Com o prefácio de Newton Jr., o Juninho da Let’s Rock, a história em quadrinhos Motorocker – Blues do Satanás apresenta em suas 96 páginas coloridas e em preto e branco. Um roteiro criado a partir da música “Blues do Satanás”, que faz parte do álbum Igreja Universal do Reino do Rock, da banda Motorocker. O vocalista Marcelus dos Santos, escreveu a letra depois de ir de moto com seus amigos para uma chácara, numa festa que virou a noite. Na madrugada surgiu, simplesmente do nada, um polaco vermelho como o satanás, falando uma língua que ninguém entendia.
Conheça essa história que mistura realidade com ficção!
De tempos em tempos me deparo com obras sensacionais, que me levam para aquele momento da infância em que minha única preocupação era se o batman derrotaria o coringa aquela vez ou se finalmente o Kraven capturaria o homem aranha. Sim, estou falando dessa paixão que se chama história em quadrinhos, ou como é melhor conhecido por aqui, gibi. E se tem algo que me agrada e me interessa prontamente são quadrinhos inspirados no rock. Dito isso, posso enfim, resenhar esse quadrinho. Motorocker é uma banda de rock curitibana formada nos anos 90 com o propósito de fazer covers de AC/DC, e chamou atenção desde seus primeiros shows tamanha a qualidade e fidelidade às versões originais das músicas que tocavam. Não demorou muito para que lançassem suas próprias músicas, sendo compiladas no disco de estreia “Igreja Universal do Reino do Rock”. Nesse disco (um dos preferidos da vida deste que vos escreve) continha um blues transgressor e provocativo chamado o blues do satanás, que contava uma história simples sobre um grupo que bebia no meio do mato até encontrarem o diabo, e depois de alguns goles com o chifrudo, acabavam por descerem o cacete no mesmo e o mandarem de volta ao inferno. É nessa música que essa HQ foi inspirada, e trás uma introdução com um show no bar “Evil Bar” (não sei se aquele local já se chamou assim, mas qualquer um que conhece e viveu a noite curitibana sabe que é o antigo Hangar Bar, um dos lares e berços da cena roqueira curitibana). Essa introdução é capaz de captar em poucos quadros parte da energia e essência dos shows da banda (impossível ler sem cantar as partes das músicas, e se lembrar dessa energia dos shows). Após o show a banda segue para um after no meio do mato onde segue a história da música. Os traços dessa HQ são sensacionais, com uma captura real de expressões que fazem você se sentir vendo um filme (inclusive pra quem conhece a cena consegue identificar várias figuras conhecidas do rock daqui, até uma participação de alguns nomes internacionais). O traço do diabo é o mais completo e preciso da HQ, trazendo malícia e maldade na dose correta. A história ainda pende para uma bela homenagem ao falecido guitarrista Edu Calegari e trás uma capa singular inspirada em Robert Johnson e seu famoso pacto com o capeta em troco do sucesso. 10/10