Esse primeiro volume do omnibus do Quarteto Fantastico escrito pelo Jonathan Hickman foi minha primeira grande leitura da equipe, tendo em vista que até entao, só havia lido os encadernados recentes da fase do Ryan North. Destaco isso, pois, Quarteto Fantastico nunca foi uma equipe que me chamou muito a atenção, devido a revista estar ligada ao gênero de ficção científica - o que não me atrai. Porém, por ser uma fase famosa da equipe com o Hickman, resolvi dar uma chance, e não me arrependi.
Por conta do grande número de páginas e vários arcos aqui compreendidos, fica difícil fazer uma review abordando todos os aspectos da revista, mas vou tentar trazer minhas principais impressões do omnibus.
Primeiramente, é importante destacar que o Hickman é um roteirista que desenvolve bem suas histórias, ao ponto que em determinados momentos de usas obras, ele faz uma construção de mundo, elementos e características, que ele irá trabalhar no decorrer da trama, logo, fica tudo bem amarrado e coeso, algo que está presente nesse volume 1.
Tudo começa durante a fase da Marvel do Reincado Sombrio, pós Guerra Civil, em que Reed Richards encontra-se perdido em seus pensamentos questionando-se sobre como ele poderia ter evitado essa guerra. Para isso, ele constrói uma ponte que o permite acessar diversas terrar e estudar como elas se saíram diante a Guerra Civil, buscando encontrar aquelas que conseguiram uma solução para o problema. O desfecho desse arco e das informações obtidas por Richards, se tornam o estopim para tudo que vem a seguir.
Posteriormente, ignorando os avisos de Susan, Reed fica obcecado por não conseguir encontrar uma solução para os problemas, dando origem ao arco Consertar Tudo, em que o personagem encontra uma "uniao" de versões de si mesmo que trabalham em busca de, literalmente, consertar tudo envolvendo outras terras.
Outro arco desenvolvido por Hickman, é em relação a fundação futuro, que foi criada por Reed após ele encerrar uma "organização" que ele havia criado em prol do avanço científico.
Essa Fundação Futuro, na minha opinião, se tornou o grande chamariz dessa revista, pois, os personagens que a formam, em sua grande parte crianças - Valéria e Franklin Richards inclusos - fazem a vibe do quadrinho ser bem divertida.
A participação de Val e Franklin, inclusive, são muito bem feitas, com momentos certeiros e que conduzem a trama, indo na contramão de personagens que aparecem sem propósito ou apenas para cumprir tabela.
Além disso, ambos os filhos de Reed e Susan, além de conduzirem tramas no presente - muito por conta das ações e decisões da Val - eles também aparecem em suas versões futuras, trazendo notícias importantes sobre seu pai e acontecimentos relevantes.
Entretanto, mesmo com o elemento de ficção científica e viagem no tempo, essa história trabalha muito questões de sentimentos e familia, dando uma dramaticidade ao arco bem interessante.
Ademais, esses elementos familiares estão presentes com recorrência no omnibus, com os membros do quarteto sendo bem desenvolvidos e trazendo suas personalidades próprias para as histórias, bem como os coadjuvantes da Fundação Futuro, que conseguem seu espaço e brilham em diversos momentos.
Ainda, as participações dos vilões são bem trabalhadas, principalmente o Topeira e o Doutor Destino, que aparecem em vários momentos.
Apesar de todos esses momentos bem interessantes, ressalvo minha crítica quanto aos elementos de ficção científica. Eu sei que é algo pessoal, mas as vezes algumas pessoas podem se identificar: em determinados momentos, o sci-fi extrapola o "logico" e acaba ficando confuso, com referências a histórias anteriores do quarteto ou até mesmo em aprofundar demais as ideias e raciocínios de Reed.
Também, é importante destacar que, no meio do omnibus, algo em torno de 4-5 histórias, o Hickman da uma desacelerada no ritmo e utiliza-se desses capítulos para expor conceitos que viriam a ser trabalhados posteriormente. De começo, isso acaba sendo confuso, mas quando tudo se converge em uma direção no final, é tudo muito bem feito.
Por fim, destaco a participação da Sue Storm que assume um papel de grande relevância política para com uma espécie/civilização, assim como as participações do Homem Aranha que, quando se une a Fundação Futuro, rende diversos momentos legais.