande índole política por detrás