Este livro faz parte da coleção "Plenos Pecados", lançada no final dos anos 90 pela Editora Objetiva, na qual sete escritores foram convidados para escrever sobre os pecados capitais (talvez no embalo do sucesso do filme "Se7en", de David Fincher?), e cujo título mais famoso é "A Casa dos Budas Ditosos".
"Terapia", do chileno Ariel Dorfman, tem como tema central o pecado da avareza. O livro narra a história de Graham Blake, um poderoso empresário, dono de uma multinacional, cuja vida aparentemente perfeita vem sendo atrapalhada por crises inexplicadas de ansiedade e uma severa insônia que estão praticamente lhe incapacitando.
Por indicação de um amigo, Blake decide, então, se submeter (ao custo de 3 milhões de dólares) a um tratamento nada ortodoxo na clínica Terapia Vital. O tratamento, ele descobre, nada mais é do que uma espécie de Big Brother particular: durante 30 dias, ele vai observar o cotidiano de uma família comum, de empregados de sua empresa, através de câmeras escondidas no apartamento deles. Com um detalhe sórdido: Blake poderá "brincar de Deus", decidindo o destino dos integrantes da família. Basta uma ordem dele e a clínica arranjará uma maneira de seu desejo ser atendido.
A premissa do livro me lembrou muito o excelente filme "Vidas em Jogo" (curiosamente, também do David Fincher), com alguns ecos de "O Show de Truman". A trama é repleta de reviravoltas (algumas previsíveis, outras bem surpreendentes) e a construção da narrativa (alternando as vozes de Blake e de Tolgate, seu terapeuta) é muito boa, prendendo o leitor durante todo o tempo. Certamente daria um belo filme - ou até mesmo um episódio de "Black Mirror". Achei, contudo, que ficou faltando um final mais bombástico, à altura do restante do livro. Fiquei com a impressão de que o autor não sabia direito como encerrar a história.